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Um rolê de bike por Berlim

Um rolê de bike por Berlim

Ótima para pedalar, a capital alemã pode (e deve) ser explorada em duas rodas

Por Tarcila Ferro

Enquanto a questão das ciclovias vira um mar de discussões sem fim nas grandes cidades brasileiras, nas metrópoles europeias as bicicletas são cada vez mais valorizadas. Não é para menos, já que só contam pontos a favor: são ecológicas e baratas, ajudam a aliviar os congestionamentos e ainda contribuem para manter a boa forma. Tantas qualidades despertam no turista cada vez mais o interesse em pedalar por aí.

Já aluguei bike em Paris, Zurique e Madri e só tive boas experiências – isso sem contar o choque de civilidade que temos ao ver o respeito que motoristas e pedestres têm com o ciclista. Mas foi em Berlim que a minha história de amor com a bike começou.

Optei por fazer um city tour de bicicleta e foram quase 8 horas em cima da magrela, pedalando cerca de 20 quilômetros por dentro da história. O aluguel foi feito na Berlin on Bike, empresa com vários tipos de tour e diferentes opções de passeio, com preços a partir de € 19.

Com avenidas largas e arborizadas e ciclovias bem sinalizadas, pedalar em Berlim é um senhor passeio. Você tem uma ótima ideia da cidade e consegue decidir o que vai visitar com mais tempo depois, nos outros dias da viagem.

Optei pelo tour individual e fui acompanhada apenas por uma guia. A primeira parada foi no Memorial do Muro de Berlim, bem no centro da capital, no ponto mais histórico da Bernauer Strasse. Trechos do muro foram mantidos em pé para que esse trágico capítulo da história mundial nunca fosse esquecido. No mesmo ponto, o Centro de Documentação de Berlim emociona ao apresentar vídeos das famílias alemães sendo separadas pela barreira de concreto.

A algumas pedaladas dali, as antigas torres de vigia, erguidas em pontos estratégicos do Rio Spree, serviram de sentinelas para que ninguém tentasse escapar de um lado para o outro.

A pedalada continua até a praça Potsdamer, local célebre de manifestações e atos públicos, onde fica o complexo Sony Center, super hi-tech, com diversos escritórios, restaurantes e cinemas.

O famoso Check Point Charlie (foto) é o próximo ponto do roteiro. Um euro dá direto a tirar uma fotinho com o soldado que posa ao lado da bandeira americana. Ali,  foi uma área de grande tensão durante o período da Guerra Fria, mas hoje é um dos pontos mais turísticos da capital. Barraquinhas vendem máscara de gás, algemas e muitas quinquilharias russas.

Check Point Charlie - foto: Shutterstock

Check Point Charlie – foto: Shutterstock

Para descansar as pernas, nada melhor que curtir o clima de praia às margens do Rio Spree. No verão, a “praia” de Berlim é tomada por um mar de espreguiçadeiras, e barraquinhas de sucos e lanches reforçam o clima descontraído e praiano.

De volta à bike fui xeretar a Ilha dos Museus, local aonde voltaria com muita mais calma nos outros dias da viagem, e de lá segui até o Reichstag, o belo parlamento alemão. A fila considerável para entrar e subir até a cúpula de vidro também ficaria para outro dia da viagem.

Pela avenida Under den Linden, cheguei ao Memorial do Holocausto e deixei a a bicicleta por algum tempo para entrar no labirinto de pilares de concreto que simbolizam os judeus mortos durante a Segunda Guerra. De lá as últimas duas paradas: o Portão de Bradenburgo e o parque Tiergarten, um dos mais belos parques da Europa e local perfeito para pedalar em meio aos floridos jardins e frondosas árvores. A verdade é uma só: não dá vontade de devolver a bicicleta.

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