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Fernando de Noronha: o que fazer, onde comer e dormir

Fernando de Noronha: o que fazer, onde comer e dormir

A beleza do arquipélago pernambucano é daquelas difíceis de traduzir: o azul é aquele azul, a praia é aquela praia, o mergulho é aquele mergulho, e a viagem, bom… É aquela viagem!

Por Luiza Ferrão

Tudo está a postos para o meu último mergulho em Fernando de Noronha. Cilindro, roupa de borracha, máscara, regulador… Caio na água para explorar o fundo do mar de um dos lugares mais lindos do mundo. Donzelinhas, barracudas, tesourinhas, linguados, sargentinhos, papudinhos e outras espécies de peixes desfilam à nossa frente. A expedição subaquática segue pela Baía da Ressurreta, na Ilha Rata. Uma tartaruga marinha nada com leveza até alcançar a superfície e, mais adiante, meu instrutor Rodrigo Larrosa me surpreende ao identificar um tubarão-lixa de cerca de um metro de comprimento, que descansa entre os corais. Com um misto de medo e curiosidade, peço para nos aproximarmos. Vejo seus olhos estáticos, a abertura das brânquias e a cauda. Faço sinal de medo e nos afastamos. Apesar do frio na barriga, os guias garantem que não é preciso temer. O ser humano não faz parte da cadeia alimentar dos tubarões, que vivem muito bem nutridos e em harmonia nas profundezas dos mares de Noronha.

 

Praia da Conceição

Praia da Conceição (foto: shutterstock)

 

Vivenciei essa experiência sem ser uma mergulhadora profissional. Longe disso. Marinheiros de primeira viagem podem submeter-se a um, dois ou mais batismos de mergulho, descendo até 12 metros de profundidade. Com um pouco de sorte, os principiantes conseguem dar de cara com raias, moreias, tartarugas marinhas, tubarões e golfinhos. Na ilha, a visibilidade pode ser de até 50 metros e a temperatura da água beira os 26ºC. É por isso que dizem que ir a Noronha e não mergulhar é como visitar Roma e não ver o Papa. Mas caso essa história de cilindro e metros de profundidade não seja a sua praia, não há problema. Faça o mergulho light, com snorkel, pé de pato, máscara e um simples tchibum para se deparar com uma infinidade de peixes.

 

Mergulho em Noronha

Mergulho em Noronha (foto: divulgação)

Ilha das ilhas 

Com 26 km², o arquipélago de Fernando de Noronha é composto por 23 ilhasilhotas, sendo que a maior delas é a única habitada e quem nomeia o destino. No passado, ela já foi prisão, base militar e hoje se dedica única e exclusivamente ao turismo sustentável. Para pisar ali, é preciso pagar a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), que custa R$ 68,74 por dia (há um desconto gradual a partir do quarto dia de permanência). Você pode adiantar o pagamento, arrecadado pelo Governo de Pernambuco e destinado à manutenção do arquipélago, pelo site. Isso evita filas na chegada ao aeroporto. O viajante pode incluir, ainda, o ingresso ao Parque Nacional Marinho. Com ele, tem passe livre para explorar praias como a Baía do Sancho, eleita em 2014 e 2015 como a mais linda do planeta pelo Traveller’s Choice do TripAdvisor, e a Baía dos Porcos, cujas águas verde-esmeralda revelam piscinas que são verdadeiros aquários naturais. Pode, também, refrescar-se no mar azul-turquesa da Praia do Leão ou nadar pela costa da Baía do Sueste. De quebra, o bilhete permite agendar as trilhas da Praia do Atalaia ou Abreus, já que existe um limite de visitação diário.

 

Morro dos Irmãos

Morro dos Irmãos (foto: shutterstock)

 

Onde se hospedar em Fernando de Noronha

 

Recomendo um mínimo de seis dias de estadia em Noronha. Só assim é possível explorar suas atrações e ter tempo para relaxar nas praias que eleger. É possível encontrar hospedagens de diferentes preços, mas quanto menor o valor, menor o conforto. O charme passou longe da pousada Recanto, onde me hospedei. Apesar disso, o ar-condicionado amenizava o calor e sua  localização, na Vila dos Remédios, era boa. Quem pretende gastar mais, sem extrapolar, tem como opção a pousada Solar dos Ventos, com vista para a Baía do Sueste. Uma hospedagem sem vista, porém aconchegante, é oferecida pela pousada Atobá, na Vila dos Remédios.

 

Pousada Solar dos Ventos

Pousada Solar dos Ventos (foto: divulgação)

 

O que fazer em Fernando de Noronha

 

Para entender bem Noronha, aconselho fazer o Ilhatour, passeio de dificuldade média que dura o dia todo e passa pela Praia do Sancho, o mirante da Baía dos Porcos e a costa da Baía do Sueste. Agências locais cobram mais para realizar os passeios em bugues ou carros 4×4, junto com um condutor credenciado pelo Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio). É uma vantagem gritante escolher os pequenos grupos do Ilhatour. Assim, tem-se mais autonomia para decidir o quanto permanecer em cada ponto do trajeto e fica mais fácil escolher a que lugares voltar depois, com calma. Outra dica importante é ter seu próprio equipamento para snorkeling.

 

Onde comer em Fernando de Noronha

 

Igreja da Nossa Senhora dos Rmédios

Igreja da Nossa Senhora dos Remédios (foto: shutterstock)

O tour teve pausa para o almoço no Delicias da Ná, um dos restaurantes com melhor custo-benefício da ilha. Aqui, um prato de peixe grelhado na folha de bananeira com arroz, pirão, salada e farofa, mais bebidas, cafezinho e brigadeiro de cortesia no final. Outra opção mais salgada, mas imperdível, é o Cacimba Bistrô, na Vila dos Remédios.

 

Forte da Nossa Senhora dos Remédios

Forte da Nossa Senhora dos Remédios (foto: divulgação)

Depois do almoço, uma passagem pelo Museu dos Tubarões pôde desmistificar a maioria dos meus medos em relação a esse animal tão assíduo no arquipélago. E ao final da tarde, passamos pela praia Cacimba do Padre, rumo à Baía do Sueste, para mais um mergulho com snorkel. Ao contrário do que imaginava, os últimos raios de luz não prejudicaram a visibilidade embaixo d’água. O passeio terminou com a vista do sol que se põe no mar ao lado do Morro Dois Irmãos, no mirante do Forte do Boldró – um dos cartões postais da ilha.

 

Baía dos Porcos

Baía dos Porcos (foto: divulgação)

Para provar os sabores locais, reserve sua mesa (com antecedência!) no festival do Zé Maria, que ocorre na pousada de mesmo nome, uma das mais antigas de Noronha. O evento acontece todas as quartas e aos sábados, quando um banquete com variações de sushi, sashimi e pratos como paella, arroz de jaca, carnes, massas e saladas são servidos aos convidados de uma forma mais que peculiar. Com um microfone, o proprietário Zé Maria apresenta prato por prato e implora aos paulistas que não façam fila na hora de se servir. Afirma ainda que comida não vai faltar – e não falta mesmo. Prove tudo, inclusive a farofa de pão velho, que vai bem até com sushi. Guarde espaço para a sobremesa, quando o ritual de apresentação se repete.

 

Festival do Zé Maria

Festival do Zé Maria (foto: divulgação)

Bar do Mergulhão

Bar do Mergulhão (foto: divulgação)

A ilha proporciona, ainda, lugares onde você pode bebericar, fazer refeições ou petiscar ao som de música brasileira,
eletrônica e pop. Reformado recentemente, o Bar do Meio dispõe de bangalôs, esteiras e almofadões com vista para as praias da Conceição e Do Meio. Local perfeito para um fim de tarde que culmina quando o sol some na imensidão do mar. No mesmo estilo, o Bar do Mergulhão, debruçado sobre a Praia do Porto, é outro local perfeito para curtir as últimas luzes do dia.

 

Passeios e pôr do sol 

O lado selvagem de Noronha se revela durante a chamada Trilha do Atalaia Longa. De dificuldade média, o caminho segue pela região do mar de fora, intocada pelo homem, com pausa para mergulho nas piscinas naturais Pontinha e Caieira. Os momentos de relax e observação marinha dentro d’água tornam o percurso leve; apesar disso, a trilha irregular e os caminhos de pedra dificultam um pouco. O uso do tênis é imprescindível.

O pôr do sol na ilha merece atenção especial e nada melhor do que apreciá-lo em um passeio de barco, com direito a churrasquinho a bordo. Chamado de Entardecer VIP, a atração dispõe, ainda, do “plana sub”, uma prancha de acrílico que é rebocada pela embarcação. Os passageiros se seguram nas pranchas usando a máscara e o snorkel e, sem mergulhar, conseguem ver peixes, tartarugas, naufrágios.

Morro do Pico

Morro do Pico (foto: shuttersotck)

 

Outra cena imperdível em Noronha é o espetáculo que os golfinhos proporcionam. Fui presenteada com sua visita durante o passeio pela Baía dos Golfinhos, quando esses graciosos animais davam piruetas ao lado do barco. A rota inclui, ainda, parada de 40 minutos na Praia do Sancho. É belíssimo apreciá-la do barco, mas uma das praias mais lindas do mundo merece mais. Desça as estreitas escadas que dão acesso à enseada e se permita ficar ali, quietinho por alguns minutos, só apreciando a magnitude dessa ilha que é todinha nossa!

DICAS DE OURO!
O clima é bom durante todo o ano, mas em setembro e outubro, a região do mar de dentro fica mais calma, os custos baixam e a visibilidade da água chega a 50 metros de profundidade. Janeiro é ideal para surfistas, mas tem preços mais altos. O caminho certo seria pela empresa Azul, pois existe uma escala em Recife; ou pela Gol que tem conexão em Recife. Para se locomover na ilha existem ônibus que rodam entre 7h e 0h, passando nos pontos de meia em meia hora, além de taxis tabelados e a possibilidade de alugar um bugue.

 

Atobás

Atobás (foto: shutterstock)

 


Onde se hospedar em Fernando de Noronha

Pousada Atobá 
Próxima da Vila dos Remédios, tem 11 acomodações simples, com transfer de ida e volta ao aeroporto.

Pousada Solar dos Ventos 
Na Baía do Sueste, tem 8 quartos, alguns com varanda privativa e vista para o mar.

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