Na Museumplein, o Museu Van Gogh reúne a trajetória completa do pintor em ordem cronológica, da infância às últimas obras, em um acervo que muda a forma de enxergar sua vida e sua arte.


Amsterdã guarda um dos acervos mais completos e emocionantes do mundo da arte, o Museu Van Gogh, na badalada Museumplein, a Praça dos Museus, cercada por outros gigantes culturais como o Rijksmuseum e o Stedelijk Museum.
Não é exagero dizer que é uma visita que transforma a forma como a gente enxerga o pintor, não só suas telas mais famosas, mas o homem por trás delas.


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Um prédio pensado para contar uma história
Antes mesmo de entrar nas salas de exposição, já vale reparar na arquitetura. O museu é formado por dois prédios que conversam entre si, o edifício principal, projetado pelo holandês Gerrit Rietveld, ícone do movimento De Stijl, inaugurado em 1973, e a ala oval de vidro e aço assinada pelo arquiteto japonês Kisho Kurokawa, concluída em 1999.


Um contraste e tanto, linhas retas e geométricas de um lado, curvas orgânicas do outro, ligados por um hall de entrada moderno que unifica tudo. Foi justamente nesse hall amplo, com pé-direito duplo e uma projeção enorme de um autorretrato de Van Gogh estampada na parede, que a visita começa.


A trajetória completa de Van Gogh, sala por sala
O que mais impressiona no Museu Van Gogh é a forma como ele é organizado. Não é só uma galeria com quadros pendurados, é a vida inteira do pintor contada em ordem cronológica, do térreo até o último andar.


Começa na infância, passa pelos primeiros anos como pintor autodidata, mostra os lugares onde ele morou e pintou, incluindo os períodos na Holanda, em Paris, na Provença e chega até os momentos finais em Auvers-sur-Oise, com uma abordagem sensível sobre as doenças mentais que o afetaram ao longo da vida.
Para acompanhar tudo isso com profundidade, vale muito a pena alugar o audioguia, disponível também em português, retirado logo na entrada. Ele guia a visita sala por sala, contando a trajetória de Van Gogh e explicando o contexto de cada obra específica.
O passeio completo, andando com calma e ouvindo as explicações, dura cerca de uma hora e meia, tempo suficiente pra ver tudo sem pressa.
Os autorretratos, uma galeria de auto-observação
Uma das salas mais marcantes é a dedicada aos autorretratos. Van Gogh pintou dezenas deles ao longo da vida e ali é possível ver várias dessas versões lado a lado, incluindo o famoso autorretrato com Chapéu de Feltro Cinza, de 1887, uma das fases em que ele testava as técnicas pontilhistas e impressionistas que estava absorvendo em Paris.


Ver esses retratos próximos uns dos outros é quase acompanhar as mudanças de humor e de estilo do próprio pintor ao longo dos anos.
Boomwortels, a última pintura de Van Gogh
Entre as obras mais impactantes está a Boomwortels, Raízes de Árvores, de 1890. É um quadro grande, quase abstrato, retratando um emaranhado de raízes e troncos em tons de azul, verde e ocre.


O que torna essa pintura ainda mais especial é o contexto, ela é considerada a última obra pintada por Van Gogh, feita no mesmo dia de sua morte, em 27 de julho de 1890, em Auvers-sur-Oise.
Um quadro que carrega um peso histórico enorme, e que só faz sentido completo depois de ter acompanhado toda a trajetória contada nas salas anteriores.
Além da pintura, os primeiros anos e o desenho
O museu também reserva um espaço para os trabalhos e influências que moldaram Van Gogh antes da fase mais conhecida. Na seção “Van Gogh’s Models”, é possível ver pinturas de artistas que ele admirava e que serviram de referência para seu próprio trabalho, ao lado de esculturas e desenhos que mostram o quanto ele estudou a figura humana e a vida no campo antes de desenvolver seu estilo característico.
Praticidade da visita
O ingresso, comprado com antecedência pela internet já que não é possível comprar na hora, ficou em 38 euros por pessoa, incluindo o audioguia em português.
O aparelho é retirado numa área específica logo depois da entrada e devolvido ao final do percurso. O museu funciona todos os dias, geralmente das 9h às 18h, mas os horários podem variar de acordo com a época do ano, vale sempre conferir no site oficial antes de ir.


Para chegar, a opção mais prática saindo do centro é o tram (bonde que circul ano centro), linhas 2, 3, 5 ou 12 até a Museumplein ou Van Baerlestraat, poucos minutos de caminhada até a entrada. O museu fica bem ao lado do Rijksmuseum, então dá pra organizar os dois passeios no mesmo dia sem problema.
Vale a pena?
Sem dúvida. O Museu Van Gogh é daquelas experiências que vão muito além de ver quadros bonitos, é entender uma vida inteira, com todas as dores e genialidades, através da obra de um dos pintores mais importantes da história.
A organização cronológica, o audioguia bem feito e a variedade de peças, dos primeiros esboços até os últimos trabalhos, tornam essa visita altamente recomendada para quem passa por Amsterdã.
Serviço:
- Museu Van Gogh, Museumplein 6, 1071 DJ, Amsterdã.
- Aberto diariamente, geralmente das 9h às 18h, horários variam conforme a época do ano.
- Ingressos devem ser comprados antecipadamente pela internet, não há venda no local.
- Audioguia disponível em vários idiomas, incluindo português.
Aluguel de carro
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