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Angra e Ilha Grande: onde o verde é mais belo

Angra e Ilha Grande: onde o verde é mais belo

Reduto de chiques e famosos, esta dupla de ouro guarda um lugarzinho ao sol para todo mundo no litoral sul do Rio de Janeiro

Por Cristiane Sinatura

Tudo aqui é verde. O mar e as montanhas fundem-se de tal forma que até o horizonte se tinge dessa cor. Mas não é qualquer verde – é uma gama incontável de tonalidades que os moradores mais ufanistas dizem não existir em nenhum outro lugar do Brasil. Que outro nome haveria de ter esta região além de “Costa Verde”? Sim, Angra dos Reis e Ilha Grande, no litoral sul do Rio de Janeiro, brilham feito esmeraldas. Uma virou reduto de celebridades; a outra, recanto rústico e natural. Brasileiros e gringos, famosos e anônimos, aqui todo mundo, cada um a seu modo, desfruta das mesmas belezas.

Angra: natureza democrática

Ivo Pitanguy, Luciano Huck, Xuxa, Eike Batista, Ronaldinho Gaúcho… Conduzindo a lancha, o marinheiro não para de anunciar nomes estrelados conforme singramos as águas da Baía de Angra dos Reis (ou Baía de Ilha Grande), tomada por 365 ilhas – algumas frequentadas por personalidades com muito dinheiro no bolso, a exemplo da Ilha de Caras.

Os verdadeiros atrativos de Angra não estão em terra firme – o que empolga mesmo na região são as ilhas ao seu redor. Nem só para ricos e famosos; há lugar para todo mundo – afinal, são 2 mil praias e não é necessariamente obrigatório ter ou alugar uma lancha para conhecer o melhor delas.

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As agências de receptivo da cidade oferecem passeios de escuna a preços na faixa dos R$ 30 – bem mais acessíveis que os salgados R$ 700 desembolsados por uma lancha com roteiro personalizado de três horas. Saindo da Estação Santa Luzia, no centro, as escunas cumprem rotas que variam de acordo com a empresa, mas o suficiente para ter um belo gostinho das belezas insulares de Angra. Cartão-postal da baía e primeira parada do trajeto, as Ilhas Botinas, a 15 minutos do continente, são um par de ilhotas gêmeas com formato de bota, cobertas por coqueiros e bromélias – diz a lenda que elas formavam um único pedaço de terra até que um navio pirata partiu-as ao meio.

Mito ou não, há uma verdade incontestável: a fenda entre as ilhotas tem águas cristalinas que deixam ver uma profusão de peixes. Por isso, é um ótimo ponto para mergulho com snorkeling ou para um banho de mar – um tanto quanto frio, vale dizer (a temperatura da água varia entre 15 ºC e 20 ºC). Disponíveis em grande parte das escunas e lanchas, as boias ou os coletes salva-vidas são bem-vindos nessa hora. Em alta temporada, a concentração de embarcações nos arredores é grande, por isso é bom chegar cedo. Outro ponto de parada, o mais badalado de todos, é a Praia do Dentista, na Ilha da Gipoia. Iates de luxo e lanchas mais modestas ancoram por aqui e transformam o mar em uma verdadeira balada náutica. Cada um tem sua própria música e, não raro, churrasqueiras portáteis nos deques.

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(Foto: shutterstock.com)

Existem ainda os barcos-restaurantes, como o Jango’s Bar, que tem canoas para tirar pedidos nas outras embarcações (isso quando não são feitos via rádio) e levar os drinques e petiscos até os clientes. Dupla imbatível, o pastel de camarão e a caipirosca de pitanga estão entre os mais pedidos. A praia em si é outra delícia, com faixa de areia estreita, moldada pela densa vegetação atlântica (muito verde!). Ainda na Ilha da Gipoia, a segunda maior de Angra, a Praia das Flechas é o point na hora da fome: aqui fica o tradicional restaurante do Luiz Rosa, um senhorzinho simpático que fez do polvo a vinagrete a especialidade da casa.

A praia ainda funciona como ponto de partida para uma das maiores tradições da região: a Procissão Marítima de Ano Novo, criada como um rito religioso em 1978 por um diretor da Rede Globo. Desde então, todo 1º de janeiro, mais de mil embarcações “fantasiadas” percorrem um trajeto de sete quilômetros até a Praia do Anil, no centro de Angra. Mas hoje o cortejo está mais para pagão: foliões de abadás fazem a festa a bordo, como em uma micareta náutica, ao som de axé, eletrônico e funk. Um júri, normalmente composto por celebridades, avalia o conjunto de animação e alegoria – os vencedores levam prêmios em dinheiro (ingressos em procissaomaritima.com.br).

Em terra firme

Ainda que todos os caminhos em Angra levem ao mar, também há atrativos na terra. No centro, marcos históricos dão o tom (veja quadro na página 140). Já as praias continentais podem não ser tão atraentes quanto às das ilhas, mas, ainda assim, dá para encontrar recantos que valem a pena.

A quatro quilômetros do centro, a Praia Grande é o lugar da juventude, concentrada o ano todo ao redor dos bares e quiosques com música ao vivo. Mais afastada, a 29 quilômetros, a Praia dos Maciéis tem acesso controlado pela Petrobrás e feito por trilha de 40 minutos a partir da Estrada Ponta Leste – e, por isso mesmo, é bem tranquila, com os mesmos encantos que se veem nas ilhas mais afastadas.

