HomeDestinosCunha (SP): escapada perfeita para um final de semana

Cunha (SP): escapada perfeita para um final de semana

Cunha (SP): escapada perfeita para um final de semana

No interior paulista, a estância climática é a pedida ideal para curtir o clima e a comida típicos da serra

Por Cristiane Sinatura

Um campo cheinho de lavandas, arbustos fartos, abelhas zunindo, perfume exalando, serras preenchendo o horizonte e escondendo o mar. Poderia ser Provence, no sul da França. Mas não, eu não precisei ir tão longe para ver uma paisagem bonita assim. Precisei ir 232 quilômetros longe de São Paulo, para ser exata- até chegar à cidade de Cunha, na divisa com o Rio de Janeiro, a caminho de Paraty.

O Lavandário tem sido, desde que inaugurou em 2013, a atração mais popular da estância climática, que, já há alguns anos, vale-se de sua posição serrana para atrair gente em busca de um friozinho no final de semana. A combinação de geografia e clima ajuda as lavandas a florescer o ano todo nos campos de Maria Fernanda Luís, que começou a plantação como um hobby. Hoje, são quase 15 mil pés, uma destilaria e uma linha de produtos cosméticos e culinários, à venda em uma charmosa casa em estilo provençal à beira dos campos.

Cunha, é claro, vai além das lavandas. O clima de interior é quase palpável, o que quer dizer que sossego e descanso estão garantidos. Com pouco mais de 20 mil habitantes, ela é o tipo de cidade que funciona ao redor da praça da Igreja Matriz. Mas não é no centro que a vida acontece para os turistas. Os atrativos ficam espalhados, boa parte ao longo da estrada Cunha-Paraty, por isso estar de carro é essencial. Atividades na natureza, boa comida e tradições artesanais, como as cerâmicas e as joias, são alguns dos afazeres que podem preencher seu final de semana na serra.

Lavandário | foto: Thelma Lavagnoli

O que fazer em Cunha

Cunha é bonita por natureza: o Parque Estadual da Serra do Mar e o Parque Nacional da Serra da Bocaina têm pedaços dentro dos limites da cidade. Por isso, cachoeiras e trilhas estão entre as atividades diurnas mais procuradas.

O Parque da Serra do Mar conta com três trajetos para percorrer a pé, sendo a do Rio Paraíbuna a única que dispensa acompanhamento de guia ao longo de 1,7 quilômetro. Os mais dispostos que topem encarar os quase oito quilômetros da trilha do Rio Bonito ou os 14 do circuito das cachoeiras têm o serviço de guia gratuito.

Outra trilha bem puxada leva à Pedra da Macela, o pico mais alto da região, a 1.840 metros de altitude. Depois de deixar o carro em um estacionamento, é preciso andar dois quilômetros íngremes até o topo – caminhada que promete recompensar aqueles que a vencerem. Em dias de céu aberto, a vista é um desbunde: a Baía de Ilha Grande, Angra dos Reis e Paraty se revelam adiante.

Menos esforço das pernas demandam as cachoeiras do Pimenta e do Desterro – mas há que se preparar o carro para trajetos chatinhos. A primeira, acessível por uma estrada de terra de dez quilômetros, fica ao lado de uma antiga usina hidrelétrica, hoje Museu da Água. A cachoeira é formada por uma série de quedas, terminando em um poço bom para banho. Já a do Desterro surge depois de oito quilômetros de estrada sem pavimento – o mergulho é melhor deixar para quem sabe nadar.

Cerâmica e joias em Cunha

A localização de Cunha a tornou um ponto estratégico na época do ouro, quando a Estrada Real ligava Paraty a Minas Gerais. Então um povoado, servia como parada dos bandeirantes e dos garimpeiros. Hoje Estância Climática, preserva vivas as tradições caipiras e indígenas.

A cerâmica artística é uma delas – Cunha está entre os principais polos produtores da América Latina e conta até mesmo com Instituto Cultural da Cerâmica, que ensina gratuitamente o ofício às crianças da região. Para os turistas, a aula de três horas custa R$ 100, e também há roteiros guiados pelos ateliês – a opção de duas horas passa por cinco oficinas e custa R$ 50 por pessoa. Mas também é possível visitar por contra própria. São cerca de 20 ateliês, onde o trabalho dos ceramistas pode ser acompanhado de perto e produtos de alta qualidade podem ser comprados, desde vasos até esculturas.

O ateliê Suenaga & Jardineiro trabalha com a técnica do forno Noborigama, típico do Japão, que atinge temperaturas de até 1.400 ºC. Realizada cerca de cinco vezes por ano, a abertura das fornadas, que revelam as peças moldadas em argilas regionais, é atração concorrida, em que os visitantes podem aprender mais sobre a produção e o acabamento. “O resultado das fornadas costuma gerar surpresas até mesmo para os artistas, pois nunca se sabe exatamente como ficará a cerâmica depois da queima”, explica a ceramista Kimiko Suenaga, que veio de Tóquio para Cunha em 1985.

Compartilhar: