Em uma viagem de sete noites por Espanha, França, Itália e Malta, conhecemos o MSC Splendida, navio recém-modernizado que chega à América do Sul na temporada 2026/2027, com embarques no Rio de Janeiro e em Buenos Aires.


Cheguei ao porto de Barcelona na manhã de 10 de maio. O check-in foi rápido e, às 14h, eu já almoçava no Bora Bora Buffet, no deck 14, com vista para o porto. Era a segunda vez que eu embarcava no MSC Splendida. O navio da classe Fantasia passou por uma reforma recente e vai operar na América do Sul na temporada 2026/2027, a partir de novembro, com embarques no Rio de Janeiro e em Buenos Aires.


A viagem serviu justamente para ver de perto como está o navio que muitos brasileiros vão conhecer nos próximos meses. Em operação desde 2009, o Splendida tem 333 metros de comprimento e capacidade para cerca de 4,3 mil hóspedes.
O roteiro de sete noites partiu de Barcelona e voltou à cidade no fim da viagem. As escalas foram:
- Marselha, na França
- Livorno, na Itália, porta de entrada para Florença e Pisa
- Cagliari, na Sardenha
- Palermo, na Sicília
- Valletta, capital de Malta
Foram cinco escalas em três países, além da Espanha.
Fiquei na cabine 9225, categoria Balcony, no deck 9. Na chegada, havia uma cesta de frutas e duas garrafas de espumante, cortesia do MSC Voyagers Club, o programa de fidelidade da companhia. O cadastro é gratuito e pode ser feito antes de fechar a viagem, o que já garante desconto na reserva.


Com cerca de 19 m², a cabine tem cama de casal, sofá que vira cama (útil para quem viaja com filhos), mesa de trabalho, frigobar, TV, banheiro espaçoso e varanda com duas espreguiçadeiras.


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Um navio para conhecer antes de sair do porto
O MSC Splendida tem 137.936 toneladas, 333 metros de comprimento e capacidade para mais de 4.300 hóspedes, atendidos por uma tripulação de aproximadamente 1.370 pessoas. São 1.637 cabines distribuídas em 18 decks, incluindo 43 preparadas para hóspedes com necessidades especiais.
Números que ajudam a entender o tamanho, mas que na prática se traduzem em algo mais simples: dá para passar sete dias sem repetir experiência tranquilamente.
O centro social do navio é o atrium, entre os decks 5 e 7. Colunas em mármore bordô sobem até um teto alto, elevadores panorâmicos cortam o espaço verticalmente, um piano de cauda da conta do recado no início da noite, assim como algumas festas durante a viagem ocorrem ali e as tradicionais escadas com cristais Swarovski, dão o toque especial.


A parte de piscinas fica concentrada no deck 14. Há uma piscina interna com teto retrátil, decorada com mosaico verde-azulado e jacuzzis nas laterais e uma externa mais na região central do Splendida. Uma outra piscina, localizada na popa do navio, um pouco mais tranquila e reservada, tem revestimento em mosaico colorido de inspiração Gaudí e vista aberta para o mar.




Nos dias mais quentes do roteiro, essas áreas são as mais disputadas do navio.
Gastronomia a bordo
Na parte gastronômica, o Splendida trabalha com dois restaurantes principais, La Reggia e Villa Verde, onde são servidos o café da manhã e jantares mais formais da viagem em sistema a la carte, além dos restaurantes de especialidades cobradas à parte e que são uma ótima opção para diversificar um pouco.


Almocei no Butcher’s Cut, a steakhouse do navio e a experiência resume bem o padrão da casa, ostras Rockefeller, mini-hambúrgueres de wagyu, filet mignon grelhado com tomates assados, fechando com um cookie quente de amendoim e chocolate.


O cardápio trabalha com carne Angus certificada e menu fechado a 55 euros, no meu caso, por ser membro Diamond do MSC Voyagers Club eu tenho um almoço ou jantar em um dos restaurantes de especialidade. Para quem busca algo mais leve, o Sea Pavilion foi remodelado recentemente e hoje serve cozinha asiática contemporânea centrada em hot pot. Após o jantar, o espaço da lugar a boate do Splendida.
Entretenimento do MSC Splendida
O entretenimento cobre praticamente todos os perfis de público. O Teatro tem dois níveis de plateia e recebe apresentações ao vivo todas as noites, é importante você sempre reservar o seu horário para assistir aos espetáculos nos totens espalhados pelo navio.


