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Paris com crianças: passeios e dicas práticas

Paris com crianças: passeios e dicas práticas

Conheça a capital da França por um novo olhar – o das crianças, que, em Paris, também encontram uma viagem divertida e encantadora

Ah, Paris… Um destino romântico, charmoso, envolvente como o primeiro amor. Bem, mas depois do amor, às vezes também vêm uma ou mais criancinhas, certo? E a capital francesa, reconhecidamente um dos destinos preferidos dos adultos, não esnoba a faixa etária mais jovem. Paris é uma festa – e uma festa infantil, por que não?

Muita gente fica em dúvida quando sonha conhecer a cidade, mas espia, com o canto do olho, os filhos perguntando pelas tão sonhadas férias. Levar ou deixar? Ir com eles a tiracolo ou esperar, talvez, uma década? Não tem dilema nessa resposta: leve. Leve este ano mesmo, não deixe para mais tarde. Paris pode parecer uma capital de luxo, pompa e circunstância, mas a verdade é que também é uma excelente cidade para as crianças, simples e acolhedora. 

Pode não haver cadeirão na esmagadora maioria dos restaurantes, mas, para compensar, haverá muitas comidas boas para os pequenos provarem – especialmente os doces. E quem vai ligar para a altura da cadeira quando se tem na frente um éclair?

Dá para começar a provar que Paris abraça a molecada usando um número simples: a cidade tem nada menos do que 450 parques e praças, cinco vezes mais que uma capital como São Paulo, por exemplo (sendo que a francesa é mais de 15 vezes menor em área). Pais e mães zelosos vão notar rapidamente que, onde quer que se hospedem, vai haver um parque de bom tamanho na região ou ao menos uma área verde com parquinho. Aliás, é impressionante a capacidade dessa cidade em usar qualquer espaço de 100 m² ou 200 m² sobrando para alocar um brinquedo com escalada e escorregador, tanque de areia, gangorra… Todos sempre em bom estado e, muitas vezes, com ainda mais atrativos, como chafariz para brincar com água ou quadra de esportes.



Jardin D'Aclimatation
Jardin D’Aclimatation (foto: shutterstock)



E essas são apenas as facilidades gratuitas. Além disso, são dezenas de passeios que toda criança vai adorar. Mas quem, o leitor pergunta, QUEM iria a Paris, o destino favorito dos amantes (sejam amantes da gastronomia, da enologia, do cinema ou das artes, além dos amantes de fato), arrastando crianças consigo? Bom, Paris jamais seria “estragada” pela presença dos menores. Eu posso jurar pelas minhas filhas, que estão logo ali, brincando no museu.


Museus de Paris com crianças

A primeira questão que costuma ocorrer aos pais que decidem levar as crianças em uma viagem a Paris é: “Mas eles vão se encaixar nos passeios, vão se divertir?” Essa pergunta talvez tenha também um sentido velado de: “Mas eu vou conseguir ver o Museu do Louvre ou eles vão achar um saco e nós ficaremos dois minutos no lugar?” Bem, depende muito da criança, mas a realidade é que mesmo aquelas que não têm o hábito de ir a museus ou fazer o turismo mais “adulto” devem se interessar pelas atrações clássicas de Paris. Primeiro, a Torre Eiffel, claro: nenhum primeiro dia em Paris é legal o bastante se não tiver uma visita a essa senhora centenária
que decora o horizonte francês.



Champ de Marte
Champ de Marte (foto: shutterstock)



O símbolo máximo da cidade é, sim, um show para grandes e pequenos – e nem é preciso subir logo de cara até o último andar (até porque a fila que beira as três horas de espera no alto verão é um exercício de paciência para qualquer faixa etária). É possível comprar ingressos antecipados para subir, mas é preciso dar sorte de consegui-los pela internet, pois a procura é muito grande, ou apelar para a subida pelas escadas (a espera costuma ser bem mais ligeira, de 15 minutos ou nem isso, mas daí requer fôlego). Talvez o melhor negócio, com crianças, ainda seja desembarcar na estação Trocadero do metrô, olhar a grandalhona de longe e depois descer até o Champ de Mars, o gramadão gigante que se segue à Torre Eiffel, fazendo ali uma pausa para o sorvete e para contar para eles histórias sobre o monumento mais visitado do planeta.



Área do Egito no Museu do Louvre (foto: shutterstock)



Além da Torre Eiffel, as crianças também costumam gostar de ver o Arco do Triunfo de perto (e ali subir as escadas até o topo é mais rápido e menos cansativo; e como prêmio ainda se tem a maravilhosa vista para a própria torre). Em relação a museus, Louvre e D’Orsay não são visitas fadadas ao cansaço. O primeiro nunca será visto por inteiro mesmo (exigiria uns três dias completos), então o bacana é focar em partes que agradam a todos, como as salas de esculturas com O Beijo ou a Vênus de Milo e a Victoria de Samotrácia (restaurada e reavivada no alto da escadaria principal), a Monalisa (interessante ver o quadro e também a turba de gente querendo fotografá-lo) e as áreas de Egito e Mesopotâmia. No Museu D’Orsay, a área percorrida é menor e as esculturas de Rodin e os quadros impressionistas de Monet e Renoir são curiosos de mostrar e explicar para os menores (pais bem informados, que leem um pouquinho sobre os pintores e as obras antecipadamente, costumam entreter bem melhor a meninada, fica a dica – então faça uma breve “sessão pesquisa” antes das visitas).



