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Vancouver: misto de cidade e natureza no Canadá

Vancouver: misto de cidade e natureza no Canadá

Parques sempre floridos, praia no verão, esqui no inverno… A cidade canadense é perfeita em qualquer estação

Por Danielle Motta

Vancouver é uma daquelas cidades que acertou meu coração em cheio. Um caso de amor que começou em 2007, quando ela deliciosamente me acolheu em meu primeiro intercâmbio cultural. Anos mais tarde, finalmente paguei uma dívida comigo mesma de voltar. E esse novo encontro foi cheio de surpresas.

Cosmopolita, jovem, de bom gosto e com comportamento eco-friendly, a cidade ganhou ainda mais corpo com novos arranha-céus, hotéis e restaurantes. Uma linha inteira do skytrain, o eficiente metrô com 47 estações que conecta a cidade de ponta a ponta – e municípios vizinhos –, tornou-se ainda mais eficiente. Os lugares não acessíveis dessa forma contam com um pontual sistema de ônibus, balsas e os Aquabus, barquinhos que funcionam como táxis aquáticos.

Ela ainda tem outro ponto a favor: a natureza. O Oceano Pacífico faz lotar as areias das praias no verão, as montanhas viram estações de esqui no inverno e, em qualquer época do ano, mais de 200 parques estimulam atividades ao ar livre, mesmo com a chuvinha constante que insiste em cair nos meses mais frios.

Foi a bordo do Aquabus que comecei a rever a cidade. Deslizando pelas águas da False Creek, um braço do mar que separa Downtown dos demais bairros, dá para ver, em uma tacada só, alguns dos cartões-postais. O domo geodésico do Science World, com 47 metros de altura, abriga um museu de ciências interativo, cheio de coisinhas para a criançada ver, ouvir, apertar, empurrar… E, ainda, o maior cinema Omnimax 3D de todos, com uma telona redonda no topo do domo.

 

Science World

Science World (foto: divulgação)

 

O BC Place Stadium domina a paisagem do outro lado da margem. O estádio, orgulho dos moradores, tem mil e uma utilidades: é a casa do time de futebol americano British Columbia Lions, campo de futebol do Vancouver Whitecaps e espaço de shows. Tudo acontecendo sob a maior estrutura de teto retrátil do planeta. Se você, como eu, é fanático por esportes, compensa investir alguns dólares no All Access Experience para conhecer a incrível estrutura, os vestiários e o BC Sports Hall of Fame and Museum, com um resumão sobre os esportes e os atletas.

Estiquei o passeio de barco até a Granville Island, um lugar com personalidade forte. Faça chuva, faça sol, é ali que os vancouverites batem ponto nos finais de semana por causa do mercadão público que vende de tudo um pouco: são 200 banquinhas de frutas, flores, chocolates, artesanato, pães, doces, peixes, queijos… E ninguém faz cerimônia na hora de comer: em pé, em frente ao balcão ou nas
mesinhas dos restaurantes que sempre privilegiam produtos locais nas receitas.

Na própria ilha, a Granville Island Brewing Co. é parada obrigatória para os apreciadores de cerveja artesanal. Tem tours, degustação, 20 rótulos diferentes para encher o caneco ou garrafas para levar para casa com 10% de desconto. Já a meninada tem a sua versão de mercado no Kids Market, com mais de 20 lojinhas de brinquedos, doces, jogos e livros, além de áreas para fazer mágicas ou entrar no mundo do faz de conta. De maio aquático, na faixa, com toboágua, piscina, escorregadores e borrifadores de água.

 

City tour de bicicleta

City tour de bicicleta (foto: divulgação)

Parques em Vancouver

Pode apostar: quem não está na Granville Island certamente está andando de bike, patins ou correndo nos 27 quilômetros de trilhas dentro da mata e à beira da baía no Stanley Park, o maior parque urbano da América do Norte, com três vezes o tamanho do Ibirapuera, em São Paulo. Na verdade, cumprir a lista das atividades dessa gigantesca área verde coladinha em Downtown é um programa para mais de um dia. Só assim é possível ir ao Vancouver Aquarium instalado dentro do local, com aquários com tubarões, tartarugas, pinguins, sapos, águas-vivas e uma infinidade de peixes coloridos. Dá para incluir no roteiro um passeio de trenzinho, caminhadas entre jardins floridos e, de quebra, esticar a canga na Second Beach, Third Beach ou em uma piscinona aberta ao público. Perdi as contas de quantas vezes aluguei bike para completar o trecho de 22 quilômetros da seawall (um caminho que contorna o parque inteiro) e conferir a vista para a Lions Gate Bridge, a ponte engenhosa com 1.823 metros de extensão, que liga Vancouver aos distritos de North Vancouver e West Vancouver.

 

Stanley Park

Stanley Park (foto: shutterstock)

 

O grande barato é que os parques de Vancouver nunca são os mesmos em cada estação do ano. Já vi o Queen Elizabeth transbordando energia no verão; lotado de gente posando para fotos diante das flores, na primavera; colorido em tons de laranja, no outono; e com alguns gatos pingados jogando tênis ou pitch & putt (tipo golfe), no inverno. Desde que apareceu como cenário em um dos filmes da saga Crepúsculo, no entanto, ele nunca está vazio.