O Cassino Royal Palm funciona ao lado da Piazzetta, com máquinas caça-níqueis e mesa de roleta. Para quem viaja com crianças ou só quer se distrair, há uma pista de boliche, sala de arcade e o MSC Formula Racer, um simulador de F1 com estrutura própria e telas panorâmicas. No deck 16 fica a MSC Arena, quadra poliesportiva coberta e com excelente dimensão, voltada para o mar.




O kids Club é um espaço de recreação gratuito dividido por faixas etárias entre 0 e 17 anos), com atividades supervisionadas por monitores especializados e parcerias com Chicco e Lego.




Shopping no navio?
Para quem curte ir as compras, o Splendida conta com diversas opções de compras, incluindo a MSC Logo Shop, com roupas, acessórios e produtos oficiais da MSC, o Duty-Free, com bebidas, perfumes e cosméticos, a La Galleria, especializada em joias e relógios e a Cosmetic Shop, voltada para produtos de beleza.




Os passageiros também encontram uma galeria de arte, uma loja de fotografia com as fotos oficiais do cruzeiro, a Pool Shop, com itens para piscina e praia, uma loja de doces, com chocolates e guloseimas e um balcão dedicado ao MSC Future Cruise, onde é possível reservar a próxima viagem ainda a bordo com condições especiais.
MSC Yacht Club
Desta vez não me hospedei no MSC Yacht Club, mas no Splendida ele está localizado na proa, funciona como um navio dentro do navio, com recepção própria, 71 suítes, mordomo 24 horas, restaurante exclusivo e deck de piscina reservado. É a opção de quem procura mais tranquilidade e sofisticação durante a viagem.
Depois de uma semana explorando decks, restaurantes e a estrutura do navio, agora vem a parte que torna a viagem ainda mais especial, as paradas. Um cruzeiro pelo Mediterrâneo funciona como uma nova experiência a cada dia e foi assim em cada um dos cinco portos do roteiro.
Nosso roteiro
Marselha, o primeiro porto
Marselha recebeu o navio numa manhã de céu limpo e optamos pelo city tour tradicional oferecido pelo navio. Começamos pelo Monumento aos Heróis do Oriente, na península do Pharo, de frente para o mar.


Dali seguimos direto para a subida até a Notre-Dame de la Garde, no ponto mais alto da cidade. A basílica tem uma torre em pedra listrada e um mirante com vista de 360 graus, de onde dá para ver as Îles du Frioul no horizonte e toda a cidade estendida até o mar.




Descemos até o bairro do Panier, o mais antigo de Marselha, com ruas estreitas em ladeira e fachadas cobertas de arte urbana. No meio do bairro fica a Vieille Charité, antigo hospício hoje transformado em espaço cultural, com uma cúpula que se destaca do resto da arquitetura ao redor.
A pé, seguimos para o Vieux-Port, com os veleiros ancorados e a Notre-Dame de la Garde de volta no campo de visão, agora vista do nível do mar, no alto do morro. Antes de voltar ao navio, uma caminhada a beira mar repleta de bares e restaurantes, com direito a parada em uma loja tradicional de sabonetes de Marselha. Não deixe de sair de lá sem um deles.
Livorno, com Florença e Pisa no mesmo dia
Livorno funciona como porta de entrada para a Toscana, foi a minha segunda vez aqui, na primeira, optei em conhecer Cinque Terre, é uma excelente opção que vale a pena se considerar.
Desta vez, fiz o trajeto de ônibus direto até Pisa para começar o dia. A Piazza dei Miracoli reúne o Batistério, o Duomo e a famosa torre inclinada no mesmo gramado, todos em mármore branco. Vale a pena dedicar um tempo para caminhar pelas ruas ao redor, ótimos bares, cafés e restaurantes.


Essa também é a minha segunda vez em Pisa e deixo a dica para que você comece o seu roteiro por aqui, no período da manhã é bem mais tranquilo que no final do dia.
Seguimos para Florença, cerca de uma hora de viagem a partir de Pisa. Nossa chegada foi pela Piazzale Michelangelo, à primeira vista da cidade já mostrava a cúpula do Duomo dominando o horizonte, com o rio Arno cortando a paisagem lá embaixo.