Veja mais: Como visitar o Museu do Louvre, em Paris



Levar as crianças a outros clássicos também vale a pena, mas com ressalvas: a igreja Notre-Dame, por exemplo, também tem bastante fila para entrar; talvez seja o caso de preferir, ali perto, na mesma Île de La Cité, a igreja Sainte-Chapelle. A entrada é cobrada, mas lá dentro, vitrais coloridos dessa capela do século 13 compensam tudo. Mesmo os jovens olhinhos ficam vidrados no ambiente iluminado de parede a parede, dando uma boa ideia da idade de Paris, uma cidade que evoluiu durante os séculos, mas conservou sua graça para gente de qualquer idade.



Igreja Sainte-Chapelle
Igreja Sainte-Chapelle (foto: shutterstock)



 

Então nem só de monumentos, igrejas e construções de datas há muito passadas vive Paris. As crianças, hoje, estão por todo lado na capital francesa (e é curioso assistir, pouco depois da hora do almoço, em período de ano letivo, às turmas de pequeninos circulando por atrações, parques e praças, fazendo seu recreio ou suas excursões). A população infantil cresceu localmente, por isso muita diversão é destinada a ela. 

Todo tipo de entretenimento está disponível: se seu filho gosta de parques de diversão, o Jardim das Tulherias, bem no miolo da cidade, tem um desses montado todo verão, permitindo um giro de roda-gigante ou uma sessão de carrinho bate-bate. A estação mais quente também é o auge do Jardin D’Acclimatation, no oeste da cidade – mas ele funciona o ano todo com brinquedos para todas as idades, do singelo passeio de barquinho à euforia de rodopiar no chapéu-mexicano.



Jardim das Tulherias
Jardim das Tulherias (foto: shutterstock)



Para a criançada maiorzinha, o Palais de La Découverte, próximo ao Grand Palais de Paris, é uma farra: experiências científicas são feitas pelos pequenos – e, demais!, tudo pode ser tocado, girado, mexido e remexido para testar as leis da física, da química e do divertimento. O Aquário de Paris, pequenino, também rende uma manhã de descobertas: o L’Aquarium fica logo abaixo do Trocadero, encravado na colina e recebendo bem os visitantes para ver tubarões e raias, conhecer os peixes típicos do vizinho Rio Sena e tocar nas carpas do tanque aberto.



L' Aquarium
L’ Aquarium (foto: divulgação)



Tudo isso fora a quantidade adorável de carrosséis espalhados por Paris – e voltinhas de € 2 vão se somar aos montes, pode apostar. Todos bons momentos para privilegiar só a felicidade des enfants.

O melhor de desembarcar em Paris com crianças talvez nem seja encaixá-las nos passeios mais adultos nem se embrenhar nos mais infantis: é a mistura. E a mistura, felizmente, é a maior parte da cidade. São atrações e mais atrações, onde todos aproveitam juntos, trocando ideias e experiências. Como passear pelas ruas estreitas do bairro do Marais, cheio de lojinhas criativas e onde fica a Place des Vosges, uma das mais lindas da cidade, com tanque de areia e fonte para enfiar os pés; ou ir conhecer a Galerie Lafayette, lugar tradicional para compras (não se deve perder a área gourmet) e para vasculhar a área de brinquedos em busca de originalidades francesas. 

Outro dos melhores lugares “diversão para todo mundo” é o Jardin des Plantes, que engloba diversos passeios em um ponto só. Essa área verde fica na margem esquerda do Sena, próxima à Gare de Austerlitz. O parque, belíssimo, com alamedas de árvores centenárias, nasceu como um jardim de plantas medicinais para o rei Luís XIII. Um século mais tarde, foi assumido por pesquisadores e botânicos reais e, após a Revolução Francesa, foi entregue à população. Animais que antes eram de posse privada foram doados para a Ménagerie, considerado um dos mais antigos zoológicos do mundo e que, hoje, apresenta às crianças espécies locais, entre pequenos mamíferos, aves e répteis.



Museu de Paleontologia (foto: shutterstock)



Além dela, a visita à Galeria da Grande Evolução, o museu de história natural de fato, traz uma excelente oportunidade de conhecer detalhes sobre hábitos e características dos bichos. No prédio do Museu de Paleontologia, também parte do Jardin des Plantes, os bichos estão mais, digamos… despidos: ossadas de animais pré-históricos e uma infinidade de espécies lotam o edifício (e crianças pequenas podem até ficar meio impressionadas de início, mas logo se dispõem a olhar os animais com curiosidade, aprendendo muito). O parque conta ainda com duas imensas estufas apresentando vegetação de climas diversos.



