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Praga: a preciosa joia da Europa central

Praga: a preciosa joia da Europa central

Por Paulo Mancha D'Amaro

Com pouco mais de 1,3 milhão de habitantes, Praga é, atualmente, o centro político, econômico e cultural da República Tcheca – país que surgiu após a separação da Eslováquia, com o fim do comunismo, no começo dos anos 1990. Mais do que isso, a cidade é um dos mais belos e surpreendentes destinos turísticos da Europa. A área urbana se divide em dez grandes distritos, mas é em dois deles – Praha 1 e Praha 2 – que ficam as principais atrações, sobretudo as pontes, igrejas, torres e cúpulas douradas que se refletem há mais de dez séculos na superfície do Rio Vltava.

Praga é uma das poucas capitais europeias que sobreviveram quase incólumes à Segunda Guerra Mundial (Paris foi outra). Foi poupada pelos invasores alemães, já que Hitler a desejava como “futura morada”. Vale lembrar que a então capital da Tchecoslováquia ficou seis anos ocupada pelo exército nazista, até o dia 9 de maio de 1945, quando se viu libertada pelas tropas soviéticas – na época, aliadas de americanos, ingleses e franceses.

Igreja de Nossa Senhora de Tyn, ao fundo (Foto: shutterstock.com)

Igreja de Nossa Senhora de Tyn, ao fundo (Foto: shutterstock.com)

Por ironia do destino, os únicos danos vieram em consequência de um bombardeio feito pelos seus próprios aliados: aviões americanos atacaram bairros periféricos por engano, uma semana antes do fim da guerra. Todos os pontos centenários passaram intactos. O comunismo que dominou a Checoslováquia de 1948 a 1989 não fez muito esforço para aproveitar o potencial turístico de lugares tão belos. Mas, por outro lado, teve o mérito de impedir a especulação imobiliária que botou abaixo áreas similares em outros países europeus.

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Exceção foi a reação à grande insurreição anticomunista de 1968 – a Primavera de Praga, que acabou esmagada pelos tanques soviéticos. Marcas do conflito foram imortalizadas na Václavské Náměstí, avenida hoje coalhada de hotéis em estilo art nouveau, restaurantes chiques e lojas de grife. A verdadeira batalha empreendida no final dos anos 1960 é lembrada até hoje, mas não empanou o brilho de locais como o Museu Nacional, um dos mais imponentes prédios da cidade, erguido em 1818.

O que é imperdível

Qualquer roteiro pela cidade começa pelo centro antigo (Staré Město), do qual boa parte foi tombada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Ali fica a Praça do Relógio Astronômico, chamada pelos tchecos de Staromstské Námestí. Não se impressione com os nomes impronunciáveis. Guarde sua surpresa para a beleza das centenas de construções do século 12 e para o próprio relógio astronômico, bem no centro da praça.

Todos os dias, visitantes se aglomeram para apreciar o “espetáculo da hora cheia”, quando o mecanismo faz imagens de santos saírem por uma janelinha para badalar os sinos do relógio. Em seguida, um soldado vestido à moda da Renascença toca a trombeta no alto da torre. Por sinal, dá para subir ao topo. É preciso pagar ingresso e pegar uma fila, mas vale muito a pena, já que de lá se tem uma vista completa de toda a metrópole.

Ponte Carlos (Foto: shutterstock.com)

Ponte Carlos (Foto: shutterstock.com)

A ligação entre o centro e a parte alta da cidade (o chamado Castelo de Praga) é a Ponte Carlos (Karluv Most, em tcheco) – a mais antiga da metrópole, do século 14. Ela cruza o Rio Vltava e apenas pedestres podem desfrutá-la. Assim, fica lotada de artistas e turistas ávidos por fotografar ambas as margens do rio. Uma vez do outro lado, você tem acesso ao Castelo de Praga (Hrad, em tcheco). Apesar do nome, não se trata exatamente de um castelo, mas sim de um complexo de construções antigas dispostas no alto de uma colina. Entre seus destaques está a Catedral de São Vito (Katedrála Svatého Víta). Mas prepare-se: ela é enorme, dividida em vários ambientes.

Imperdível lá dentro é apreciar a intrincada decoração da Capela de São Venceslau (Svatováclavská Kaple) e a tumba dos antigos reis tchecos – o país já foi uma monarquia em tempos remotos. Importante: cada edifício tem seu horário de entrada e preço de ingresso. Fique esperto! O passeio pelo Castelo de Praga termina na Rua do Ouro, a estreita via que desce em direção ao bairro vizinho de Mala Strana. A Rua do Ouro é um emaranhado de lojinhas e galerias de arte que ocupam antigas moradias de mais de 400 anos, na sua maioria.

Também vale a pena

No bairro de Staré Město ficam várias igrejas tão imponentes quanto famosas. A mais importante é a Nossa Senhora de Tyn. Esse colossal templo erguido em 1427 é uma obra única: tem arquitetura gótica por fora e decoração barroca por dentro. E ainda abriga a tumba de Tycho Brahe, o astrônomo do século 16 responsável por muito do que se sabe hoje sobre a Lua e Marte.

A dez minutos de caminhada, em direção ao bairro judeu, fica a Sinagoga Espanhola (Španlská Synagoga), que é pequena, mas incrivelmente bela por dentro, com seus milhares de mosaicos dourados recobrindo paredes e teto, no melhor estilo mediterrâneo. Se quiser ver natureza, vá a Mala Strana. Esse é um enorme bairro onde o verde domina. Tem até uma cópia da Torre Eiffel – ainda que bem menor, com apenas 60 metros de altura, igreja de Nossa Senhora de Tyn, ao fundo além de vários mirantes nas partes mais altas.