Descemos até a margem do rio para ver a tradicional Ponte Vecchio de perto, com as construções coloridas erguidas sobre os arcos originais.


Entramos no centro histórico pela Piazza Santa Croce, com a fachada em mármore da basílica, seguimos até a Galleria degli Uffizi, cujo pátio interno já dá uma ideia do acervo que abriga, com estátuas de personalidades florentinas emolduradas entre colunas. A Piazza della Signoria, com o Palazzo Vecchio e sua torre com relógio, ficou como ponto de passagem obrigatório, assim como a réplica do David na entrada do palácio.
Vale um adendo para quem for visitar Florença, essa réplica marca o local onde a estátua original ficou por séculos, mas o David de verdade, esculpido por Michelangelo, está hoje na Galleria dell’Accademia, a uma curta caminhada dali. Vale a pena visitar, não esqueça de adquiri o ingresso com antecedência.
O almoço foi numa trattoria toscana no centro histórico, aquelas que você descobre, do nada, sem indicação. Viver a experiência gastronômica durante as paradas do navio é um dos pontos altos da viagem.
Além de conhecer o essencial de uma cidade, você ainda se senta para comer comida local de verdade, sem pressa. Fechei o dia com um gelato artesanal, enquanto andava pelas ruas estreitas perto do Duomo.
Em Livorno, minha indicação é que você opte pelo passeio contratado direto no navio. As distância não são longas, mas a logística não é tão simples e é fácil se perder na hora, por isso, estar em um passei contratado, garante que você não perca o retorno ao navio no horário correto.
Cagliari, praia e centro histórico
Em Cagliari, a manhã foi dedicada à praia. Fomos ao Emerson Beach Club, no litoral do Poetto, com estrutura em madeira e vidro de frente para o mar. A água tem um tom turquesa que contrasta com os penhascos verdes ao fundo.


Acabamos ficando por ali mais tempo do que planejado, o que deixou pouca margem para explorar o centro histórico com calma. Sugiro você fazer esse passeio apenas se estiver muito calor para aproveitar a estrutura do Beach Club.


Para quem prefere reservar o dia inteiro para a cidade, vale saber onde concentrar o roteiro. O coração histórico de Cagliari é o bairro Castello, murado e erguido no alto de uma colina, com vista para o porto e o Mediterrâneo.
Ali fica a Catedral de Santa Maria, do século XIII, com fachada de detalhes barrocos e uma cripta. As Torres dell’Elefante e di San Pancrazio completam as fortificações medievais e o Bastione di Saint Remy funciona como um terraço amplo, bom para parar num café com vista panorâmica.


Fomos direto do beach club para o bairro da Marina, mais informal que o Castello, com fachadas coloridas e restaurantes anunciando pratos tradicionais nas portas, como culurgiones e fregola. É uma boa região para caminhar sem roteiro fixo e pouco tempo antes de voltar ao navio.
Monreale antes de Palermo
O dia começou em Monreale, cidade pequena no alto de uma colina, com ruas tranquilas e bem cuidadas, um charme. A Catedral de Monreale é o motivo principal da visita. Por fora, duas torres emolduram um portal com arcos entrelaçados. Por dentro, mosaicos bizantinos cobrem praticamente cada centímetro das paredes.


Um detalhe vale registrar. No fundo do salão principal existe um totem onde é possível colocar 2 euros para acender as luzes internas da igreja por um minuto. Quem está lá dentro sem saber da mecânica reage com um som de espanto quando as luzes se acendem de repente, revelando os mosaicos dourados em detalhe. Vale muito a experiência, leve moedinhas.
De Monreale seguimos para Palermo, cidade movimentada, com ruas centrais tomadas de gente mesmo em dia de semana. Passamos pela Porta Nuova, arco renascentista que marca a entrada do centro histórico e de lá fomos direto até a Catedral de Palermo, com suas torres em estilo normando-árabe que misturam influências de diferentes períodos da cidade.


Seguimos até a Piazza Pretoria, com sua fonte cercada de estátuas de mármore, o Palazzo delle Aquile ao fundo e muitos artistas de rua. Os Quattro Canti, praça octogonal com fachadas barrocas simétricas nos quatro cantos, ficam a poucos minutos dali e fecham o roteiro pelo centro histórico.