Mas quem não está a fim de esforço pode escolher um dos muitos resorts à beira-mar, com praias praticamente privativas. É o caso do Vila Galé Eco Resort, um reduto de tranquilidade familiar em uma área de preservação ambiental, a sete quilômetros do centro de Angra. Com sistema all inclusive, atividades recreativas, programação noturna e serviços de spa, tudo o que há para fazer é curtir.

Outra boa opção para quem viaja com crianças fica na cidade vizinha de Mangaratiba. É o resort Portobello, que tem vista para Ilha Grande e uma atração na medida para os pequenos: um safári exclusivo para os hóspedes, com 500 animais, entre tucanos, macacos, antas, zebras, lhamas e dromedários. Também vale a pena circular pelo Canal do Frade – um braço de mar navegável que banha um condomínio de casas, num clima à la Veneza. Nesse local fica o restaurante Chez Dominique, um bistrô francês disputadíssimo, célebre por seus frutos do mar e crepes doces.

Ilha Grande: beleza sem tamanho

Impossível ir a Angra dos Reis sem passar pelo menos um dia em Ilha Grande – há quem, na verdade, limite-se a ficar apenas nessa que é a maior ilha da baía, dona de mais de 100 praias. Aqui não circulam carros – o único jeito de chegar (e o mais fácil para pular de praia em praia) é de barco. A Vila do Abraão é o centrinho rústico de Ilha Grande. Pousadas, restaurantes e lojas ficam todos nesse miolo, que pode ser percorrido inteiro a pé.

Quem gosta de caminhar pode percorrer trilhas entre uma praia e outra. Muitos turistas e locais elegeram a praia de Lopes Mendes como a mais agradável. Ela permanece quase intocada ao longo de seus três quilômetros de areias finas, banhadas por ondas fortes. Outro ponto imperdível é a Lagoa Azul, um aquário natural ideal para mergulhos, dada a quantidade de peixes e estrelas-do-mar e a calmaria do mar, protegido por ilhotas que bloqueiam os ventos. O nome não é à toa: ela lembra o cenário do filme homônimo, encenado nos anos 1980 pela atriz Brooke Shields.

(Foto: shutterstock.com)

(Foto: shutterstock.com)

Assim como ocorre na Praia do Dentista, aqui também um barco faz as vezes de restaurante. Ele se chama Petisco da Ilha e serve desde tira-gostos, como salada de lula e pastéis, até pratos mais elaborados, como o talharim com frutos do mar. Vale lembrar ainda que a Baía de Angra dos Reis, especialmente o entorno de Ilha Grande, é um dos melhores destinos de mergulho do país. São mais de 50 pontos ricos em fauna, com destaque para as tartarugas, os robalos e as moreias, além dos costões tomados por anêmonas e corais.

Uma das formações mais visitadas pelos mergulhadores é o Parcel do Coronel, uma espécie de labirinto rochoso com profundidade que varia entre 8 e 30 metros. Naufrágios também dão show, como o Pinguino, um navio panamenho carregado de cera de carnaúba e castanhas de caju, que afundou depois de um incêndio em 1966.

Por fim, quem quiser uma experiência muito peculiar pode alugar um barco e visitar o Saco do Céu, uma espécie de reentrância do oceano no meio da vegetação atlântica. Ali fica o restaurante Reis e Magos, com excelente carta de vinhos para acompanhar as especialidades da casa: paella e moqueca de frutos do mar. Mas o que torna esse lugar especial é outra coisa.

O reflexo das estrelas nas águas calmas forma um cenário noturno especial. Graças a isso, o Saco do Céu se tornou ponto de pernoite de barcos de todos os tipos, inclusive aqueles que você pode alugar (veja quadro). Talvez não haja em todo o litoral sul do Rio de Janeiro um refúgio de paz e beleza natural tão privilegiado quanto este.

História Viva

Angra dos Reis é uma das cidades mais antigas do Brasil, descoberta pelo navegante português Gonçalo Coelho em 6 de janeiro de 1502 (daí o nome que combina “pequena baía” em português arcaico com uma referência ao Dia de Reis). Ainda que seu centro histórico não seja tão rico e charmoso quanto o da vizinha Paraty, é possível ver algumas relíquias coloniais, como os casarões, o calçamento em pedra e as igrejas. Por isso, pode ser interessante incluir um city tour rápido no roteiro. Na praça Silvestre Travassos, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, de 1750, é uma homenagem à padroeira da cidade. Diz a lenda que, em 1632, um navio de Portugal que trazia uma imagem da santa foi obrigado a atracar em Angra por causa de uma forte tempestade.

Toda vez que o céu abria e os marinheiros tentavam retomar a rota, a embarcação era seguida por um cardume de peixes e a chuva voltava a cair. O capitão considerou isso um “aviso divino” e resolveu deixar que a imagem da santa ficasse na igreja. O peixe da lenda, hoje conhecido como cavala, virou principal tema dos suvenires da cidade. Outro destaque é o Convento de São Bernardino de Sena, no alto do Morro de Santo Antônio, de onde se tem uma boa vista para o centro histórico. O conjunto franciscano do século 18 reúne igreja, cemitério e as ruínas do velho convento. Por fim, o Museu de Arte Sacra, na antiga Igreja de Nossa Senhora da Lapa, tem um dos mais expressivos acervos religiosos da América Latina, com 2 mil peças entre pratarias, indumentárias e imagens dos séculos 17 a 20.

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