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O que fazer em Tomar, Portugal

O que fazer em Tomar, Portugal

Não deixe de apreciar a beleza do antigo oratório dos Templários e da Igreja Manuelina

Por Tarcila Ferro

Não tenha dúvidas de encaixar Tomar no roteiro. Além de ter como ponto principal o magnífico conjunto formado pelo Castelo Templário e Convento dos Cavaleiros de Cristo, a cidade surpreende com um centrinho histórico medieval e uma atmosfera bucólica graças ao Rio Nabão e ao Parque Mouchão, que ficam aos pés da fortaleza.

Antes ou depois da maratona dentro do castelo, aproveite para fazer uma caminhada tranquila dentro do parque. Por ali, cafezinhos com mesas coladas às margens do rio rendem uma pausa gostosa com vista para a fortaleza e para a ponte velha D. Manuel I, da época romana. No verão, o Nabão ganha atrações como pedalinhos e caiaques.

Deixando o parque e atravessando a ponte, é a vez de entrar no centrinho histórico. A estátua do cavaleiro Gualdim Pais toma a Praça da República. Ele foi o fundador da cidade e um dos nomes mais notáveis entre os Templários em Portugal (seu túmulo e de outros guerreiros da ordem estão no panteão da Igreja de Santa Maria de Olival).

Na praça, o visitante pode ver também os edifícios centenários da Câmara Municipal e a Igreja Matriz S. João Batista. Do século 15, a igreja passou por uma série de transformações ao longo dos séculos e ganhou um banho de loja na época do Rei D. Manuel, quando passou a ostentar uma nova porta de arquitetura manuelina.

É ao redor da igreja que acontece a cada quatro anos a Festa dos Tabuleiros. O momento mais esperado é o da Procissão dos Tabuleiros, em que mulheres vestidas de branco carregam na cabeça uma estrutura de madeira e vime decorada com flores, trigo, pães, papéis coloridos e, no topo, uma coroa. O curioso é que o tabuleiro tem que ter o tamanho da mulher. O cortejo segue pelas ruas da cidade por cinco quilômetros. A próxima será em 2019, de 8 de junho até 8 de julho.

A Festa dos Tabuleiros

Castelo Templário e Convento dos Cavaleiros de Cristo
Fundado em 1160 pelo cavaleiro D. Gualdim Pais para ser a sede da Ordem do Templo, esse conjunto monumental cruza linguagens artísticas que viajam pelo românico, gótico, manuelino, renascimento e barroco. Em 1983, a Unesco o classificou como Patrimônio Mundial não à toa: faz parte dos monumentos o Castelo Templário de Tomar, o Convento da Ordem de Cristo, a região da Mata dos Sete Montes, a Igreja da Imaculada Conceição e o Aqueduto dos Pegões.

O castelo foi o primeiro a ser construído no século 12. Quando os templários foram extintos, em 1319, a fortaleza passou à Ordem de Cristo (outro exército com cunho religioso) e o infante D. Henrique ordenou a construção de um convento.

O Convento dos Cavaleiros de Cristo

Os monarcas que vieram depois também deram seus pitacos. D. Manuel comandou várias mudanças artísticas e D. João III fez profundas reformas no conjunto monástico, erguendo um novo e grandioso convento. Para visitá-lo, reserve pelo menos três horas e programe-se para gastar um tempinho a mais nestes pontos:

Capela de São Jorge: erguida no século 15, funciona hoje como bilheteria. Dali, o visitante tem acesso a dois claustros do convento. No Claustro do Cemitério estão enterrados diversos religiosos e cavaleiros da Ordem de Cristo, entre eles o irmão de Vasco da Gama, Diogo da Gama. O outro é o Claustro Lavagem, construído em dois pisos e usado pelos monges para lavarem suas roupas.

Portal da Igreja: um dos pontos mais fotografados é formado por um arco de três voltas decorado com motivos manuelinos e renascentistas. No topo há uma esfera armilar e uma estátua da Virgem.

Igreja Manuelina: forma a parte mais imponente do conjunto. A parte do templo conhecida como Charola foi construída no século 12 pelos Templários para servir como um local de oração aos cavaleiros. É um dos raros e emblemáticos espaços em rotunda e inspirado na Basílica do Santo Sepulcro, de Jerusalém. Acabou virando capela-mor no século 16, quando D. Manuel incluiu a nave, a sacristia e o coro alto. A parte mais surpreendente da visita é apreciar o interior da charola e ver a belíssima coleção de arte sacra que representa cenas bíblicas feitas em pintura em madeira e mural, escultura e talha dourada.

Charola da Igreja Manuelina

Claustro Principal: é considerado uma obra-prima da renascença europeia. Foi o último claustro a ser construído pelo rei D. João III – feito em dois andares, ostenta imponente fonte no centro.

Janela Manuelina: também chamada de janela do capítulo, a obra é ladeada por figuras que marcam o estilo arquitetônico de D. Manuel, como o brasão do reino, a cruz da ordem de Cristo e a esfera armilar. Ela é acessada pelo claustro principal.

  • O que mais ver no conjunto:

As ruínas que sobraram do castelo original, os dormitórios e o refeitório do convento e os demais claustros: da Hospedaria, da Micha e o dos Corvos.

Aqueduto dos Pegões Altos

Aqueduto dos Pegões Altos

Cinco quilômetros antes de chegar a Tomar, faça uma pausa para conhecer o Aqueduto dos Pegões Altos, construído para fornecer água ao Convento de Cristo. A obra surpreende pelo tamanho: são seis quilômetros de extensão e 180 arcos. Ele liga o convento às quatro nascentes usadas para abastecer a fortaleza durante séculos. Nos pontos mais altos, chega a 30 metros. Em alguns trechos fica a “casa das águas”, local onde é possível subir e tirar ótimas fotos do aqueduto.

Onde comer em Tomar

O Restaurante Nabão é um agradável espaço em frente ao Rio Nabão. O bom custo-benefício empolga: opções de pastel de bacalhau como entrada (€ 0,50), sopa à alentejana (€ 3) e polvo (€ 8).
R. Fonte do Choupo, 4-8, (https://bit.ly/2DkUvXT)

Em pleno centro histórico, o Casa das Ratas é um estabelecimento histórico que ainda mantém o estilo de taverna, com pipas espalhadas pelo salão. Cabrito assado e bacalhau são boas apostas. Gasto médio dos pratos: € 15. R. Dr. Joaquim Jacinto, 6, https://bit.ly/2Tb3jVJ

Mais sobre Tomar:

Distânciaa 38 km de Fátima e a 140 km de Lisboa 
Quanto tempo ficar: 
meio dia para visitar o castelo e o convento e ainda caminhar pelo centro histórico
Imperdível
apreciar a beleza do antigo oratório (charola) dos Templários e da Igreja Manuelina

 

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