Antes de voltar ao navio, paramos para comer um cannoli siciliano de verdade, recheado de ricota fresca com cereja e casca de laranja cristalizada. É a sobremesa mais associada à ilha, e comê-la ali, na própria Palermo, tem um sabor diferente de qualquer versão encontrada fora da Sicília.
Malta, de barco e a pé
Essa foi a minha terceira vez em Valletta e o dia começou de um jeito diferente, com um passeio de barco pelo Grand Harbour. Da água dá para ver as fortificações douradas das Três Cidades e o próprio MSC Splendida ancorado, com as históricas casas da capital maltesa como pano de fundo.




De volta em terra, seguimos até o Palace Armoury, que reúne uma coleção de armas e armaduras completas da época dos Cavaleiros de Malta. O ponto alto do dia foi a St John’s Co-Cathedral.


O interior contraria completamente a fachada simples de fora, com teto em afrescos dourados e piso de mármore com brasões das diferentes línguas da Ordem. Dentro da própria catedral fica exposta “A Decapitação de São João Batista”, de Caravaggio, a única obra que o artista assinou.
Um painel explicativo ao lado mostra, através de imagens em infravermelho, como o pintor esboçou a composição direto na tela, sem estudos preparatórios.
Fechamos o dia na Auberge de Castille, com canhões na entrada, hoje sede do gabinete do primeiro-ministro maltês e no Upper Barrakka Gardens, mirante emoldurado por um arco de pedra com vista para o porto, perfeito para fotos no final do dia. Bem abaixo do jardim fica a Saluting Battery, de onde soldados em uniformes de época disparam um canhão todos os dias ao meio-dia e às 16h, em direção ao Grand Harbour.


A tradição vem da época dos Cavaleiros de Malta, quando os disparos marcavam a hora para os navios e sinalizavam a abertura e o fechamento dos portões da cidade.
Um dia sem porto
O último dia antes de Barcelona foi de navegação. Sem parada em terra, o ritmo do navio muda. As piscinas ficam mais cheias pela manhã, o MSC Aurea Spa recebe mais movimento e a programação de bordo passa a girar em torno de atividades internas. Aproveitei para andar pelos decks com calma, algo que não tinha feito direito durante a semana corrida de portos.
Foi também o dia em que pude reparar o movimento no MSC Future Cruise. Ali entendi por que tanta gente reserva a próxima viagem ainda a bordo. As condições oferecidas costumam ser melhores do que as encontradas depois, em terra.
De volta a Barcelona
O desembarque aconteceu na manhã de 17 de maio, com a mala já pronta na porta da cabine desde a noite anterior, quando elas são levadas e preparadas para o desembarque. O processo foi rápido, sem filas, malas no local indicado, sem surpresas e terminou com o transfer direto para o aeroporto.
Vale registrar um detalhe sobre o próprio porto. A MSC opera em Barcelona um terminal próprio. A estrutura recebeu certificação ambiental Gold LEED e reúne lojas, sala de espera ampla e um espaço reservado para hóspedes de categorias premium. Desembarcar por ali fecha a viagem com o mesmo padrão que abriu, num terminal pensado para dar continuidade à experiência de bordo até o último minuto em solo espanhol.
Sete dias depois de subir a rampa em Barcelona, desci dela com uma ideia clara do que esperar do MSC Splendida.
O mesmo navio, agora no Brasil
Isso me leva a um dos pontos que motivou essa matéria. O MSC Splendida que naveguei no Mediterrâneo é o mesmo navio que chega à América do Sul na temporada 2026/2027, com embarques no Rio de Janeiro e em Buenos Aires.


Por aqui, o navio vai operar cruzeiros de 8 e 9 noites conectando o Rio da Prata ao litoral brasileiro, com escalas em Ilhabela, Búzios, Ilha Grande, Balneário Camboriú e Buenos Aires. Existem opções de 4, 8 e 9 noites, com embarque tanto no Rio quanto em Buenos Aires, o que a MSC chama de interporting.
Os preços por pessoa começam a partir de R$ 5.233 nos roteiros mais curtos e chegam a partir de R$ 12.443 nos itinerários que incluem mais paradas.
Vale reforçar um ponto sobre o navio em si. O Splendida passou por uma modernização recente, que renovou áreas públicas, cabines e o restaurante do MSC Yacht Club. A estrutura que descrevi ao longo desta matéria, da cabine ao Butcher’s Cut, do átrium ao Aqua Park, é a mesma que vai receber os passageiros brasileiros a partir de novembro.
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