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Eslovênia: Liubliana, Bled e outros 5 destinos para conhecer nos Bálcãs

Eslovênia: Liubliana, Bled e outros 5 destinos para conhecer nos Bálcãs

Autêntico, barato e com paisagens desconcertantes, o país é a esticada perfeita para encaixar com roteiros pela Croácia, Áustria e Itália

Por Natalie Soares

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A facilidade de ir de um país a outro justifica a dobradinha certeira que é casar CroáciaÁustria ou Itália com uma viagem pela Eslovênia. Para ter uma ideia, apenas duas horas de trem separam Zagreb da capital eslovena Liubliana (a passagem é razoável, beirando os € 25). De Viena, são três horas e meia, e de Veneza, quatro. É rápido, é fácil, é logo ali.

Espremida entre a Croácia e a Áustria, a Eslovênia faz parte da União Europeia e viu sua história, ao longo dos séculos, ser construída entre os ciclos de dominação do Império Romano, do Império Austro-Húngaro e, por fim, da República Socialista da Iugoslávia – tornando-se independente em 1991. Jovem, segura e cheia de personalidade, a capital Liubliana é um reflexo dos novos tempos – e é por ela que a viagem começa.

Com os pés no país, reserve pelo menos cinco dias para perder-se entre lagos, cachoeiras, praias, cidades históricas e picos nevados. É uma ótima opção para quem gosta de roteiros de carro – as estradas são boas, as sinalizações, compreensíveis, e o trânsito, tranquilo. Os postos de gasolina funcionam num esquema self-service e as principais atrações costumam ter estacionamentos próprios. Os preços convidativos dos passeios e restaurantes mostram que dá para ser feliz por ali gastando pouco.

 

A capital Liubliana: entre dragões e cervejas

 

Diz a lenda que um herói grego chegou acidentalmente à cidade e logo entrou numa batalha com o monstro que vivia no Rio Liublianica. A criatura, conhecida como o Dragão de Liubliana, acabou se tornando o simpático símbolo da capital, presente hoje no alto do castelo, na Ponte do Dragão (Zmajski Most) e em todas as lojinhas de suvenires dali.

 

Rio Liubliana

Rio Liubliana (foto: shutterstock)

 

Vale a pena subir de bonde elétrico até o castelo e olhar, lá de cima, os telhadinhos dos prédios centrais que misturam elementos do antigo barroco, da art nouveau e das obras marcantes de Joze Plecnik, o arquiteto esloveno que ajudou a construir a identidade moderna da capital.

Compacta, ela pulsa em seu centrinho histórico apinhado de pequenos restaurantes, cafés e bares. O mercado municipal e o mercado de pulgas, que acontece aos domingos à beira do canal, são dois ótimos e saborosos programas. As filas da padaria e da loja de iogurte não me deixam mentir.

 

Cafés em Liubliana

Cafés em Liubliana (foto: divulgação)

 

Quem gosta de cerveja se esbalda por ali. Vários bares vendem a produção de microcervejeiros que querem resgatar as raízes da bebida no país. Um bom exemplo é o bar Lockal, que fica perto da Ponte do Dragão. Uma cervejinha vai bem também acompanhando a típica linguiça da Eslovênia, a carniolan, servida acompanhada de raiz forte, mostarda e pão escuro. O restaurante Klobasarna ostenta o certificado de preparar o prato da sua maneira tradicional.

 

Lago Bled: cenário de sonhos

 

Principal cartão-postal do país, o Lago Bled, a 57 quilômetros de Liubliana, merece todos os adjetivos apaixonados que recebe. Envolto pelos Alpes Julianos, ele reflete a beleza idílica e singela da região, emoldurando a igrejinha dedicada a Nossa Senhora da Assunção.

 

Lago Bled

Lago Bled (foto: shutterstock)

 

Para chegar até ela, situada em uma ilhota bem no meio do lago, é preciso embarcar em uma pletna, barquinho de madeira que navega por essas águas desde 1590. A tradição é tão importante que o título de remador, o responsável por levar os turistas entre as margens do lago e a escadaria da igreja, é passado de pai para filho. Depois de desembarcar no centro do lago e subir as escadarias, é a vez de puxar três vezes a corda que toca os sinos centenários. Dizem que isso traz boa sorte.

