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Roteiro de dois dias em Santiago, no Chile

Roteiro de dois dias em Santiago, no Chile

O que fazer, onde ficar e comer na capital chilena

Por Cristiane Sinatura

Santiago do Chile

Quem vai à Patagônia ou ao Atacama passa, inevitavelmente, pelo aeroporto de Santiago. Dedicar pelo menos dois dias à capital do Chile, seja na ida ou na volta, é uma boa ideia para conhecer as atrações clássicas. E com um pouco mais de tempo, por que não esticar até as vinícolas do Vale de Casablanca, nos arredores?

 

 

Dia 1

Numa cidade plana como Santiago (e especialmente numa viagem expressa), um passeio guiado de bicicleta é ótimo para “reconhecer terreno”. Assim, passaremos, mesmo que rapidinho, pelos principais atrativos – apesar do trânsito ruim em alguns pontos e da falta de ciclovia em outros. Os tours da BellaBike duram cerca de três horas – às 10h30, estamos prontos para sair, em frente ao quiosque da empresa no bairro de Bellavista. Bikes reguladas, capacetes a postos, guia falando português na dianteira e lá vamos nós.

Tour de bike em Santiago do Chile

Primeiro, nos embrenhamos pelas ruas de comércio popular do bairro vizinho de Patronato até chegarmos ao La Vega. Aí somos convidados a descer do selim e andar por esse mercadão recheado de bancas de frutas, carnes, temperos, embutidos… Um contraste gostoso em relação à próxima parada: o famoso Mercado Central, patrimônio nacional por conta de sua arquitetura em ferro fundido, de 1872. As tendas são essencialmente de peixes e frutos do mar, que reinam, também, no cardápio e nas vitrines dos restaurantes do complexo. A grande estrela é o centolla, caranguejão gigante típico do Pacífico. Se estiver a fim de algo bem turístico – e caro –, você pode voltar aqui para almoçar depois da pedalada. Mas é bom saber: não será o melhor custo-benefício, tampouco a melhor experiência gastronômica da viagem.

Sigamos em frente. Dali, o guia nos leva ao centro histórico da capital. Tudo gira ao redor da Plaza de Armas, que remonta à fundação da cidade como colônia espanhola em 1541. Em volta, estão construções importantes, como o Palácio Real (que hoje abriga o gratuito Museu Histórico Nacional) e a Catedral Metropolitana, de 1748 – nesta última, tem parada rápida para fotos. Vamos então até o Palácio de La Moneda, sede do governo chileno, em pé desde o século 18. Foi palco do golpe que, depondo Salvador Allende em 1973, deu início a uma ditadura de 17 anos. A quem tiver interesse: volte depois para participar das visitas guiadas, que devem ser agendadas com antecedência pela internet.

Palácio de la Moneda em Santiago do Chile

Palácio de la Moneda (foto: Shutterstock)

Para saber mais sobre a ditadura chilena, encaixe no seu roteiro uma visita gratuita ao Museu da Memória e dos Direitos Humanos, que homenageia as vítimas e suas famílias com coleções de fotos, artigos de jornal, cartas e fotografias. Também há recursos multimídia, como painéis audiovisuais e gravações da época. museodelamemoria.cl, estação Quinta Normal do metrô

A pedalada continua, agora pelas ruas charmosas do bairro Paris-Londres, que lembram a Europa, e passa pelos cerros Santa Lucía e San Cristóbal (falemos deles mais adiante). Atravessa o Parque Forestal para terminar no mesmo ponto de onde saímos, em Bellavista.

Fim do tour, bikes devolvidas, despedidas feitas, a fome lateja: quem não estiver a fim de voltar dois quilômetros rumo ao Mercado Central, pode simplesmente atravessar a rua e adentrar o Patio Bellavista, uma espécie de galeria ao ar livre com lojas de artesanato e restaurantes. O Barrica 94, por exemplo, tem comida típica: escolha entre o pastel de choclo (uma espécie de escondidinho de milho e carne), o cancato de salmão (com linguiça, queijo, tomate e cebola) ou as humitas de peixe (tipo pamonha).

