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Belize: segredo revelado no Caribe

Belize: segredo revelado no Caribe

Entre Belize City, San Ignacio e Placencia, fizemos um roteiro certeiro percorrendo os principais tesouros do país caribenho ainda pouco conhecido. Tem mergulho com tubarões e tartarugas, ruínas arqueológicas maias, muita natureza e, claro, praias deliciosas

Por Thelma Lavagnoli

Pare uns minutinhos e tente encontrar Belize no mapa. Alguma sugestão para que lado olhar? Não se preocupe, pode ter certeza de que muitas pessoas também não sabem em que pedacinho do mundo esse país está. Eu explico: Belize fica na América Central, faz fronteira com o México, ao norte, e ao sul com a Guatemala. Já a costa oeste é dele, o Caribe em toda sua glória, com belas praias e rica vida marinha. Depois de uns dias por aqui, é até difícil entender por que Belize ainda não é lá tão conhecido até entre os viajantes mais engajados. Mesmo o nome é relativamente novo: até a década de 1980, o país era conhecido como Honduras Britânicas – por ter sido colonizado pelos ingleses – e foi quando passou a chamar-se Belize.

O processo é recente e com pouca influência de fora: nada de grandes restaurantes ou lojas (você não vai encontrar Starbucks ou H&M) e há poucas redes de hotéis (esqueça aquele enfileirado de opções da zona hoteleira de Cancún). Quase tudo é feito por quem é daqui.

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No entanto, o tal anonimato vai ficando para trás, até porque para chegar a Belize está muito mais fácil. A Copa Airlines tem dois voos semanais ligando São Paulo a Belize City, com uma conexão rápida no Panamá. Em nove horas ao todo, o viajante chega ao aeroporto de Belize City, a primeira parada do nosso roteiro. De lá, pegamos a estrada para San Ignacio/Santa Helena, base para curtir a arqueologia maia e explorar a natureza, e as praias de Placencia. É Caribe rústico, autêntico, de raiz, que dá aquele gostinho de segredo a ser descoberto.

Belize City: ponto de partida
Procure por “Belize” no Google e aposto que a primeira imagem a aparecer será o clique aéreo de um grande círculo azul-escuro rodeado por aquelas águas clarinhas típicas do Caribe. É o Great Blue Hole, caverna subaquática em formato arredondado com 300 metros de largura. E saiba que é bem fácil reproduzir a foto digna dos bancos de imagem, basta colocar um passeio de avião privativo no roteiro.

As principais empresas que oferecem o sobrevoo têm guichês e decolam suas aeronaves diretamente do aeroporto onde os viajantes desembarcam. Ou seja, vale fazer um esforcinho para driblar o possível cansaço e emendar o programa pelo atrativo turístico mais famoso do país. Nós fizemos com a empresa Maya Island Air, que oferece a saída a US$ 198 por pessoa. As bagagens podem ficar guardadas no estande deles enquanto o viajante passa cerca de uma hora no sobrevoo.

Sobrevoo | foto: divulgação

Cinco minutos depois de decolar, todo mundo já está com o rosto colado na janelinha para ver o mar e as “manchas” escuras que aparecem sobre as águas. Aqui e ali, elas identificam a presença de plantas e corais. O cenário é incrível mesmo, mas não se empolgue nas fotos e guarde memória para o grand finale, o Great Blue Hole. O piloto ficará um bom tempinho circulando o ponto para que todo mundo da aeronave possa apreciá-lo de diferentes ângulos. Lá de cima, também é possível ver alguns barquinhos rodeando o círculo azul. Muitos deles são destinados aos turistas que decidiram entender a experiência pela formação com mergulho ou snorkel. Desde Belize City, a Sea Sports Belize e a The Aggressor Fleet são duas das empresas que oferecem os tours, inclusive pacotes mais imersivos com vários dias de exploração no Great Blue Hole e arredores.

