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Istambul e Capadócia: um roteiro pela Turquia

Istambul e Capadócia: um roteiro pela Turquia

Em uma viagem por Istambul e pela Capadócia, o visitante absorverá sensações de um país que se divide entre Ocidente e Oriente

Por Cristiane Sinatura

Turquia

Dervixes rodopiam como que em transe. Orações ecoam das mesquitas. Vendedores cheios de lábia negociam entre tacinhas de chá de maçã. Balões tomam os céus logo cedo, sobrevoando paisagens insólitas. Receitas centenárias ganham vida em pratos perfumados. Essas são só algumas das memórias que um visitante traz consigo depois de conhecer a Turquia, passando por Istambul e pela Capadócia.

Ponte de Gálata

Ponte de Gálata (foto: shutterstock)

Iniciamos o roteiro por Istambul. Tão logo o Sol nasce, um canto melódico convoca os fiéis para a primeira oração do dia. Aliás, é impossível ficar indiferente ao som que ecoa das mesquitas cinco vezes por dia em toda a cidade, como manda o islamismo.

Por mais que Istambul se modernize, a religião ainda é um aspecto marcante e tocante em sua personalidade única. Até mesmo a localização geográfica lhe é peculiar: com um pé na Europa e outro na Ásia, ela é a única cidade no mundo a se dividir entre dois continentes, às margens do Estreito de Bósforo. Ou seja, aqui, o islamismo e a ocidentalização caminham de mãos dadas. Aliás, isso tudo sem ofuscar o passado glorioso da antiga Constantinopla, capital cristã do Império Bizantino.

Ponte do Bósforo

Ponte do Bósforo (foto: shutterstock)

Roteiro Istambul e Capadócia: começando por Istambul

O melhor lugar para entender o passado é o bairro de Sultanahmet (ou Cidade Velha), pois é ali onde fica o maior número de atrações históricas da porção europeia. Na Basílica de Santa Sofia, tem-se uma boa dimensão dos contrastes. O nome, na verdade, não tem nada a ver com santos – em grego, Hagia Sophia quer dizer Sagrada Sabedoria.

A basílica foi erguida por ordem do imperador Justiniano I no século 6º para firmar o poder do cristianismo. Nos anos 1930, virou museu como forma de preservar sua importância para cristãos e muçulmanos, sem conflitos. Aliás, hoje, reproduções das antigas pinturas bizantinas convivem lado a lado com inscrições islâmicas nas paredes do templo, como os painéis que trazem os nomes de Alá, Maomé e dos quatro califas.

Além disso, é interessante observar o Omphalion, um mosaico desenhado mais ou menos na parte central do chão. Ele marca o local onde aconteciam as coroações dos imperadores bizantinos. E, aqui, uma curiosidade: entre os pilares da basílica, a chamada Coluna dos Desejos provoca pequenos aglomerados de turistas. Tudo por causa de um buraco rodeado por placas de bronze onde, dizem, quem enfia o dedo e gira em sentido horário tem seus desejos realizados.

Basílica de Santa Sofia

Basílica de Santa Sofia (foto: shutterstock)

Mais atrações históricas

Perto dali, com entrada à parte, está a Cisterna da Basílica, um antigo e monumental reservatório de água construído no século 6º. E como se a Santa Sofia já não surpreendesse o bastante, basta atravessar a praça em frente para se impressionar um pouco mais.

Essa praça, aliás, corresponde ao antigo Hipódromo de Constantinopla, adornada com um obelisco egípcio de 1.500 a.C. Do outro lado dela, encarando a basílica, ergue-se a Mesquita Azul. Atualmente, os horários de reza são anunciados de um sistema automático, que pode ser ouvido em toda a Cidade Velha, com as demais mesquitas ecoando ao redor.

Por dentro, mais ostentação

As paredes são forradas de azulejos produzidos artesanalmente na região de Iznik, todos de cor azul – por isso o nome da mesquita. Mais de 50 tipos de tulipas estão representados nos azulejos. São as flores também que estampam o enorme tapete vermelho. Turistas podem visitar seu interior, desde que fora dos horários de prece.

Além disso, também devem estar vestidos de acordo: decotes, saias curtas, bermudas, calças justas, calçados e cabelos femininos à mostra são proibidos. Lenços são fornecidos gratuitamente na entrada, bem como sacos para os sapatos.