Não exagere no vinho, que é para poder andar 600 metros até a próxima parada: o Museu La Chascona, casa do poeta Pablo Neruda. Em português, o audioguia ajuda a contextualizar o giro pela residência onde o escritor morou com a terceira esposa, Matilde, até a morte dele em 1973. É possível ver itens de suas coleções pessoais, que vão de móveis a obras de arte – sem falar na arquitetura em si, em forma de barco e cheia de “loucurinhas”.

No final da tarde, é hora de relaxar no Parque Metropolitano, entre as maiores áreas verdes urbanas do mundo – há uma entrada logo ali, pertinho da Chascona. Além de reunir zoológico, jardim botânico, observatório, trilhas e piscinas, o parque abarca ainda o Cerro San Cristóbal, um dos montes que compõem a paisagem santiaguina. O jeito mais tradicional de chegar ao topo é pelo funicular – as vistas lá de cima são encantadoras, revelando a cidade emoldurada pelos Andes. A novidade é que, para descer, vamos de teleférico, reinaugurado em novembro passado, depois de mais de sete anos em reforma.

Saindo pelo acesso Pedro de Valdivia Norte, o dia termina na área de Los Condes, colada ao Parque Metropolitano. De táxi ou Uber, chega-se a duas opções de programa para esta noite. Uma delas é o Hotel W, que conta com o restaurante NoSo (uma mescla de cozinhas francesa e mediterrânea, privilegiando frutos do mar frescos) e com o Osaka (de culinária oriental/ peruana). Para uns coquetéis com vista, a pedida é o bar na cobertura, Red 2 One, ao lado da piscina. A outra ideia, especialmente para quem prefere investir tempo em compras, é o Parque Arauco, shopping queridinho dos brasileiros, com mais de 350 lojas, entre Nike, Tommy Hilfiger, Gap e mais.

 

Dia 2

Na pedalada de ontem, nós passamos por uma série de museus, ouvindo breves explicações do guia. Agora, nesta manhã, é hora de visitar um ou mais. Eu preencheria a manhã com dois deles, mas a escolha é sua: o Museu Chileno de Arte Pré-Colombiana tem uma grande coleção sobre os antigos povos americanos, enquanto o Museu de Bela Artes, gratuito, expõe obras do Chile, da Europa e da África – do lado, o Museu de Arte Contemporânea pode ser uma alternativa para quem prefere ver trabalhos do século 20, como uma escultura de Fernando Botero logo na entrada. Já o Centro Cultural Gabriela Mistral reúne, em um prédio modernoso, exposições de arte e apresentações de música, teatro e dança.

Esses museus todos ficam a não mais que 1,5 quilômetro da parada de almoço: o restaurante do hotel Luciano K, em um prédio art déco dos anos 1920, que conserva vários elementos originais, como o piso de madeira e as portas com vitrais. A bordo do primeiro elevador a existir em Santiago, ainda preservado, sobe-se ao Terraza K. Ali, na cobertura, a vista belíssima acompanha o menu de tapas, como camarões ao alho, empanadas, truta defumada, carpaccio e ceviche.

Estiquemos, depois, até o Cerro Santa Lucía, um monte bem mais baixo que o San Cristóbal, mas com um parque gostoso para curar a moleza do pisco sour entornado no almoço – só precisa de disposição para subir uma série de degraus. Bem em frente ao cerro, há uma feira de artesanato, ideal para comprar produtos típicos, como ponchos tecidos com lã de alpaca, itens feitos de cobre, joias com lápis-lazúli e arte indígena.

Cerro Santa Lucia, em Santiago do Chile

Cerro Santa Lucía (foto: Shutterstock)

A linha 1 do metrô nos leva até a parada seguinte e derradeira deste roteiro – programe-se para chegar no fim da tarde. É quando, ao pôr do sol, tem-se a melhor vista no mirante Sky Costanera, o mais alto da América Latina, no 61º andar da Gran Torre Santiago. A 300 metros de altura, o panorama em 360 graus é incomparável: entende-se toda a disposição da cidade, aos pés dos Andes.

Sky Costanera

Sky Costanera (foto: Shutterstock)

De volta ao chão, aproveite a noite para comprar no shopping anexo, que tem lojas como H&M, Forever 21, Falabella e TopShop, ou jantar – o restaurante Costamia serve peixes e frutos do mar ao redor de um grande aquário. Santiago (re)conhecida, é só embarcar na etapa seguinte desta nossa viagem pelo Chile. Qual vai ser a sua: Patagônia ou Atacama?

 

 


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