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Abrolhos: como visitar o paraíso do mergulho na Bahia

Abrolhos: como visitar o paraíso do mergulho na Bahia

Passeios de barco saem de Caravelas para explorar a rica fauna marinha do arquipélago baiano de Abrolhos

Por Eduardo Vessoni

Parece até uma daquelas histórias imaginadas por pescadores ou retiradas de um livro de prosas baianas, sobre faixas de areia isoladas, baleias que se erguem diante da proa do barco e imensas estruturas de corais que emergem do fundo do mar. Esses cenários desenham um roteiro de história, paisagens e muitas delícias pelo extremo sul do estado da Bahia.

Caravelas é o ponto de partida, a 250 quilômetros de Porto Seguro. Considerada uma das cidades mais antigas do país, fundada em 1503, ela é um dos municípios que formam a Costa das Baleias. É aquele tipo de lugar para ver a maré descer sem pressa, revelando barquinhos sobre bancos de areia; é a praia onde locais cumprimentam quem vem de fora como se fosse o vizinho de quintal; é o lugar que passa longe da abordagem comercial agressiva de outras paragens turísticas da Bahia.

Mas quem chega a Caravelas parece só ter uma única direção: o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, um arquipélago isolado, mar adentro, a 70 quilômetros da costa baiana. Criado no início dos anos 1980 como o primeiro parque nacional marinho do Brasil, Abrolhos é uma área de mais de 91 mil hectares e endereço de uma das maiores biodiversidades do país.

 

Ilhas de Abrolhos (foto: shutterstock)

Ilhas de Abrolhos (foto: shutterstock)

 

Durante a temporada de baleias jubarte, entre julho e novembro, esses imensos animais de até 40 toneladas deixam as águas frias da Antártida para se reproduzirem e amamentarem na região de Abrolhos. “O ambiente de águas rasas e aquecidas, entre o extremo sul da Bahia e o norte do Espírito Santo, é perfeito para a criação dos filhotes”, explica Eduardo Camargo, diretor executivo do Projeto Baleia Jubarte. E os números falam por si só: de acordo com o censo de 2015, a região recebeu entre 15 mil e 17 mil baleias.

 

Baleia jubarte (foto: shutterstock)

Baleia jubarte (foto: shutterstock)

 

E se aqueles gigantes marinhos sempre lembram a rota migratória, o turista que os vê diante dos olhos nunca mais esquece. Tem baleia debaixo das embarcações, nas laterais, erguendo-se diante da proa, dando saltos que permitem ver até 2/3 de seu corpo e exibindo nadadeiras que parecem acenar para quem está embarcado. “A baleia jubarte faz parte da história de Caravelas”, define Camargo, não só em referência ao turismo local, mas também pelo destino ter abrigado uma antiga estação baleeira, que produzia óleo de baleia para ser usado nas lamparinas da cidade e até na construção civil.

Um dos exemplares arquitetônicos da época pode ser visto no compacto centro histórico de Caravelas. Os casarões em estilo neoclássico do século 19, assim como as paredes da Igreja Matriz de Santo Antônio, foram erguidas com óleo de baleia.

 

Igreja Matriz de Santo Antônio, Caravelas (foto: shutterstock)

Igreja Matriz de Santo Antônio, Caravelas (foto: shutterstock)

 

 

O que fazer em Abrolhos?

 

As embarcações turísticas saem de Caravelas e empreendem uma viagem que varia de três a quatro horas de duração até Abrolhos. O arquipélago é formado por cinco ilhas, mas apenas em uma delas é permitido o desembarque de visitantes. Na Ilha Siriba, é possível fazer uma curta caminhada monitorada sob orientação rígida dos monitores do ICMBio.

Os poucos forasteiros que encaram a longa viagem até lá são recebidos por um mar de águas cristalinas e uma simpática população de grazinas e atobás brancos que fazem seus ninhos ao longo da trilha e seguem alheios à visita humana. É como colocar os pés em uma ilha com as mesmas condições das encontradas por Charles Darwin em 1832. O naturalista britânico, pai da Teoria da Evolução, esteve no local durante sua expedição científica a bordo do navio MS Beagle.

 

Farol de Santa Barbara (foto: shutterstock)

Farol de Santa Barbara (foto: shutterstock)

 

Algumas agências que operam em Abrolhos têm autorização especial para desembarque de passageiros na Santa Bárbara, ilha sob jurisdição da Marinha, que fica fora da área do parque nacional e não permite desembarque de turistas. Essa é a maior de todo o arquipélago e serve de moradia temporária para cientistas e militares. O maior atrativo é o farol. Em funcionamento desde 1861, a construção tem alcance luminoso de mais de 80 quilômetros de distância e pode ser aceso pelo próprio turista nas visitas guiadas de final de tarde.

Quem faz os passeios de um dia pode realizar também atividades como observação de aves, snorkeling e mergulho de batismo com cilindro.

 

Mergulho em Abrolhos

 

Se para Charles Darwin as ilhas de Abrolhos eram “de um verde brilhante”, mergulhar por ali é submergir em um mundo aquático de tons únicos, preservado sob leis rígidas. Feitos apenas com o acompanhamento de um condutor subaquático cadastrado pelo parque, os mergulhos permitem ver de perto a estrutura que tanto assustou navegadores nos séculos passados: os chapeirões.

Únicas no mundo, essas formações são colunas de corais que emergem do fundo do mar, em forma de cogumelos gigantes que podem chegar a 35 metros de altura. Uma delas é o Chapeirão Faca Cega, um dos pontos de mergulhos menos explorados devido à complexidade da operação e com acesso a seu interior através de passagens e túneis naturais. Durante os mergulhos com cilindro, é possível visitar também naufrágios históricos da região, como o cargueiro alemão Santa Catharina, abatido por uma embarcação inglesa em 1914, em plena Primeira Guerra Mundial.

 

Mergulho em Abrolhos (foto: shutterstock)

Mergulho em Abrolhos (foto: shutterstock)

 

Para viver tudo aquilo sem pressa, em um destino que não conta com estrutura turística como hotéis ou restaurante, a melhor opção é embarcar em um dos liveaboards que operam no arquipélago. São barcos com roteiros exclusivos para mergulhadores e acompanhantes que contam com estrutura como cabines, banheiros, praça de mergulho, tripulação especializada e todas as refeições ao longo de três dias de navegação.

Na Horizonte Aberto, os catamarãs abrigam até 12 pessoas e contam com saídas diárias para mergulho, intercaladas com passeios extras como as visitas às ilhas Siriba e Santa Bárbara. E a cada retorno do fundo do mar, sempre tem uma mesa posta com frutas e bolos, feitos ali na embarcação, antes de cada refeição.

 

Observação de baleias dos barcos liveaboards

Observação de baleias dos barcos liveaboards (foto: shutterstock)

 

Em um mesmo dia, dá para começar vendo o sol pintar a Ilha de Santa Bárbara, mergulhar entre estruturas únicas de corais, fazer snorkel em águas turquesas da ilha Siriba, almoçar na popa do barco, observar cardumes coloridos em fundo arenoso, explorar um naufrágio e terminar a programação fazendo um mergulho noturno entre plânctons bioluminescentes. E isso porque ainda têm mais dois dias inteiros de exploração em Abrolhos.

 

Onde se hospedar em Abrolhos?

Marina Porto abrolhos

A 11 km do centro, na tranquila Praia do Grauçá, tem amplos bangalôs de dois andares.

 

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