Outra atração é o Castelo de Bled, do século 11, encravado em uma montanha rochosa. Abalado por um forte terremoto, foi restaurado e ainda preserva suas principais características. Era ali que os antigos adoravam Zhiva, deusa da fertilidade e do amor. Por esse motivo, tornou-se reduto de casais apaixonados que podem realizar a cerimônia de casamento no topo do castelo, com uma vista perfeita para as montanhas de Caravanche e a planície de Gorenjska.

 

Castelo Bled

Castelo Bled (foto: shutterstock)

 

E as montanhas são um terreno fértil para caminhadas e passeios ao redor do lago. Três trilhas de fácil acesso estão disponíveis gratuitamente para quem deseja explorar mais a região: Straza, Ojstrica e Osojnica. Assistir ao entardecer do alto dessas colinas com a luz do sol refletindo na água é daqueles momentos difíceis de esquecer.

 

Parque nacional de Triglav: verde para todos os lados

 

Vintgar Gorge

Vintgar Gorge (foto: shutterstock)

 

Não sei se é um misto de filme de ficção com um livro de contos encantados, mas a verdade é que a beleza do Parque Nacional de Triglav desafia qualquer paleta de cores. Ele é o único parque nacional da Eslovênia, fica a sete quilômetros de Bled e abriga a montanha mais alta do país, também chamada de Triglav (2.864 metros de altitude). Segundo contam, todo esloveno deve fazer a trilha até o topo pelo menos uma vez na vida. Para nós, turistas, o prêmio por estarmos ali é sermos recebidos com paisagens surreais e ainda termos a possibilidade de praticar um menu variado de atividades, como caiaque, rafting, stand up paddle, trilhas a pé ou de bicicleta. No inverno, a paisagem muda completamente – sai o verde e entram o branco da neve e atrações como caminhadas com raquete de neve, esqui e escalada no gelo. A cachoeira de Pericnik, na face norte do Triglav, é outra bela surpresa, com a possibilidade de caminhar por trás da queda d’água.

E quando achar que tudo não poderia ficar mais bonito, prepare-se para encarar o Vintgar Gorge – um enorme desfiladeiro aberto há mais de cem anos. Passarelas de madeira percorrem seus dois quilômetros de extensão e deixam o turista cara a cara com o paredão rochoso. Para completar os atrativos desse parque inigualável, vale vencer os 300 degraus morro acima para chegar até o mirante da cachoeira de Savica. São 78 metros de queda d’água cristalina.

 

Cachoeira de Savica

Cachoeira de Savica (foto: shutterstock)

 

Para ir da cachoeira ao alto da montanha, a escolha é pelo teleférico. Ele dá acesso também à montanha Vogel, um importante centro de esqui da região – nos meses mais quentes do ano, funciona como um mirante.

 

Postojna: viagem ao centro da terra

 

A parada seguinte foi diferente dos belos cenários naturais com que a Eslovênia nos presenteia. Em Postojna, são as cavernas e os passeios subterrâneos que fazem sucesso. São 24 quilômetros de passagens que formam a segunda maior caverna do mundo e a mais visitada da Europa. Atualmente, cerca de dez quilômetros estão abertos, mas apenas cinco deles podem ser visitados ao longo do percurso turístico que envolve um trecho feito em trenzinho e outro caminhando ao lado de um guia do próprio parque.

 

Caverna em Postojna

Caverna em Postojna (foto: shutterstock)

 

É até difícil acreditar que dentro de toda aquela escuridão vivem 150 tipos de animais. E por falar em breu, em 1884, Postojna já tinha sua própria iluminação elétrica, ou seja, a luz por ali chegou antes mesmo que em muitas capitais europeias. Logo em seguida, em 1899, foi a vez de a região ganhar a única estação de correios subterrânea no mundo – e que funciona até hoje.

