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Jalapão: um passeio por dunas e chapadões

Jalapão: um passeio por dunas e chapadões

Descubra uma ótima oportunidade para sumir do mapa por alguns dias e ficar completamente envolvido pelas belezas naturais do Parque Estadual do jalapão

Por Tarcila Ferro

Dunas do Jalapão

Sabe aquela expressão “dar um perdido”? Pois é, caso esse seja o seu desejo para as próximas férias, considere o Parque Estadual do Jalapão como opção. Lá, o sinal de internet não vence o longínquo Tocantins.

Desconectado, você vai passar dias sem olhar suas mensagens nos grupos de WhatsApp. Então, aproveite para focar na natureza da região. Para chegar a essas terras, é preciso voar até Palmas, a capital do estado, e de lá seguir em um veículo 4×4 por mais 300 quilômetros.

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Pelo caminho, muita natureza beira a estrada, que mescla longos trechos de terra e poucos de asfalto. Por fim, o último contato com a “civilização” fica na cidade de Ponte Alta, a 180 quilômetros de Palmas.

O Jalapão é chamado de “deserto de águas” pelo simples motivo de ter índices baixíssimos de densidade demográfica – 0,8 habitante por quilômetro quadrado. Mas diferente de um deserto, marcado por um ambiente árido e seco, a área é muito bem servida de nascentes e rios.

Cânion Suçuapara

Cânion Suçuapara (foto: divulgação)

Portanto, para ver de perto essa riqueza hídrica que abençoa a região, vale parar no cânion Suçuapara, apenas 20 minutos depois de Ponte Alta. O acesso é por uma trilha que leva ao interior da formação. Um pequeno riacho corta o cânion, abastecido pelas águas que escorrem sem parar pelas fendas das rochas.

 

Acampamento Korubo

Mais cem quilômetros à frente, surge o acampamento Korubo, meu endereço pelos próximos quatro dias, que, diga-se de passagem, não tem luz elétrica. As amplas barracas de lona, no estilo das usadas pelo exército, acomodam duas camas.

Acampamento Korubo

Acampamento Korubo com direito a tenda equipada (foto: divulgação)

Pequenas lâmpadas de LED ajudam a iluminar levemente o ambiente e facilitam a troca de roupa à noite. Em cada tenda, há um banheiro privativo com sanitário e pia. A parte do banho, por sua vez, fica em uma área reservada com aquecimento solar – nada de água fria.

Nada também de comida enlatada e improvisada. Um cozinheiro de plantão prepara pratos regionais e outras receitas triviais para matar a fome dos visitantes após os passeios.

Pela manhã, o café vem acompanhado de bolos caseiros, pães de queijo, frios, sucos e frutas servidos em uma cozinha com teto de sapé e chão de areia. Nas outras refeições, a comida também é simples e deliciosa, com direito a vários caprichos, como carne seca na moranga, carne ao vinho e outros mimos.

 

Outras opções de hospedagem

Se a ideia, entretanto, é aproveitar outras opções de hospedagem no Tocantins, sugerimos a Pousada e Restaurante Mãe e Filhas. Localizada no município de Mateiros,  a pousada dispõe de wi-fi gratuito e recepção 24 horas, além de café da manhã continental ou buffet. Reserve aqui.

Outra boa opção no município de Mateiros é a Pousada de Charme Formiga Ecolodge. Bem avaliada no Booking, principalmente por pessoas que viajam sozinhas, a pousada oferece quartos equipados com TV de tela plana. Os hóspedes podem, também, desfrutar de um bar e do jardim da propriedade. Reserve aqui.

Por fim, quem pretende se hospedar em São Félix do Tocantins pode contar com a Pousada São Félix do Jalapão, que oferece quartos para famílias. Todas as acomodações dispõem de mesa de trabalho, TV de tela plana e banheiro privativo, além de ar-condicionado e guarda-roupa. Reserve aqui.

 

Atividades no Jalapão

O negócio no Jalapão é dormir cedo e acordar junto com as galinhas para aproveitar todas as atrações. As atividades são afastadas umas das outras e a maioria é feita por trilhas improvisadas. Então, para chegar, só mesmo em um veículo com tração 4×4. O próprio acampamento disponibiliza caminhonete e motorista. Por isso, quem se aventura sozinho precisa preparar-se bem.