Outra esticada que vale a pena a partir de Belize City são as ruínas da cidade maia de Lamanai, na região de Orange Walk, a pouco mais de cem quilômetros. Apesar da proximidade, o acesso não é muito fácil, feito parte na estrada e depois de barco. Para evitar dor de cabeça, melhor contratar o percurso completo com alguma agência local, como a S&L Travel Belize. Guarde a energia para explorar o sítio arqueológico, as áreas verdes de preservação e o Templo da Máscara.

Templo da Máscara | foto: divulgação

Além desses programas, a cidade de Belize propriamente dita não exige mais que um dia do roteiro para suas demais atrações. Vale o giro pelo centro histórico, que revela várias casinhas coloniais (algumas mais preservadas que outras, é verdade). A maioria está concentrada nos arredores da Regent Street. Também vale a passada para observar o Baron Bliss Lighthouse, às margens da água, para uma boa foto. Quem financiou sua construção foi um milionário que viveu na região e hoje está enterrado diante do farol.

Meio período é mais que suficiente para ver tudo isso, então o restante do tempo pode ser utilizado para bater papo, tomar uma cerveja e provar o ceviche do restaurante The Riverside Tavern. Depois, hora de abastecer a mochila com lanchinhos, água e outros itens de necessidade básica para o restante da viagem – os maiores mercados do país estão aqui.

É em Belize City que o viajante deve alugar seu carro para pegar a estrada até a próxima parada. Vale lembrar que as vias locais não estão cem por cento conservadas e têm trechos pouco iluminados. É importante redobrar a atenção no volante, tentar viajar durante o dia e optar por carros grandes e com tração nas quatro rodas – assim fica mais fácil encarar buracos, pistas com curvas e dias de chuva que podem ocasionar alagamentos.

San Ignacio (Cayo): hora da aventura | a 115 quilômetros de Belize City

Cavernas, sítios arqueológicos maias, áreas para observação de pássaros… San Ignacio, na região de Cayo, é uma cidade-base para explorar os cenários das redondezas que apresentam a versão mais aventureira de Belize. O look será tênis de caminhada, bermuda, camiseta e muito repelente durante os três dias necessários para ver os destaques.

Com acesso fácil, o Blue Hole National Park (que a despeito do nome nada tem a ver com o astro de Belize) guarda seu próprio buraco azul, um lago ótimo para nadar com peixinhos.

Também vale conhecer a caverna St. Hermany. Apesar de a entrada só ser liberada com acompanhamento de um guia do parque, a trilha até ela é bem fácil e dura cerca de 15 minutos. De quebra, pelo caminho haverá borboletas multicoloridas e diversos passarinhos entre as árvores. Já para entrar é preciso descer por uma escadaria e, lá dentro, há um lago azulado que reflete as formações rochosas do teto.

foto: divulgação

Quarenta minutos de estrada levam de volta ao centro da cidade, onde a boa é almoçar no Guava Limb Café, restaurante supercharmoso que mistura a vibe latina e vintage numa casinha colorida. Orgânico, seu cardápio prioriza ingredientes provenientes de uma fazenda local e do mercado de peixes. Contudo, as opções vão muito além de saladas: tem hambúrguer, massas, carnes e, claro, frutos do mar. O Chimichurri Beef Steak, com queijo e bacon, aliás, é um dos pratos mais pedidos da casa.

Já o segundo programa do roteiro são as ruínas maias de Cahal Pech, às margens do Rio Macal, que estão entre as mais antigas do país (datadas de mais ou menos mil anos antes de Cristo). À primeira vista, o local pode não parecer tão impressionante pelas formações em si, como Lamanai, mas não se engane. O legal é que o acesso é liberado em praticamente todo o sítio arqueológico. Tem gente andando nas beiradas dos pontos mais elevados, explorando os túneis e abaixando a cabeça para não bater nos tetos baixinhos de algumas salas que, no
passado, eram quartos de governantes.

Agora de encher os olhos pelas grandes dimensões, não há dúvida de que o sítio arqueológico Caracol sai na frente. Mais distante, a cerca de 40 quilômetros de San Ignacio, foi centro dos líderes da civilização maia por mais de 140 anos. Porém, acredita-se que sua origem tem mais de três mil anos. É surreal pensar que todas as estruturas imensas, como o Templo de Caana, seguem preservadas. Chamado também de “lugar do céu”, até hoje é a estrutura feita pelo homem mais alta de Belize.