 

Predjama: a história do Robin Hood esloveno

 

Predjama

Predjama (foto: shutterstock)

 

Como todo bom conto de fadas, não poderia faltar um castelo. O Castelo Predjama tem uma forma muito curiosa por ficar encravado
dentro de uma montanha a apenas dez quilômetros de Postojna e com acesso exclusivo a uma caverna com 14 quilômetros de passagens ocultas. Aqui foi a casa do rebelde cavaleiro Erazem Predjamski, um barão ladrão que chegou a ser comparado com o personagem britânico Robin Hood por ter saqueado alguns feudos da região. Seus opositores fizeram um cerco ao castelo e armaram várias emboscadas para obrigá-lo a sair, mas Erazem se escondeu nas cavernas. Ele viveu um longo período ali, até que a traição de um de seus conhecidos acabou selando seu destino.

 

Piran: de cara para o Mar Adriático

 

Farol de Piran

Farol de Piran (foto: divulgação)

 

Nem a chuva que insistia em cair, nem o GPS que me levava para o lugar errado conseguiram tirar a magia de Piran – cidade conhecida como a pérola da costa eslovena. Ruas estreitas, casario de pedra, roupas penduradas no varal e flores nas portas: a vida por ali passa em outro tempo, um tempo mais devagar. Caminhar sem rumo pelas ruelas antigas é um convite ao descanso. Escolha um restaurante
com vista para o mar e fique ali, hipnotizado pelo azul do Adriático.

Suas ladeiras e seu calçadão à beira-mar lembram a Itália, o que lhe confere o apelido de “pequena Veneza”. Tanto que a torre da Paróquia de São Jorge, do século 14, imita a de São Marcos, cartão-postal da cidade italiana.

Para trazer uma recordação para casa, nada melhor do que o sal de Piran, um produto com denominação de origem protegida, feito há mais de 700 anos. A loja Soline fica no coração da praça e vende muitas variações desse item precioso da cozinha.

 

Maribor: a parreira mais antiga do mundo

 

Quase na fronteira com a Áustria, Maribor é a segunda maior cidade da Eslovênia e é conhecida pela sua combinação entre o clima de cidade universitária e uma curiosa tradição de vinicultura. Em nada lembra a capital Liubliana, mas encerra muito bem um enxuto roteiro pelos principais cartões-postais do país.

Maribor ainda carrega traços de seu passado impiedoso: a peste dizimou um terço de sua população no século 14, e durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade foi parcialmente destruída. O plano de reconstrução, aplicado pelo presidente Tito da Iugoslávia, trouxe ares de concreto acinzentado, como em muitos países que fizeram parte da União Soviética.

 

Maribor

Maribor (foto: divulgação)

 

Entre tantos sobressaltos, a cidade entrou para o livro dos recordes por abrigar a parreira mais antiga do mundo. Com mais de 400 anos, ela fica no centro histórico, em frente ao diminuto e gratuito museu The Old Vine House, na margem do Rio Drava. Até hoje, produz uma pequena quantidade de uvas, que originam o vinho mais emblemático da região. As raras garrafas não estão à venda, elas são dadas ao prefeito da cidade, que as entrega como presente em ocasiões especiais.

O The Old Vine House também é um bom lugar para degustar os vinhos locais, alguns feitos com as uvas típicas Zametovka e Modra Kavcina. Vale esticar o passeio até a adega Vinag e contratar o tour com direito a degustação no final. A cava é enorme e cheia de histórias – são mais de 20 mil metros de túneis. Na hora de ir embora, vale a pena comprar umas garrafas e levar o sabor, o aroma e parte da história da Eslovênia para casa.

 

Colheita no Old Vine Festival

Colheita no Old Vine Festival (foto: divulgação)

 

Todo dia 11 de novembro, Maribor celebra a festa de São Martinho. O evento marca o fim do Old Vine Festival e comemora a história do santo padroeiro dos produtores de vinho. É uma data especial para aproveitar e conhecer mais sobre a bebida oficial da região.

 

 

Onde se hospedar na Eslovênia?

Liubliana

Hotel Park
A cinco minutos da Ponte do Dragão, possui 207 quartos básicos.

Bled

Vila Preseren
A propriedade fica em um antigo casarão e tem oito quartos com vista sensacional para o Lago Bled.

Piran

PachaMama
No centro histórico, tem apenas 12 quartos em um pequeno prédio sem elevador.

Maribor

Hotel City Maribor
A poucos metros do Rio Drava, tem 78 quartos e é considerado um dos melhores da cidade.

 

 

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