Mesquita Azul (foto: shutterstock)

Palácio Topkapi

O Palácio Topkapi, erguido à beira do Bósforo no século 15, serviu de moradia oficial dos governantes otomanos por 300 anos. O complexo hoje é um museu com acervo de armaduras, joias, tesouros, vestimentas e outros itens sultanescos.

Também estão expostas relíquias sagradas, como um fio da barba do profeta Maomé, suas espadas, seu manto e até um dente. Além disso, os cômodos preservam parte da decoração original, especialmente no setor do harém. Com ingresso pago à parte, essa área privativa onde o sultão vivia exibe tapetes, vitrais, azulejos, murais, lareiras, camas e sofás. Aliás, audioguias podem ser alugados para facilitar a visita.

Palácio Topkapi

Palácio Topkapi (foto: shutterstock)

Conheça os mercados de Istambul

Uma caminhada pelo centro histórico não estará completa sem uma boa passada em um dos endereços mais interessantes de Istambul: o Grande Bazar. É possível encontrar coisas muito autênticas nesse enorme mercado coberto, formado por quatro mil lojas.

À venda, há artesanatos, pashminas, tapetes, narguilés, joias, objetos de decoração, luminárias, louças… Mas, nada (ou quase nada) sai pelo preço anunciado. Os vendedores estão sempre prontos para uma prosa e para uma negociação. Arriscam-se no inglês, no espanhol e até no português. Ou seja, pechinchar faz parte do negócio.

Sem abordagens intimidadoras e menos tumultuado, o Bazar de Especiarias (ou Mercado Egípcio), a 800 metros de distância, é a meca dos aficionados por comida. Portanto, ali, você encontra barracas abarrotadas de favos de mel, nozes, pistache, frutas secas, pimentas, açafrão e uma série de outros temperos.

Luminárias no Grande Bazar

Luminárias no Grande Bazar (foto: shutterstock)

Dicas de gastronomia em Istambul

Foi à beira do Estreito de Bósforo que tive meu primeiro contato com a sensacional cozinha turca, uma fusão de influências mediterrâneas e asiáticas. E foi em grande estilo: no restaurante Tugra, do Çiragan Palace, hotel que ocupa um antigo palacete de veraneio dos sultões.

O menu é essencialmente otomano. As entradinhas turcas conhecidas como meze incluem charutinhos de folha de uva, kaftas e quibes. Elas abrem alas para o testi, uma caçarola de cordeiro com tomates, batatas e cogumelos.

Já a gastronomia moderna é a promessa bem cumprida do restaurante Mikla, na cobertura do Marmara Pera Hotel. Certamente a mistura de ingredientes típicos com toques escandinavos resulta no que muitos críticos elegem como um dos melhores restaurantes da cidade.

Rua Istiklal Caddesi

Rua Istiklal Caddesi (foto: shutterstock)

Comida de rua

Mas a mesa turca não gira em torno de restaurantes refinados apenas. Ela pode e deve ser desbravada nas ruas: o onipresente döner kebab, nosso popular “churrasquinho grego”, é paixão nacional e pode ser encontrado especialmente na Istiklal Caddesi, uma das principais ruas de Istambul.

Os bairros de Beyoglu e Besiktas, áreas modernas da porção europeia e separadas do centro histórico pelo estreito conhecido como Chifre de Ouro, se interligam por um cartão-postal da nova Istambul: a Ponte de Gálata, de dois andares, com lojas e cafés na parte inferior.

Além disso, do seu entorno saem os barcos e as balsas que, percorrendo as águas do Bósforo, rendem um bom city tour. Afinal, nesses passeios é possível avistar antigas mansões, a Rumelihisari e a Torre de Gálata. Certamente um retrato fiel da Turquia.

Seguindo de Istambul para a Capadócia

Debaixo da terra ou bem acima dela, a Capadócia é bem diferente de Istambul. Certamente a disputa pelo que é mais impressionante na região é acirrada: de um lado, o sobreevoo de balão por uma paisagem surreal; do outro, a visita às cidades subterrâneas. Mas, a certeza é uma só: aqui, no coração da Turquia, natureza e homem trabalharam em conjunto para construir algo ao mesmo tempo lindo e funcional, intimidante e deslumbrante.