Passeio pelo Rio Sena (foto: shutterstock)



Emoção garantida para todo mundo é também o passeio de barco pelo Rio Sena. Parece um desses clichês de viagem, mas acredite: navegar pelas águas hoje limpas de um dos rios mais famosos do mundo vai ficar registrado na memória familiar para sempre. São trajetos de todo tipo, vendidos pelas agências (na internet pode-se fazer a pesquisa do que cabe melhor, comprando ingressos antecipadamente, mas também dá para arrematar os tíquetes nos cais). Os barcos costumam sair da margem da Torre Eiffel ou da Notre-Dame – e tem passeios com jantar, com dança, com guia falando sobre história. E talvez o mais simples seja o mais indicado: apanhar o barco no Quai de Montebello, pegado à Île de La Cité, quando o sol estiver se pondo, circular por meia hora, fazendo o retorno na Torre Eiffel iluminada já à noite, e retornar em mais meia hora. Inesquecível dos 8 aos 80 anos.



Dicas práticas para viajar com crianças em Paris

Pais em primeira ida a Paris com filhos pequenos tendem a se preocupar se a cidade da Maison Chanel, da Opera Garnier e do foie gras terá espaço para receber seus rebentos que derrubam copos de refrigerante e falam razoavelmente (bem) mais alto que senhoras parisienses. Terá – mas, nessa hora, planejamento e flexibilidade vão ajudar muito. 



Opera Garnier (foto: shutterstock)



Os cafés tradicionais da cidade provavelmente não serão as melhores opções para um almoço, por exemplo; costumam ter mesas apertadas e garçons zunindo de um lado para outro, sem muito tempo para descolar aquele canudo rapidinho ou trocar ingredientes dos pratos. Se ainda assim decidir por um deles, as mesas internas, não as da calçada, são mais viáveis (e assim evita-se também a área de fumantes). 

Em vez disso, faça um bom planejamento do dia de passeio e encaixe no meio dele um restaurante bem escolhido, mais apropriado para os pequenos. As creperias, por exemplo, estão por todo lado – e crianças tendem a curtir uma boa panqueca recheada com
o delicioso presunto local, queijos de toda sorte e, se quiserem, um ovo estralado em cima (fora as opções doces, com Nutella imperando). 

Outra forma boa e barata de comer é fazer um tradicionalíssimo piquenique. Basta passar em um dos muitos mercados ou padarias (as boulangeries não são como padarias brasileiras, mas são excelentes para uma baguete ou outros pães e sobremesas) e comprar queijos, suco, quiçá até um vinho, e escolher um dos inúmeros parques para estender uma toalha e o corpo. Quase todos têm os gramados liberados para piquenique, mas mesmo os que não permitem têm cadeiras e áreas sombreadas o suficiente – como o lindo Jardim de Luxemburgo, divertido para as crianças pela beleza do verde, pelo parquinho com brinquedos muito inventivos (pago, € 2,50 pelo dia todo) e especialmente pela fonte central, onde se podem alugar pequenos veleiros de madeira e brincar com o vento.



Jardim de Luxemburgo (foto: shutterstock)



Já circular por Paris é praticamente uma atividade lúdica: é raro necessitar de outro meio de transporte que não o metrô e suas 16 linhas e quase 400 estações – e é engraçado ver como crianças rapidamente adoram pegar o trem, encontrar uma cadeira, decorar os nomes das paradas (e ainda tem o benefício do valor: menores de 4 anos não pagam e os de 4 a 10 pagam tarifa reduzida). Vale lembrar, porém, que os carrinhos de bebê darão trabalho: são muitas escadas para acessar os corredores nas estações maiores (e nem todas possuem elevadores próximos). Muitos pais acabam se encontrando melhor com o uso de “cangurus” ou outros suportes para levar os pequenininhos junto ao corpo.

O certo é que Paris é uma cidade grande, mas ainda carrega o romantismo das localidades pequenas. Passeios a pé, por exemplo, são deliciosos nesse lugar bastante plano, com calçamento na maior parte excelente, guias baixas e bem sinalizado. Planejando os dias com a ajuda da internet – o passeio principal, qual linha do metrô pegar, onde desembarcar, quanto custará –, o que resta é fazer uma mochila pequena com água e um lanchinho para as crianças. Um hit são aqueles saquinhos com tampa de rosca que levam papinha de frutas sem aditivos dentro (disponíveis inclusive em máquinas automáticas de bebidas na rua ou no metrô); basta chupar, não precisa nem colher. A molecada satisfaz o estômago enquanto os pais satisfazem a alma nessa cidade adorável e com surpresas grandes até para os pequenos.



Onde se hospedar em Paris? 

Generator Paris

A alguns metros do parque Buttes-Chaumont, tem 199 quartos, alguns com varanda, terraço com vista panorâmica, área com exposições de obras de arte e salão de jogos.


Ibis Bastille Opera

Às margens do Sena, no centro histórico, dispõe de 305 quartos simples, mas confortáveis.

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