Dancing House (Foto: shutterstock.com)

Dancing House (Foto: shutterstock.com)

Já na porção baixa do bairro, perto do Rio Vltava, destaca-se um ponto obrigatório para os mais religiosos. É a Igreja do Menino Jesus de Praga – seu nome oficial é Igreja de Nossa Senhora Vitoriosa (Kostel Panny Marie Vítězné). Mesmo sem impressionar tanto quanto as demais em termos de beleza, vive lotada de fiéis do mundo todo devido à estátua do menino Jesus esculpida em 1555 e considerada milagrosa pelos cristãos.

A igreja foi muito preservada, mesmo quando manifestações religiosas não eram bem-vistas pelo governo nos tempos do comunismo. Por falar nele, o Museum of Communism, pertinho da Václavské náměstí, merece uma visita. Instalado nas imediações da mais agitada avenida do bairro Nové Město, ele revela tudo sobre a vida no período de 1948 a 1989.

Mas nem tudo é antigo. Prédios novos permeiam a paisagem, mostrando uma face mais moderna da capital tcheca. O ícone dessa Praga do século 21 é a Dancing House, um edifício de linhas ousadamente tortuosas, às margens do Vltava. Projetado pelo célebre arquiteto canadense Frank Gehry em 1992, ele causa espanto pelas formas – seu apelido é Ginger & Fred, por lembrar um casal dançarino à moda dos americanos Ginger Rogers
e Fred Astaire.

Gastronomia e Noite

Não tem como errar em Praga. A região toda de Staré Město é repleta de cafés e restaurantes. Difícil escolher o mais charmoso, mas dois lugares merecem, definitivamente, uma passadinha. Um deles é o Café Louvre, inaugurado em 1902 e ponto de encontro de celebridades do século 20, como Albert Einstein e o escritor Franz Kafka. Suas paredes revestidas com mármore são uma herança da belle époque, quando Praga era a favorita dos intelectuais da Europa Central e do Leste. Ali, além da história, há delícias como o tradicional tartar de salmão ou o lombinho de porco marinado em alho e alecrim, com bolinhos de batata, repolho cozido e maçã – prato típico da Boêmia, região histórica que compreende parte da República Tcheca.

Outra opção é o Kavárna Obecní Dum, um dos mais belos cafés de Praga. Fica no andar térreo do prédio da prefeitura e serve petiscos, doces e sanduíches. Inaugurado em 1912, tem uma área interna decorada no estilo neobarroco e um jardim externo para lá de gostoso. Sua especialidade são as sobremesas inventadas pelo chef Jaroslav Hájek – que, entre outras honrarias, já foi contratado para cozinhar para a ex-secretária de Estado americana Condoleeza Rice. Se você quer algo mais romântico, a pedida é o Grossetto Marina. Instalado em um barco em pleno Rio Vltava, mistura a culinária italiana com a da Boêmia. À noite, a música que vem do piano embala os corações, enquanto pratos criativos afagam o paladar.

Mas atenção: é preciso fazer reservas, porque o lugar lota, sobretudo na área ao ar livre, onde a galera mais jovem se reúne (ali, o restaurante serve pizzas também). Por falar em jovens, e para os baladeiros de plantão? O que existe? Bem, a noite de Praga pode não ser a mais agitada da Europa, mas não decepciona. Vale a pena conhecer, por exemplo, o Karlovy Lazne Club. Com cinco andares (sim, é isso mesmo!), trata-se da maior casa noturna da Europa Central. Cada ambiente toca um tipo de música diferente: hip-hop, chill-out, dance music, anos 1970 e 1980 e pop mainstream.

Hospedagem e compras

Não faltam opções de hospedagem para todos os bolsos em Praga. No centro histórico reluzem os pequenos hotéis instalados em construções centenárias – a exemplo do Hotel Savic, que ocupa um casarão de estilo gótico e renascentista do século 14. Situado a alguns passos do Relógio Astronômico, ele surpreende pela diária bastante razoável: há quartos a partir de € 65.

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Vista do Rio Vltava (Foto: divulgação)

Para quem prefere se sentir como a nobreza tcheca do século 19, outra opção é o Four Seasons. Às margens do Rio Vltava ele agregou num só hotel quatro propriedades classificadas entre as mais valiosas da cidade, tanto por sua arquitetura quanto pela localização. Os quartos são decorados com obras de arte, têm vistas do rio ou do jardim e incluem desde estações para conexão de iPods e iPhones até menus de travesseiros e produtos da marca francesa L’Occitane nos banheiros.

No próprio hotel há muitas lojinhas de produtos locais ou grifes de roupa e perfumes. Mas se você preferir, pode simplesmente andar pelo centro de Praga, por entre os charmosos cafés com mesinhas dispostas pela praça, entremeados por vitrines de suvenires. Impossível não se encantar com as tendas que vendem marionetes de todos os tamanhos e cores e também os intrincados artefatos em cristal – uma especialidade dos artesãos checos.

A criançada, por sua vez, costuma ficar doida com a visita à Choco-Story – uma mistura de museu e loja de chocolates. Há visitas guiadas e brincadeiras para os pequenos, inclusive workshops que ensinam a fazer diversos confeitos à base de chocolate. E se você é daqueles que não aguentam ficar longe de um shopping center, Praga tem um que, ao menos, foi instalado em um edifício antigo e cheio de charme. É o Palladium, em Nové Město (a parte mais nova da cidade).

São mais de 200 lojas que misturam marcas famosas e outras locais. Imperdível, por exemplo, vagar por entre as prateleiras da Oxalis, que importa chás e cafés de todo o planeta. Ou dar uma passadinha na Kuliskov, uma mistura de loja de brinquedos e berçário, onde os pequenos podem ficar se divertindo enquanto você faz compras.

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