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Conheça a rota do Vinho Chianti, na Toscana

Conheça a rota do Vinho Chianti, na Toscana

Percorrer a famosa Via Chiantigiana é para quem gosta de vinho, mas não só: aqui as experiências mais italianas ganham vida em meio a colinas e vilas medievais

Por Cristiane Sinatura

Fresco, leve, equilibrado. Dupla clássica da mesa toscana, uma taça de Chianti com uma boa carne vermelha nunca haverá de decepcionar. Um dos mais tradicionais vinhos italianos é inconfundível até no rótulo: os autênticos trazem estampado o selo de um galo negro sobre um fundo rosa. O ícone remete a uma lenda medieval em torno da rivalidade entre Siena e Florença, inimigas de longa data. Para definir li-mites territoriais, os governantes teriam estipulado o seguinte: ao primeiro canto do galo, um cavaleiro partiria de cada cidade e, no exato ponto onde um cruzasse com o outro, seria delimitada a fronteira. Florença escolheu, então, um galo faminto, que teria cantado mais cedo que o de Siena e, portanto, dado vantagem ao representante florentino para cavalgar mais longe.

Lendas e rivalidade à parte, é da região entre as duas cidades que vem o famoso vinho Chianti Classico. Trata-se, provavelmente, da primeira Denominação de Origem de que se tem notícia – em 2016, comemoram-se 300 anos desde que esse vinho foi oficial linha reta, pela estrada principal, seriam apenas 70 quilômetros em uma horinha. Mas não caia no conto do GPS: a graça está justamente em embrenhar-se com calma pelas vias menores, especialmente pela SR222, ou Via Chiantigiana, que ficou conhecida como a Rota do Chianti Classico. Cortando o coração da Toscana, ela passa por cidadezinhas como Greve (a principal ao longo da rota), Castellina, Radda e Panzano. Em seus arredores, espalha-se uma série de vinícolas, entre vilazinhas medievais, vinhedos, olivais e colinas verdinhas. Placas com o famoso galo negro sinalizam o trajeto, que se difunde em uma rede de estradinhas ainda menores.

 

Laticastelli

Hotel Laticastelli (foto: divulgação)

 

O gostoso aqui é sair dirigindo ou pedalando e escolher entre as muitas vinícolas que polvilham o percurso (alô, motorista da rodada!). Hospedar-se no meio do caminho e dividir a jornada em quatro noites pode tornar a experiência ainda mais produtiva, seja em um agriturismo (hotéis rurais, muitas vezes associados às próprias vinícolas) ou propriedades de charme, como o Laticastelli. Esta antiga fortaleza do século 12, a 30 quilômetros de Siena, foi convertida em um hotel para lá de aconchegante, com decoração típica da Toscana, amenities à base de azeite, piscina de bordas infinitas, jardins e restaurante tradicional. Sim, porque recarregar as energias é preciso, mesmo em uma viagem em que tudo o que se faz é levantar a taça e admirar a paisagem.

O que é um Chianti Clássico?

Um Chianti Classico deve ser feito com pelo menos 80% de uvas italianas Sangiovese, podendo o restante ser Canaiolo, Colorino, Cabernet Sauvignon ou Merlot. A produção é regulamentada desde 1924 pelo Consorzio Vino Chianti Classico, que abrange 96% das vinícolas locais e confere o certificado D.o.C.G. (Denominação de origem Controlada e Garantida), fiscalizando desde o cultivo das uvas até o engarrafamento.

O que quer dizer “Denominação de Origem”?

É o que certifica a qualidade dos produtos de uma determinada região geográfica. Assim, só podem ser chamados de vinhos Chianti aqueles produzidos na área de 71.800 hectares entre Florença e Siena

 

Passeios a mais

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Villa Vignamaggio
Greve in Chianti

Esta vila que remete ao século 14 sempre esteve associada à produção de vinho. Mas o grande chamariz é ter pertencido à família Gherardini, sobrenome de solteira da Mona Lisa, retratada por Leonardo da Vinci. Dona de 62 hectares de vinhedos e 5 mil oliveiras, a atual vinícola oferece, diariamente, dois tours guiados pelas adegas e pelos jardins, com uma hora de duração. Para hóspedes dos apartamentos de agriturismo da propriedade, o passeio é gratuito. Também é possível degustar alguns rótulos na loja.

 

Vila Vignamaggio

Vila Vignamaggio (foto: divulgação)

 

Antinori nel Chianti
San Casciano in Val di Pesa

Esta tradicional vinícola em atividade há 26 gerações abriu uma nova sede em 2012, que se destaca pela arquitetura despojada em meio à paisagem bucólica. Ao passeio, somam-se o restaurante Rinuccio 1180, de especialidades toscanas, e um museu que exibe o acervo de obras contemporâneas da família proprietária.

 

Antinori nel Chianti

Antinori nel Chianti (foto: divulgação)

 

Enoteca Falorni
Greve in Chianti

A maior enoteca da Toscana fica nos subterrâneos da cidadezinha de Greve in Chianti, onde estão armazenados mil rótulos italianos. Mais de 140 deles estão disponíveis em máquinas especiais para degustação, separadas em 13 áreas, de acordo com a região de procedência. Adquira um wine card, que desconta créditos conforme você se serve nas máquinas. A família proprietária também mantém na cidade o Museo del Vino, atualmente fechado para reforma.

 

Enoteca Farloni

Enoteca Farloni (foto: divulgação)

 

Castello di Verrazzano
Greve in Chianti

Com registros de produção vinícola desde 1170, o castelo pertencia à família do navegador Giovanni da Verrazzano, que descobriu a Baía de Nova York. Os tours de uma hora e meia levam para ver as adegas do século 16. Também tem nove acomodações de agriturismo.

 

Castelo di Verrazzano

Castelo di Verrazzano (foto: divulgação)

 

Montefioralle

Outrora um castelo medieval, é tida como uma das vilas mais antigas de Chianti – e entre as mais bonitas da Itália. Foi lar da família do navegador Américo Vespúcio.

 

Montefioralle

Montefioralle (foto: divulgação)

 

Dario
Panzano in Chianti

Dario Cecchini é um açougueiro celebridade na itália, fazendo performances poéticas em seu açougue familiar, o Antica Macelleria Cecchini. Ele expandiu os negócios abrindo restaurantes ao redor, onde a carne é quem brilha. O Officina della Bistecca é o mais caro, com menu sob reserva, enquanto o descontraído dario doc tem preços mais acessíveis, com foco em hambúrgueres.

 

Dario

Dario (foto: divulgação)

 

Fèlsina
Castelnuovo Berardenga

Produzindo vinhos desde 1966 em uma propriedade de 200 anos. Quem quiser pode reservar o almoço logo em seguida de um tour guiado, pode e é feito com ingredientes produzidos ali mesmo. O menu varia de acordo com a sazonalidade e o gosto do freguês. tem loja com os vinhos da casa.

 

Fèlsina

Fèlsina (foto: divulgação)

 

Castello di Brolio
Gaiole in Chianti

A mais antiga vinícola da itália e a maior de Chianti tem sua história oficialmente iniciada em 1141, quando o Castello di Brolio passou para as mãos da família ricasoli. Ali, no século 19, um de seus membros, Bettino, foi o responsável por criar a fórmula do vinho Chianti. A vinícola, hoje, tem vários tipos de tours, incluindo, em duas horas, os jardins, o museu, a produção e degustação. Outras opções incluem refeição e aulas de culinária. Conta com agriturismo, restaurante e loja de vinhos.

 

Castello di Brolio

Castello di Brolio (foto: divulgação)

 

 

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