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Porto de Galinhas: férias o ano inteiro

Porto de Galinhas: férias o ano inteiro

O destino pernambucano é quente e agradável em qualquer épóca

Por Cristiane Sinatura

Tem pousadinha barata, tem resortão com música na piscina, tem hotel de luxo discreto. Porto de Galinhas não se discute: é lugar para todos. Um dos destinos litorâneos mais procurados do Brasil atrai casais em lua de mel, famílias com crianças e turistas – e sabe bem como receber todos eles. A 70 quilômetros de Recife, a praia de Porto de Galinhas propriamente dita pertence ao município de Ipojuca e tem apenas quatro quilômetros de extensão. Mas o nome pegou entre os turistas e acabou abarcando também as dez enseadas vizinhas.

Em parte, o que fez a fama local foram as piscinas naturais formadas durante a maré baixa – um cartão-postal indiscutível. No passeio mais popular da região, jangadas vêm e vão ao sabor do mar cristalino e morno, carregadas de turistas. Represadas pelos recifes de corais a cinco minutos da costa, as piscinas se mostram verdadeiros aquários, cheinhas de peixes pequenos e famintos (cuidado com as mordidinhas). Os jangadeiros oferecem ração para atraí-los e óculos com snorkel para quem quiser ver embaixo da água, de uma transparência quase inacreditável. O passeio das jangadas acontece todos os dias, de acordo com a tábua das marés.

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Piscinas Naturais (Foto: divulgação)

Piscinas Naturais (Foto: divulgação)

Não fossem as piscinas em tons caribenhos, a praia principal seria, provavelmente, a menos atrativa, já que vive cheia. A vantagem é que o centrinho colado a ela reserva pousadas para quem prefere economizar. À noite, é programa certo: lá, especialmente na Rua da Esperança, exclusiva para pedestres, o comércio fica aberto até tarde na alta temporada. Há desde barracas de artesanato até lojas de design mais sofisticadas, como a Gatos de Rua, do artista plástico Beto Keller. Espalhadas pelas ruas da vila, há esculturas de galinhas coloridas, adornadas e fantasiadas – obra do artista local Carcará, que reaproveita troncos de árvores.

É no centrinho, também, que ficam restaurantes bacanas, como o Beijupirá, famoso por mesclar frutos do mar e ingredientes tropicais em seus pratos, e o Domingos. A noite da vila rende bem para quem é fã de uma balada. A Praça das Piscinas, de frente para a praia, concentra o agito, especialmente no Café do Brasil, que tem mesas no calçadão. Mas isso é só para começar. Lugar de forró, hino local, é na Birosca da Cachaça e na Lua Morena, casas com música ao vivo e instrutores de dança – que é para ninguém, gringo ou brasileiro, ficar parado.

Afastados da vila, os resorts à beira-mar se distribuem pelas praias vizinhas, especialmente Muro Alto e Cupe – e são daqueles que podem facilmente dar conta de todas as necessidades dos hóspedes, a ponto de eles não precisarem sair de lá para nada – do requintado Nannai ao família Summerville. Mas isso seria uma heresia. Para ir além do seu quadrado e conhecer outras enseadas, existem os passeios de bugue, conhecidos como “ponta a ponta”, que vão desde Muro Alto até Pontal de Macaraípe. Pontuado por alguns pit stops, com direito a banho de sol e mar, o trajeto é feito quase todo por estrada, não pela areia, já que algumas áreas são protegidas para a desova de tartarugas marinhas.

Muro Alto (Foto: divulgação)

Muro Alto (Foto: divulgação)

Outro programa muito comum na região é o mergulho com cilindro, uma extensão profissional daquilo que se vê no passeio de jangada. A melhor época é entre outubro e março, quando a visibilidade em mar aberto atinge 25 metros. O mergulho pode chegar a 33 metros de profundidade, especialmente nos arredores da Ilha de Santo Aleixo, onde há embarcações naufragadas. Mas não é preciso ser mergulhador para aproveitar as belezas dessa ilha – há um passeio bate-volta de catamarã a partir de Porto de Galinhas que, além de passar por Santo Aleixo, leva até a Praia de Carneiros, considerada uma das mais bonitas e rústicas do estado.

Maracaípe: a vizinha descolada

Pouco antes de a moda do stand up paddle ganhar os litorais mais badalados do mundo inteiro, tive meu primeiro contato com o pranchão em Maracaípe, praia vizinha a Porto de Galinhas. Eduardo Fernandes, o Rato, foi meu instrutor, passando os macetes para ficar em pé na prancha e remar sem perder o equilíbrio. Para não ter erro, trocamos o mar bravo pelas águas calmas do Rio Maracaípe. Além de stand up paddle, ele ensina também surfe tradicional, kitesurfe e windsurfe.

Stand Up Paddle (Foto: divulgação)

Stand Up Paddle (Foto: divulgação)

Não poderia haver lugar melhor: Maracaípe é conhecida pelas ondas fortes, sediando cerca de 300 campeonatos de surfe por ano. É badalada como a Maresias paulista, principalmente na Vila de Todos os Santos, onde se concentram ateliês, bares e restaurantes, como o relaxante Restaurante do João, que mais parece uma casa de praia, de frente para o mar, com piscina e redes penduradas entre os coqueiros. Mandaram vir as especialidades: caldinho de peixe e de feijão, a cioba frita com macaxeira, o bolinho de feijoada, a moqueca e a vatapinha – vatapá de galinha, um clássico da casa.

Dali, pode-se seguir até Pontal de Maracaípe, de onde saem os passeios de jangada pelo mangue para ver os cavalos-marinhos. Desde 1995, o projeto Hippocampus se dedica à preservação desses animais. Treinados, os jangadeiros dirigem-se para o habitat deles e, cuidadosamente, colhem com um pote de vidro um casalzinho de caudas entrelaçadas para que os turistas possam fotografar. Depois, devolvem-nos à agua. Os cavalos-marinhos são, afinal, símbolos de Porto, quase tanto quanto as galinhas.

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