Five Waterfall Sisters
São cinco quedas d’água alinhadas lado a lado, debruçadas sobre o Rio Privassion. É um lugar gostoso, na região de Cayo, para dar um mergulho e driblar o calor

Five Sisters Waterfall | foto: divulgação

Onde ficar: verde por todos os lados, com direito a café da manhã na varanda do restaurante e visita de tucanos durante a refeição, o San Ignacio Resort Hotel explora a localização privilegiada in natura a favor de seus hóspedes, com piscina e pequenas trilhas. Tem até um espaço chamado Iguana Project, área de preservação de iguanas verdes, com animais em reabilitação ou impossibilitados de viver na natureza. O visitante aprende sobre a espécie e pode interagir com os répteis de perto. Diárias a partir de US$ 216, sanignaciobelize.com

Placencia: enfim praia! | a 190 quilômetros de San Ignacio

Se até agora ainda sobrou alguma lembrança da correria do dia a dia ou algum problema que ficou no Brasil, a pequena e pacata Placencia vai ser o ponto final desses pensamentos. É hora de tomar sol, pegar praia e nadar com vários peixinhos coloridos, tartarugas e até tubarões. É Belize mostrando o lado caribenho em toda sua glória.

São apenas cerca de 25 quilômetros de praia, com areia clarinha e muitos trechos de mar tranquilo. No geral, os viajantes acabam optando por hotéis pé na areia ou, no mínimo, com fácil acesso ao mar para poder aproveitar tudo a pé. E também por conta da estrutura que eles oferecem, já que não há aluguel de cadeiras e coisas do tipo como acontece no Brasil.

Além de lagartear sob o sol, o que não pode faltar é um passeio de barco pela região, seja para mergulhar, fazer snorkel ou até pescar. Sem tanta experiência, optamos pela segunda alternativa que é indicada inclusive para crianças a partir de 7 anos que saibam nadar. As águas são bem calmas e, em muitos roteiros, bem rasas.

Com a Splash Dive Center, fomos até as Silk Cayes, três ilhotas que servem de base para quem vai admirar os recifes da região a mais ou menos 40 minutos da costa. O guia vai na frente, orientando o caminho e falando sobre tudo o que vemos, como o peixe que originou a Dory, da animação da Disney Procurando Nemo. O ideal é dar a volta pelo trio de ilhotas e almoçar lá mesmo. À parte, a empresa oferece churrasco na praia.

No mesmo passeio, a nossa próxima parada foi a Turtle Stop, que, como o nome sugere, é onde podemos nadar com tartarugas e até tubarões. O local é raso, mas a experiência é bem instigante, pois não tem grade nem estrutura especial. São seus “novos amigos” e você bem pertinho, nadando juntos. Confesso que para saltar do barco rolou um frio na barriga, mas o guia e o piloto estão sempre pertinho, orientando e mostrando como curtir o passeio em segurança.

Snorkel | foto: divulgação

Em outro dia, também é interessante conhecer a Laughing Bird Caye, uma ilha bem pequena onde vivem centenas de pelicanos. A Splash Dive Center também opera o passeio, mas, nesse caso, leve seu lanche para o local. Não há restaurantes na ilha, só uma pequena lojinha de suvenires e o guarda ambiental que monitora as atividades.. Ali, o mar é protagonista e mais parece uma piscina de tão tranquilo e transparente, com direito a um pouco mais da vida marinha do país para admirar de snorkel. Belize termina assim, de boa, pé na areia e pronto para os turistas que estão dispostos a desvendá-lo.

Onde ficar: o Naia Resort and Spa é um investimento, pelas acomodações cheias de privacidade, o fácil acesso à praia, a localização rodeada por verde, a piscina… Aberto ao público, há ainda o restaurante 1981, bom para pedir ceviche ou o frango com molho de cogumelos. Diárias a partir de US$ 295, naiaresortandspa.com 

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Viagem a convite de Copa Airlines e Belize Tourism Board