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Viagem a bordo de um veleiro em Paraty

Viagem a bordo de um veleiro em Paraty

Uma volta completa por Paraty para mostrar o que fazer, onde comer e principalmente o que parar para ver dessas águas mais azuis

Por Eduardo Vessoni

Você já imaginou fazer uma viagem de veleiro? Pois a nossa aventura começa na Marina do Engenho, a oito quilômetros do centro histórico de Paraty, na enseada da Boa Vista. Afinal, o local é ponto de partida de barcos que podem ser alugados até mesmo por pessoas como eu e você, que não têm a sorte das contas bancárias com cifras inflacionadas.

Nessa hospedagem flutuante, viajantes contam com todas as facilidades de uma casa, como quartos com banheiros, sala de estar e cozinha completa. Além disso, trocam os barulhentos passeios das escunas por roteiros personalizados. “Um veleiro não é apenas um meio de transporte. Navegar já é o passeio”, explica Augusto Germano Pestana, da Wind Charter, empresa de aluguel de veleiros na América do Sul.

Segundo o condutor do barco (skipper) Paulo Rodrigo Moreira, a navegação na região é favorecida por ilhas protegidas dos ventos, com águas mais calmas. “É sempre esse mar tranquilo com várias ilhas que dão abrigo”, completa Moreira.

 

Ilhas do Cedro e da Cotia

Com praias desertas e mar de águas tranquilas, as ilhas do Cedro e da Cotia são alguns dos melhores locais do Brasil para ancorar veleiros. Afinal, é lá que os navegantes procuram isolamento para os pernoites a bordo. A primeira fica ao norte de Paraty, rodeada por Mata Atlântica e com vista única da imponente cadeia montanhosa da Serra do Mar.

O local abriga duas praias pequenas (do Sul e do Norte) com águas que convidam para a prática de caiaque ou stand up paddle e têm estrutura náutica para os tripulantes, como bares e restaurantes.

Já a Cotia, uma ilha estreita na enseada de Paraty-Mirim, é conhecida pelas praias em suas extremidades, conectadas por uma trilha fácil de 30 metros de extensão até as piscinas naturais do lado de fora. Em ambas, porém, o cenário é o mesmo: ilha de mata densa com espécies como jacarandás e cedros, praias desertas e um mar sereno que faz a gente esquecer que está embarcado.

Ilha do Cedro

Ilha do Cedro (foto: shutterstock)

Quanto custa alugar um veleiro em Paraty?

As diárias variam de R$ 500 a R$ 7 mil, de acordo com a embarcação, cujas dependências podem acomodar até oito pessoas. Para quem não tem habilitação para conduzir barcos, a empresa oferece serviço de skipper, como é chamado o capitão, e até de hostess (R$ 350 cada um), responsável pela organização, limpeza e preparação de refeições a bordo.

Assim como em uma locadora de carros, o cliente deve devolver o veleiro com o tanque cheio, cujos valores finais variam de acordo com o roteiro da viagem. Para essa reportagem, por exemplo, o custo de combustível foi de R$ 260, aproximadamente, para quatro dias de navegação. A alta temporada vai de dezembro a março, enquanto os valores mais baixos valem para os meses de baixa temporada (junho, agosto e setembro). Saiba mais aqui!

Veleiro em Paraty

Veleiro em Paraty (foto: shutterstock)

 

Porção

Porção de lula  (foto: Eduardo Vessoni)

Saco do Mamanguá

Mas é em terra que se tem uma das experiências mais marcantes da viagem. O Saco do Mamanguá, o equivalente brasileiro a um fiorde, é um braço de mar com oito quilômetros de extensão.

Ele abriga 36 praias desertas de águas mansas represadas por montanhas e tem acesso ao Pico do Pão de Açúcar. A subida de uma hora, enfim, deixa Paraty aos nossos pés.

A trilha fechada que começa na Praia do Cruzeiro exige disposição, mas mirantes naturais renovam o fôlego antes da parada final sobre a rocha, que leva esse nome em homenagem ao morro homônimo da capital do Rio de Janeiro.

A caminhada de 1,4 quilômetro tem entrada gratuita e a contratação de guia é opcional. Não muito longe do início da trilha, na margem oposta, o Restaurante do Dadico é um clássico do Mamanguá. Ele está em funcionamento há quase 20 anos na Praia do Pontal.

Esbanjando pratos elaborados com ingredientes sempre frescos, retirados das águas do Mamanguá, o cardápio é enxuto e sem grandes surpresas. O local é conhecido pelo píer com vista para o mar e os carros-chefes são as porções de lula (R$ 60) e robalo (R$ 80).

Cidade de Paraty

Cidade de Paraty (foto: shutterstock)

Na maré alta, o Mamanguá dá acesso também à Cachoeira do Rio Grande, com navegação em botes ou caiaques até o início da trilha curta, que leva a um poço protegido por mata fechada. O passeio, que pode ser contratado no próprio Saco, vale mais pela passagem por cenográficos canais sinuosos em área de manguezal do que pela cachoeira em si, cujas águas mais frias e escuras podem frustrar.

 

Pouso da Cajaíba

A leste do Saco do Mamanguá, o Pouso da Cajaíba é uma das paradas mais cênicas do trecho sul da Baía da Ilha Grande. Essa enseada é um dos pontos mais isolados de Paraty e parte de uma sequência de praias pouco frequentadas. Isso por conta de seu acesso difícil (apenas por mar e a mais de duas horas de viagem de Paraty).

Sorte de quem chega a bordo de um veleiro e vai contornando aquela geografia selvagem em forma de ferradura, com início na Praia Deserta e final na faixa de areia que dá nome à enseada.

Localizada em área preservada da Reserva Ecológica da Juatinga, a região abriga desde pequenas faixas de areia até a Praia Grande da Cajaíba, com quase um quilômetro de extensão.

Destaque para a Praia da Itaoca, com sua igrejinha pé na areia e as porções fartas e sequinhas de peixe do restaurante caseiro da Praia Grande da Cajaíba, onde começa também uma trilha até a cachoeira de mesmo nome. E assim a Baía da Ilha Grande parece seguir do jeitinho que Seu Orlando encontrou quando nasceu, sete décadas atrás.

 

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