Caminhão Korubo

Todos a bordo da caminhonete Korubo (foto: divulgação)

Entre os lugares mais consagrados do Jalapão estão seus fervedouros. Paramos no Fervedouro do Soninho, um poço de águas claras, fundo de areia e cercado de bananeiras que virou ponto turístico por ter no fundo uma nascente que jorra água, desencadeando um fenômeno chamado “ressurgência”. Com isso, formam-se bolhas que fazem parecer que a água está fervendo.

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Nesse trecho, os banhistas tentam afundar, mas não conseguem. No Fervedouro da Glorinha, dois quilômetros à frente, acontece a mesma coisa. A sensação é a de pular em uma cama elástica: a água que emerge do fundo e a areia empurram o corpo para cima.

Por mais que você tente, não dá para mergulhar. Além disso, leve dinheiro trocado nesse dia. Nos dois fervedouros, é preciso pagar entrada de R$ 6 e R$ 7, respectivamente, e na Cachoeira da Formiga também (R$ 6), distante nove quilômetros dos poços.

Fervedouro Soninho

Fervedouro do Soninho (foto: divulgação)

Cachoeiras no Jalapão 

E como água é o forte do Jalapão, não poderiam faltar cachoeiras. Duas delas, aliás, merecem destaque: a Formiga e a da Velha. Na primeira, forma-se uma piscina de água verde-esmeralda que rende mergulhos e muitos peixinhos para serem vistos com máscaras.

Só cuidado com os troncos e as pedras no fundo para não se machucar. A cachoeira tem um platô de pedras, sendo possível chegar ali para sentar-se e deixar a água cair, massageando o corpo.

Cachoeira da Velha

Cachoeira da Velha (foto: divulgação)

Já na Cachoeira da Velha, o que vale é a contemplação. Ela tem uma queda de 25 metros e, devido à força da água e à correnteza, não é permitido nadar ali. Passarelas de madeira garantem os melhores cliques. O mergulho está liberado poucos metros adiante, em uma prainha de águas rasas e tranquilas.

Outra atividade que faz sucesso é o rafting no Rio Novo. O próprio acampamento fornece o equipamento de segurança, colete e capacetes, além das canoas e os remos.

O passeio é tranquilo, feito em pouco mais de uma hora e com duas paradas para nadar nas prainhas que se formam ao longo do leito. Marinheiros de primeira viagem na canoagem não precisam se preocupar, afinal, o percurso é bem fácil e exige apenas coordenação na hora da remada.

Cachoeira da Formiga

Cachoeira da Formiga (foto: shutterstock)

Serra do Espírito Santo, dunas e mais

Dando um tempo nos passeios aquáticos, a hora de subir a Serra do Espírito Santo é logo que os primeiros raios de sol começam a aparecer. A subida íngreme e cheia de pedras exige fôlego e força nas pernas. Pela trilha, enfim, várias espécies da flora local podem ser observadas, como a planta canela-de-ema e a jalapa-do-brasil, que dá nome à região.

A jalapa é um tubérculo que os antigos moradores costumavam misturar à pinga para dar um sabor mais amadeirado. Quando queriam uma dose dupla, pediam um “jalapão”. A chegada ao topo é um alívio e a vista compensa todo o esforço. Dos mirantes, as fotos tiradas bem na pontinha rendem cliques fantásticos da região e selfies estilosas em meio ao cerrado brasileiro.

Leia também: Como fazer boas fotos de viagem com o celular

Serra do Espírito Santo

Serra do Espírito Santo (foto: shutterstock)

Se a Serra do Espírito Santo é um passeio para o começo do dia, para o fim dele não tem lugar melhor que as dunas. Ver o pôr do sol de lá, por exemplo, é imperdível. Formadas por areias de quartzo de coloração dourada, elas se movimentam ao sabor do vento e chegam a ter 30 metros de altura.

Dunas do Jalapão

Dunas do Jalapão (foto: shutterstock)

A subida é rápida e cansativa, mas todo o esforço vale a pena para curtir a paisagem emoldurada pela Serra do Espírito Santo. O gostoso ali é sentar na areia, olhar o horizonte e ver o sol se despedindo, exclusivamente, de você!

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