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Onde comer comida típica em cidades italianas

Onde comer comida típica em cidades italianas

Do gelato ao macarrão à bolonhesa, saiba onde provar receitas clássicas da Itália nos próprios locais em que elas surgiram

Por Cristiane Sinatura

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Pizza em Nápoles

Não basta ser da Itália, tem que ser de Napóles, a legítima. A pizza não é italiana de berço (os egípcios já comiam algo parecido), mas foi na Bota que a iguaria se aprimorou, ganhando a adição do tomate vindo da América. No sul da Itália, o disco de massa coberto com “apetrechos” como toucinho, queijo e peixe era comum entre a população pobre. Hoje tem status de “especialidade tradicional garantida”, com uma série de requisitos a serem cumpridos. As mais autênticas das coberturas são a margherita (molho tomate, muçarela de búfala e manjericão) e a marinara (tomate, azeite, orégano e alho).

Onde comer: acredita-se que a Antica Pizzeria Port’Alba, em Nápoles, seja a primeira pizzaria do mundo, aberta em 1830. A boa notícia é que tem um bom custo-benefício.


Panini em Milão

Poderia ser só um sanduíche prensado, mas tudo o que é da Itália parece levar uma certa grife. E não seria diferente com o panino (em bom português: pãozinho; no plural, panini), que nada mais é do que uma baguete ou ciabatta recheada com queijos e embutidos (salame, mortadela, presunto) e preparada em uma prensa. Nos anos 70 e 80, virou petisco da moda nos bares de Milão e aí já viu – tudo o que é milanês parece levar uma grife ainda mais tarimbada. Uma “cena” inteira nasceu dessa moda, com o termo paninaro passando a denominar o grupo de jovens descolados que se encontravam no café Al Panino.

Onde comer: no Al Panino, é claro! O icônico café de Milão continua lá, perto do Duomo, oferecendo inúmeros opções de panini, como os que levam ricota e muçarela de búfala, além de cardápio de café da manhã, brunch e almoço.


Limoncello em Capri

Numa terra que recende a limão e onde os limoeiros se espalham por toda parte, é justo que a bebida típica seja feita de… limão, ora! É assim na região de Nápoles, sul da Itália, incluindo a desejada Costa Amalfitana. O limoncello é um licor feito com a casca de um limão encontrado em Sorrento e é tradicionalmente servido como digestivo, após o jantar.

Onde tomar: dizem que a bebida nasceu em meados de 1900, no hotel Casa Mariantonia – que segue a todo vapor na ilha de Capri, servindo limoncello em seu restaurante La Zagara, sob a sombra de limoeiros.


Macarrão à carbonara em Roma

Carbonara: do italiano “carbone”, vulgo “carvão”. Há muitas versões sobre a origem do nome, desde os mineradores que teriam criado a comida até o modo de preparo sobre carvão. A receita à base de macarrão com ovos, queijo pecorino, pimenta preta, toucinho (guanciale, feito com as bochechas do porco) e banha/azeite/manteiga teria nascido nas montanhas ao redor de Roma, ganhando popularidade depois da Segunda Guerra. Sem creme nem nata, vale dizer.

Onde comer: na impossível missão de eleger uma lista com os melhores carbonara de Roma, o restaurante Da Danilo costuma estar sempre entre os selecionados. Em ambiente típico de tratoria, o prato vem acompanhado da alcunha “Sua Majestade” no cardápio.

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Tiramisù em Treviso

Levante-me! É isso que “tiramisù” significa em italiano – porque, dizem, a sobremesa era servida em bordéis para dar energia aos “boêmios” de plantão. Como uma torta, ela é feita de biscoitos (champanhe ou pão-de-ló) embebidos em café, creme à base de queijo mascarpone, ovo e acuçar, salpicada com cacau em pó.

Onde comer: em Treviso, perto de Veneza, fica o Da Alfredo, restaurante que teria tirado o tiramisù do mundo “obscuro”, passando a servi-lo como sobremesa comdeporte gastronômico.


Bistecca alla fiorentina em Florença

Em Florença, faça como os fiorentinos: peça uma bisteca preparada conforme a tradição toscana, que remete aos tempos em que os poderosos Médici davam banquetes à população em homenagem a São Lourenço. O corte vem de gado local e é servido grosso e com osso, depois de assado na grelha. Para acompanhar, nada mais justo que um vinho Chianti.

Onde comer: indicação frequente de quem mora em Florença, a Trattoria Sontanza existe desde 1869 e serve uma bisteca generosíssima.


Risotto alla milanese em Milão

Todo bom prato precisa de uma boa lenda e a do risoto típico de Milão é assim: um jovem aprendiz de pintor costumava adicionar açafrão em suas tintas para obter um efeito mais vivo – do que os profissionais mais velhos costumavam zombar. Irritado com a chacota, o jovem resolveu se vingar jogando o pó amarelo no arroz que seria servido no casamento de seu mestre. Pois bem, foi o maior sucesso. Tradicionalmente, o risotto alla milanese é servido com ossobuco – um corte de vitela.

Onde comer: indicado no guia Michelin, o Casa Fontana-23 Risotti, em Milão, tem uma farta variedade de risotos, incluindo o clássico milanês (e fila de espera!).


Macarrão à bolonhesa em Bolonha

A região de Emilia-Romagna é berço de algumas das mais conhecidas especialidades italianas, entre elas o famigerado molho à bolonhesa que acompanha o macarrão nosso de todo domingo. Na Bolonha, veja só, ele atende pelo simples nome de ragù. E jamais deve ser servido com espaguete, como tanta gente faz mundo afora: o correto é usar o tagliatelle, cuja receita permite ao molho aderir melhor.

Onde comer: a Osteria Broccaindosso é simples, pequena e despretensiosa, sob a batuta de uma família que leva à mesa as autênticas receitas da nonna, como o tagliatelle com ragú.


Gelato em San Gimignano

Pois bem, nenhuma viagem à Itália estaria completa sem o bom e velho gelato. O que nasceu na Roma Antiga como uma sobremesa feita de neve e gelo é hoje um dos símbolos do país. Da China, Marco Polo trouxe a ideia de adicionar leite; no Renascimento, surgiram os primeiros sabores, e o resto é história… Uma história bem deliciosa, por sinal.

Onde comer: na pequena San Gimignano, perto de Siena, a Gelateria Dondola ostenta o título de “Melhor sorvete do mundo” em votações feitas em 2006 e 2008. Alguns anos se passaram, mas a fama permanece, e a pequena portinha de frente para a piazza lota de turistas em busca de sabores próprios, como grapefruit com espumante, creme com ervas aromáticas e creme com açafrão e pinhão.

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