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Foz do Iguaçu: Cataratas e mais passeios

Foz do Iguaçu: Cataratas e mais passeios

Trilhas, passeios de barco, sobrevoos de helicóptero no parque nacional + passeios em Foz do Iguaçu

Por Thelma Lavagnoli

Quando me falaram que a estadia no Belmond Hotel das Cataratas era uma experiência imersiva, pensei que era pelo fato do hotel ser o único dentro do Parque Nacional do Iguaçu, tendo como “quintal” as belezas das cataratas. Mas vivi ali momentos que vão além de uma simples hospedagem.

Na área de preservação do parque, só circulam os ônibus de visitantes, funcionários e os veículos autorizados que levam os hóspedes do hotel. Essa restrição é uma medida para conter o movimento e respeitar os diversos animais, principalmente os de hábitos noturnos. “Muito barulho pode incomodar os bichos e também é preciso ter experiência para saber como lidar com um encontro inesperado”, explicou entusiasmado Eduardo, o motorista do Belmond, enquanto me levava até a entrada do hotel.

 

Suíte do Belmond (foto: divulgação)

 

De repente, com toda a calma do mundo, ele parou e disse para eu olhar para a direita: uma onça estava ali, nos observando. Entendi então o conceito de encontro inesperado, e o susto deu lugar para a curiosidade: ficamos alguns minutos admirando o animal antes de seguir até a recepção. Durante o check-in, contei animada sobre o que tinha visto e me disseram que um encontro tão de perto não é necessariamente comum, mas alguns viajantes dão sorte. É um prelúdio de que a viagem será marcante.

Pode até ser, mas, de verdade, não é preciso ficar cara a cara com uma onça para as férias por aqui serem especiais. Afinal estamos falando de uma das sete novas maravilhas da natureza, que está logo ali, a poucos passos da recepção do hotel. E, em algumas suítes, basta abrir a janela para ver o espetáculo!

 

Como visitar o Parque Nacional do Iguaçu

Ao longo de quase três quilômetros de fronteira, o Rio Iguaçu despenca em cerca de 270 cachoeiras. A partir do Parque Nacional do Iguaçu, ao fundo, vemos o lado argentino, com mais quedas d’água. É aqui, na parte brasileira, que dizem estar a vista mais bonita. E o nosso lado vai muito bem, obrigada, pois foi a primeira Unidade de Conservação do Brasil a ser instituída como Patrimônio Mundial Natural pela Unesco, em 1986.

Além disso, ano após ano, o parque segue como um dos pontos mais visitados do país, tanto por brasileiros quanto estrangeiros. Em julho, bateu a marca de mais 1 milhão de visitantes desde janeiro de 2018 – antes do previsto. Só para ter uma ideia, o número é praticamente cinco vezes maior do que a quantidade de habitantes oficiais da cidade de Foz.

 

Parque Nacional (foto: divulgação)

 

O ingresso do Parque Nacional do Iguaçu dá direito a usar os ônibus internos que circulam entre os principais pontos de interesse. Sem desembolsar nada a mais, uma pequena trilha leva até as plataformas de observação. Só recomendo ir cedo, pois o movimento aumenta bastante perto da hora do almoço ou à tarde. Um dos motivos que levam os visitantes a investir na hospedagem do Belmond Hotel das Cataratas é justamente poder combinar a estrutura de um hotel de luxo com alguns benefícios dentro do próprio parque.

Dá, por exemplo, para explorar algumas das trilhas por volta das 8h, antes da abertura oficial. Há, inclusive, um tour guiado pelas Cataratas do Iguaçu nesse período e fotografar tranquilamente, sem se preocupar com a galera passando no fundo e estragando o registro. Os únicos “intrusos” que aparecem vez ou outra são os quatis, mamíferos parentes do guaxinim, bastante insistentes e curiosos. Mas não se engane com sua aparência fofinha: são animais selvagens. Não ouse alimentá-los ou fazer carinho, pois eles podem atacar e não será uma experiência agradável.

Em meio aos trechos de floresta tropical e pontos de observação, o momento mais emocionante da caminhada foi quando fiquei praticamente sozinha na plataforma diante da toda-poderosa Garganta do Diabo, com seus 80 metros de altura. O deque de observação foi construído sobre a água, bem pertinho das quedas. Impossível ficar indiferente ao som, ao cheiro, ao visual… Também é impossível sair seco, por isso muita gente vai de capa de chuva.

 

Mais passeios: Macuco Safári, trilhas e helicóptero

 

Passeio Macuco Safári (foto: shutterstock)

 

Depois do primeiro passeio, já entendemos que quem vai para as cataratas é para se molhar, certo? Certíssimo! Por isso, o Macuco Safári também está entre as atividades mais populares do parque. Pago à parte do ingresso, é um passeio em que lanchas rápidas cortam o rio até chegar pertinho das quedas. Bem perto mesmo, ou melhor, debaixo delas. O som alto, a névoa formada pela água e o “banho de cachoeira” recarregam as energias. O tal safári ainda inclui uma trilha tranquila pela Mata Atlântica, percorrida parte em uma carreta puxada por carro elétrico e outra a pé. Durante o percurso pela selva, guias apontam animais e diferentes espécies de plantas. São orquídeas, bromélias e árvores centenárias como a peroba-rosa e a araucária.

Aliás, opções de caminhadas não faltam no parque, em maior ou menor intensidade. A mais puxada é a do Poço Preto, com nove quilômetros a serem percorridos a pé ou de bicicleta. No final, rola um passeio de barco pelo Rio Iguaçu, o responsável por dar vida para toda a região como vemos agora.