Quem também tem a casa cheia de janeiro a janeiro é o Capilano Suspension Bridge Park, graças à sua ponte suspensa, a mais longa e alta do mundo. A estrutura de cabos de aço com 137 metros de extensão e 70 metros de altura – o equivalente a um edifício de 23 andares – é tão resistente que é capaz de suportar, sem exagero, o peso de dois aviões Boeing juntos. Vá sem medo e ainda encare com bravura as sete passarelas penduradas entre as copas das árvores, a 30 metros do chão. A Cliffwalk foi a última inovação do parque e ficou uma beleza: é uma passarela de observação presa a uma rocha, sobre um penhasco, com trechos do piso feito de vidro. O parque fica em North Vancouver, mas é fácil, fácil chegar – o dia inteiro, há transfer grátis saindo em frente ao Canada Place, em Downtown.

 

Capilano Suspension Bridge Park

Capilano Suspension Bridge Park (foto: divulgação)

 

O que nem sempre chega aos ouvidos dos turistas é que existe uma versão compacta de ponte suspensa no Lynn Canyon Park – e o melhor, sem ter de desembolsar um centavo sequer para entrar. Particularmente, sou bem mais fã desse parque. Além da ponte na faixa, existem dezenas de trilhas sinalizadas para caminhar e pedalar, quedas d’água, áreas de piquenique e um rio que vira prainha no verão.

Quando as temperaturas começam a baixar e a neve pinta de branco as montanhas, o point muda de endereço: as estações de esqui. São três em Vancouver Cypress, Seymour e Grouse Mountain. Com uma ajudinha do tempo, em novembro, as 40 pistas de Seymour e as 53 de Cypress abrirão as portas aos praticantes de esqui, snowboard e outras atividades.

O que fazer em Downtown Vancouver

A dualidade entre a natureza e as delícias da vida urbana é a cereja do bolo de Vancouver. E Downtown faz esse mix com maestria: concentra parques, a praia de English Bay (concorrente de peso da Kitsilano Beach), restaurantes estrelados, bares da moda, casas noturnas e um sem-fim de lojas para esfolar o cartão de crédito. Vide a Robson Street, uma versão da nova-iorquina Madison Avenue (guardadas as devidas proporções!), com ao menos 150 lojas – entre Guess, Zara, Banana Republic, Lululemon, Forever 21, GAP.

 

English Bay

English Bay 9foto: shutterstock)

 

O Pacific Centre Mall, também em Downtown, é o shopping “classudo” da cidade. Fora as 90 lojas, ele ainda é interligado à famosa loja de departamentos The Bay e ao estiloso Hotel Four Seasons.

Basta atravessar a rua para ir das compras à arte. A Vancouver Art Gallery é recheada com uma coleção permanente com mais de 10 mil quadros, incluindo 200 obras de Emily Carr – o maior acervo reunido da artista canadense. Já um passeio interessante pela história é no Museum of Anthropology dentro da UBC, a maior universidade de British Columbia. Perdi a noção do tempo ao percorrer ala por ala e abrir gaveta por gaveta do acervo para ver como povos de todos os cantos do planeta viviam e se vestiam em tempos passados.

 

Onde comer em Vancouver

 

Endereços para experimentar a cozinha canadense mesmo, quase não há, afinal, ao contrário do leste do país, onde a cultura francesa também chegou à cozinha, no lado de cá a tradição culinária não empolga. Com exceção, claro, do poutine.

Apesar da limitação de receitas típicas, come-se muito bem em Vancouver. Às vezes, coisas que fogem do comum. É o caso da La Casa Gelato. Difícil acreditar, mas há quem encare com vontade sorvetes de cebola, alho, wasabi, curry e feijão-vermelho, mas tambem tem sabores clássicos, é claro.

Esquisitices que se caíssem nos ouvidos de Gassy Jack, o marinheiro com fama de fofoqueiro que viveu em Vancouver no final dos anos de 1800, certamente teriam filas de curiosos na porta. Por causa dessa figura carismática, Gastown, o bairro mais antigo da cidade, recebe visitantes desde o século 19 – como mérito, Jack ganhou uma estátua no coração da vizinhança.

Gastown é o contraponto de Downtown. As ruas ainda conservam a pavimentação de cerâmica, postes de metal iluminados a gás, construções vitorianas – hoje convertidas em lojinhas de suvenires – e o Steam Clock, o relógio a vapor que, a cada 15 minutos, toca música e solta fumaça desde 1977.

O mais moderno ali são as lojas de design, moda e móveis, as galerias de arte e a Lookout Tower, uma plataforma que lembra um disco voador no alto do Harbour Centre, a 169 metros do chão. Um elevador panorâmico leva ao deque de observação em 40 segundos de onde é possível ver a cidade esparramada aos pés. Vá por mim: vale mais a pena chegar antes do pôr do sol e jantar no Top of Vancouver Revolving Restaurant, um andar abaixo. Entre uma garfada e outra, o restaurante gira 360 graus e a cidade vai mudando de cenário e de cor até ficar pontilhada de luzes. É essa a imagem de Vancouver que tenho fixada em minhas retinas. Bom descobrir que ela ainda faz meu coração bater forte…

 

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Onde se hospedar em Vancouver?

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