Göreme

Göreme (foto: shutterstock)

Como ir de Istambul para a Capadócia

Para chegar na Capadócia, as cidades de Kayseri e Nevsehir recebem voos de Istambul, que duram uma hora e meia, em média. Para montar base, as melhores são Nevsehir e Göreme, que se aproveitam da proximidade com os principais atrativos turísticos e da boa estrutura de restaurantes, agências, lojas e hotéis.

As cidades estão incrustadas nas pedras, em meio a um conjunto impressionante de vales, fendas, cânions e rochas esculpidas. Começou quando, há milhares de anos, sucessivas erupções vulcânicas cobriram tudo de lava. Os habitantes talhavam abrigos nas pedras, formando cavernas que, atualmente, dão lugar a residências, lojas, restaurantes e hotéis.

É o caso do hotel Argos, na cidade de Uçhisar, que restaurou um antigo mosteiro cavernoso para formar 51 acomodações. Por ali, outra referência é o luxuoso Museum Hotel, cujos 30 quartos-caverna são decorados com obras de arte e antiguidades. Aliás, mesmo quem não é hóspede pode experimentar uma refeição tradicional em seu restaurante Lil’a, em que brilham as preparações de cordeiro. Tudo isso aos pés do Castelo de Uçhisar, um massivo bloco de pedra no ponto mais alto da região, antes usado como fortaleza.

Museum Hotel

Quarto do Museum Hotel (foto: shutterstock)

Capadócia: do céu à terra  

O Parque Nacional de Göreme é uma ótima amostra do que há de mais impressionante na região, tombado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco. O pedaço batizado de Museu a Céu Aberto concentra dezenas de monastérios, igrejas e abrigos do período bizantino (séculos 9º a 12), cavados na rocha.

Na igreja de Yilanli, por exemplo, destaca-se a representação de São Jorge, nascido na Capadócia no século 3º. Na imagem, ele luta não contra um dragão, mas contra uma serpente.

Além das caminhadas, os vales da região se permitem ser explorados também em cavalgadas. Mas é visto de cima que o cenário se mostra ainda mais inacreditável.

Voando de balão pela Capadócia

Os passeios de balão são o ponto alto e, certamente, a melhor forma de entender a dimensão da paisagem. Como depende do clima, só na hora de decolar é que dá para saber se os voos vão acontecer mesmo. Por isso, não é bom fazer passagens apressadas pela Capadócia. Então preveja tempo extra caso a primeira tentativa de balão não dê certo.

A cidade de Göreme é base para grande parte dos sobrevoos, que acontecem com o Sol ainda nascendo. Portanto, prepare-se para acordar por volta das 4h da manhã. Os cestos comportam até 24 pessoas, mas há opções que levam menos gente ou até mesmo saídas privativas.

O roteiro descortina paisagens absurdas, como o Vale do Amor, o Vale dos Monges e o Vale dos Pombos. O voo dura cerca de uma hora e os passageiros brindam a experiência com espumante.

É claro que nada se compara à vista lá do alto. Mas há ótimos mirantes espalhados pela região de Göreme. Entre os mais populares está o Göreme Panorama, rodeado de lojinhas e cafés.

Voo de balão na Capadócia

Voo de balão na Capadócia (foto: shutterstock)

Explorando as cidades subterrâneas

A Capadócia tem várias cidades escondidas, como Kaymakli, a 25 quilômetros de Göreme. Ela teve origem com o povo hitita, mas foi como esconderijo de cristãos, entre os séculos 6º e 9º, que se deu o maior desenvolvimento das galerias. Aliás, ao todo são cem quilômetros de extensão.

Atualmente, quatro dos oito níveis estão abertos para visitação, revelando cômodos a 20 metros abaixo da superfície. Sendo assim, vale dizer que lá embaixo é frio e um tanto claustrofóbico, então nem todo mundo encara o tour subterrâneo.

Mas, outro programa clássico da Capadócia é a cerimônia dos dervixes rodopiantes. Céu e terra são os protagonistas desse ritual. Os religiosos dançam em círculos, como que em transe, por quase uma hora ao som de cânticos entoados em árabe.

O Saruhan Caravanserai é um dos endereços mais tradicionais na região para assistir a essa experiência. Muitos dizem ser transcendental. Afinal, na Capadócia, assim como na Turquia em geral, o céu é o limite. Você certamente terá uma viagem inesquecível unindo Istambul e Capadócia no roteiro.

 

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