Por outro lado, se ficar pertinho das cataratas é uma delícia, ver o conjunto de quedas de longe e do alto também é bem curioso. Há voos de helicóptero panorâmicos que partem de helipontos colados à entrada do parque. A dica é pedir para sentar-se à janela, pois quem fica nos assentos do meio tem a visão prejudicada. O trajeto mais barato dura uns dez minutos. Há ainda uma alternativa de 35 minutos que inclui a Usina Hidrelétrica de Itaipu e o Marco das Três Fronteiras (Paraguai-Brasil-Argentina). Lá de cima, é fácil entender que estamos diante de um dos nossos maiores tesouros nacionais.

Parque Nacional Iguazú (foto: shutterstock)

Parque Nacional Iguazú: o lado argentino

Os hermanos também têm um parque nacional ao redor das cataratas que, aqui, são do Iguazú. O ponto alto do lado argentino são as trilhas em meio a áreas de Mata Atlântica, que chegam bem pertinho das quedas d’água. A estrutura é mais roots do que no lado brasileiro.

 

Onde se hospedar em Foz
do Iguaçu?

Único dentro da área de preservação, o Belmond Hotel das Cataratas tem como extensão as belezas do Parque Nacional do Iguaçu. Quem se hospeda ali tem várias vantagens, como acordar cedo e ver as cataratas antes de o parque abrir oficialmente para, depois, terminar a manhã na piscina (aquecida nos meses mais frios). Tem ainda quadra de tênis, academia e spa. Para os pequenos, há piscina infantil e sala de recreação com atividades lúdicas sobre a fauna da região.

 

Hotel visto de cima (foto: divulgação)

 

Em relação à gastronomia, há três pontos principais. O mais icônico é o Ipê Grill, que serve café da manhã em estilo bufê e almoço à la carte, com massas, carnes e, geralmente, alternativas vegetarianas. Ao anoitecer, quem rouba a cena é o popular churrasco gaúcho. Já o Restaurante Itaipu é mais elaborado, especialmente quando o assunto é culinária brasileira. As opções vão de pirarucu da Amazônia a torteloni de galinha caipira. Agora se a ideia é algo mais informal, o Bar Tarobá tem alguns lanches e porções no cardápio – só de cachaças oferece mais de 80 rótulos! Para fechar o combo, na varanda, a vista das cataratas é especialmente bonita ao entardecer.

Rodovia BR-469, km 32, Parque Nacional do Iguaçu

 

O que fazer em Foz, além das Cataratas

Um dia ou dois são exclusivos para o Parque Nacional do Iguaçu. Mas que tal dar uma variada no roteiro depois?

 

Parque das Aves

São mais de 150 espécies, tanto locais quanto estrangeiras, somando mais de mil animais, como araras, gaviões-rei, tucanos, emas, flamingos, corujas e pavões. Há ainda iguanas, borboletas e répteis como cobras e jacarés. Mais da metade veio de resgates de maus tratos ou até contrabando. O local se responsabiliza por cuidar deles e, quando possível, devolver à natureza. Por isso está mais para centro de conservação do que zoológico. No Backstage Experience, é possível ver os bastidores do trabalho, acessar áreas exclusivas e até alimentar os animais.

Av. das Cataratas, km 17,1

 

Dreamland, Vale dos Dinossauros e Super Carros

Messi, Michael Jackson e Obama são algumas das cem estátuas em tamanho natural do Museu de Cera Dreamland. Ele está dividido em áreas temáticas, com pontos específicos para fotos divertidas, e faz sucesso entre os pequenos. O museu é parte de um complexo de entretenimento onde fica também o Vale dos Dinossauros, que diverte com grandes robôs dos animais pré- -históricos, com direito a sons e movimentos. Já o Super Carros celebra a paixão automobilística com alguns modelos cobiçados, como a Ferrari F360, disponíveis para fotos ou test-drive.

Av. das Cataratas, km 14, 8.100.

 

Marco das Três Fronteiras

Sinalizando a divisa entre Foz do Iguaçu, Puerto Iguazú (Argentina) e Presidente Franco (Paraguai), a área reúne um obelisco e uma fonte, onde, depois do pôr do sol, rola show de luzes e águas. No complexo há também uma vila cenográfica sobre a história dos jesuítas e índios da região nos séculos 6 e 17, restaurante e uma roda-gigante que ficará no local por tempo indeterminado.

Av. Gen. Meira, s/no

 

Marco das três fronteiras (foto: divulgação)

 

Visita a Puerto Iguazú e Ciudad del Leste

Cruzando a Ponte da Amizade rumo ao Paraguai está Ciudad del Leste, um polo de compras baratas, onde vale focar no Shopping del Leste e nas lojas de departamento Monalisa e Nave Shop. Do lado argentino, Puerto Iguazú tem uma grande duty-free, cassino e um centrinho cheio de restaurantes e de lojas de produtos locais, como embutidos e vinhos. É possível contratar excursões em agências de Foz ou ir por conta própria (de táxi, ônibus ou carro alugado). Basta um documento de identidade para passar pela imigração.

 

Usina de Itaipu

Um dos mais engenhosos complexos hidrelétricos do mundo fica a 12 quilômetros do centro de Foz. Além da visita que leva para ver das barragens às turbinas, há o Ecomuseu (que narra a história da usina em maquetes e painéis interativos), o Polo Astronômico (com exposições sobre o espaço, planetário e observatório) e o Refúgio Biológico (onde estão algumas espécies da flora e da fauna locais). Saiba mais aqui!

Av. Tancredo Neves, 6.702

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