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O que fazer em Óbidos, Portugal

O que fazer em Óbidos, Portugal

Ao chegarem ao destino, todos querem ver o castelo considerado uma das sete maravilhas de Portugal

Por Tarcila Ferro

Não é preciso mais do que cinco minutos caminhando por Óbidos para se contagiar pela atmosfera carregada de charme dessa vila medieval. Sabe aquele tipo de lugar que fisga pelos detalhes? Óbidos é assim!

Mas para conseguir reparar e curtir suas miudezas é preciso contar com um pouco de sorte. Óbidos é uma das cidades mais visitadas de Portugal e o fluxo de turistas que chegam todos os dias transforma suas estreitas vielas de pedra em um verdadeiro formigueiro. Afinal, todos querem ver seu castelo classificado como uma das sete maravilhas de Portugal.

O Castelo de Óbidos

Fui em um dia bem movimentado, mas sem empurra-empurra. O passeio pelas ruas estreitas com casinhas caiadas e floreiras carregadas foi bem tranquilo. Foi uma caminhada pausada e cheia de paradas para xeretar restaurantes, cafés, docerias, lojas de suvenires e livrarias que se escondem atrás de muitas portinhas.

Não é preciso muito tempo para perceber que o número de lugares que vendem livros é grande em comparação ao tamanho da vila. Mas alguns não são simples lojas, como a livraria aberta dentro da Igreja de São Tiago. As estantes foram colocadas de maneira que o altar e os bancos continuassem ali – passou de um local de oração para um ponto de leitura e venda de títulos. Outras livrarias curiosas são as que funcionam junto a uma adega (fica fora das muralhas) e a do Mercado Biológico, situada na Rua Direita, a principal da vila. As caixas de madeira para guardar frutas tornaram-se prateleiras para verduras, legumes, temperos e dúzias e mais dúzias de livros. Esse universo de leitura ganha ainda mais força durante o Festival Literário Internacional de Óbidos (Fólio), que agita a cidade todo ano durante os meses de setembro e outubro.

As caixas de madeira para guardar frutas tornaram-se prateleiras para dúzias de livros

Assim como os livros fazem sucesso, os produtos relacionados ao passado de Óbidos também. Quase todas as lojinhas vendem espadas de madeira, escudos, bonequinhos e até armaduras (não só para crianças, mas para adultos) com a temática da Ordem dos Cavaleiros Templários. O Castelo de Óbidos fez parte do que ficou conhecido como Pentágono Defensivo (formado por cinco castelos) criado pela ordem para proteger o reino português.

E história é o que não falta. De origem romana e posteriormente fortificada pelos árabes, Óbidos foi conquistada por D. Henrique Afonso, o primeiro rei de Portugal, em 1148. História vai, história vem, ela foi dada como presente de casamento do rei D. Dinis à rainha Isabel, no século 13, depois de passarem as núpcias na vila. Assim, a cidade passou a integrar o dote de todas as rainhas de Portugal até 1834. Não à toa que ela é esse charme: acabou virando um refúgio particular da realeza.

Um dos legados dessa época é a Igreja da Misericórdia, fundada pela Rainha D. Leonor no século 15. Vale entrar para ver seu interior todo forrado de azulejos e a antiga imagem da Virgem com o Menino Jesus feita de cerâmica e colocada junto ao pórtico de entrada.

Interior da Igreja da Misericórdia

A Rainha Eleonor também foi a responsável por uma profunda reforma na Igreja Matriz de Santa Maria, que fica na praça de mesmo nome. Depois de ter ficado quase em ruínas por conta do terremoto que atingiu a região em 1535, foi totalmente reconstruída. Ao longo dos séculos recebeu mais melhorias até virar uma igreja barroca.

Parte do passado de Óbidos está em exposição no museu da cidade (entrada gratuita). Se tiver tempo, visite a coleção de arte sacra, com pinturas e esculturas, artefatos da época romana, mobiliário barroco e uma coletânea de armas. Vai reparar que muitas obras levam a assinatura de Josefa de Óbidos, pintora espanhola que vive em Portugal e produziu muito na cidade.

Mas o grand finale fica reservado para a subida no alto das muralhas. O visitante pode andar em todo o perímetro da fortaleza, cerca de um quilômetro e meio, e ver, lá de cima, paisagens lindas da cidade que respira fora dos muros. Mas é preciso cuidado, uma vez que a muralha tem 13 metros de altura e nenhuma proteção. Outras partes do castelo foram convertidas em um hotel do grupo Pestana, a Pousada do Castelo, aberta em 1951. Quem dorme por ali acaba conhecendo as entranhas da fortaleza. O sucesso é tanto que o Pestana vai abrir mais uma unidade em Óbidos, dessa vez nas instalações do antigo Hospital da Misericórdia, anexo à Igreja da Misericórdia.

Onde comer

Restaurante da Pousada do Castelo de Óbidos

Para um almoço com história e vista, nada melhor que reservar uma mesa no restaurante que faz parte da Pousada do Castelo de Óbidos, aberta, literalmente, dentro do Castelo. As mesas ficam juntas às belas e originais janelas manuelinas que decoraram o salão com detalhes de pedra e madeira. Escolher um dos pratos de pescados e frutos do mar não tem erro. A pedida do risoto de camarões e aspargos (€ 30) seguido por um preparado de bacalhau, polvo e lula (€ 26) foi certeiro. De sobremesa, o docinho mais famoso da região: Brisas do Lis preparado como a receita original criada no século 15 por freiras que viviam na cidade de Leiria, que fica próximo dali. É igual ao nosso quindim, com a diferença de que em Portugal é feito com amêndoas moídas no lugar de coco ralado. Ainda há um bar ao ar livre com uma vista fantástica para a vila. Paço Real, pousadas.pt

Mais sobre Óbidos: 

Distância: a 26 km de Peniche e a 80 km de Lisboa 
Quanto tempo ficar: uma tarde inteira é suficiente 
Imperdível: experimentar o licor de ginja, caminhar sem pressa pelas vielas e subir nas muralhas  

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