fbpx
HomeGiro pelo MundoDicasNova York de bairro a bairro

Nova York de bairro a bairro

Nova York de bairro a bairro

Descubra o que há de melhor em cada pedacinho de Manhattan, das lojas aos restaurantes, dos museus às casas de shows, dos bares aos spas

Por Paulo Mancha D'Amaro

Não existe no mundo uma cidade tão diversificada quanto Nova York. A metrópole de quase 10 milhões de pessoas cresceu graças à chegada de imigrantes do mundo todo – de italianos a caribenhos – e, graças a isso, tornou-se um inigualável mosaico cultural, gastronômico e de costumes. Também possui os principais museus de arte e história dos Estados Unidos e alguns ícones arquitetônicos mundiais, como o Empire State Building.

Mas não é fácil desbravar uma cidade assim. Por isso, preparamos para você um guia de cada pedaço de Manhattan – a ilha onde se concentram as atrações turísticas da Big Apple. De Wall Street ao Harlem, os lugares imperdíveis, os melhores restaurantes, as áreas de compras, o que há de bom para os pequenos… Enfim, um roteiro para curtir a fundo a “capital do mundo”.

LOWER MANHATTAN

Lower Manhattan é onde fica o famoso distrito financeiro de Nova York, na ponta sul da ilha, com o rio Hudson a oeste e o East River, a leste. É o núcleo histórico da cidade, fato refletido nas ruazinhas estreitas e tortuosas em comparação com as avenidas amplas e retas do resto da ilha. Ali despontam alguns dos mais famosos marcos de Nova York, como Wall Street, a Ponte do Brooklyn, o porto e o Battery Park, de onde se pega o ferry boat que leva até a Estátua da Liberdade, situada em Liberty Island. Sem contar o local onde ficavam as torres gêmeas do World Trade Center.

Imperdível

A Estátua da Liberdade foi um presente da França em 1876, para celebrar o centenário da independência dos Estados Unidos. Chega-se até ela de barco e você pode visitar o pequeno museu que fica no pedestal e o deque de observação da “coroa”, subindo uma estreita escadinha em espiral no interior da estátua (o ingresso é à parte e deve ser reservado com pelo menos dois meses de antecedência pelo site oficial). Os visitantes podem entrar na coroa em grupos de dez, sob a supervisão direta de um guia e a permanência máxima é de 20 minutos.

O Battery Park ganhou fama com a série de filmes Men in Black. É um espaço verde à beira-mar, que tem esse nome devido às baterias de artilharia instaladas ali no século 18, para proteger Nova York, quando a cidade estava sob domínio holandês. É agradável passear e apreciar construções como o Castelo Clinton – uma fortaleza que virou um pequeno museu. Dentre os vários memoriais existentes no parque está a Esfera, uma peça de arte que originalmente ficava no World Trade Center e que sobreviveu aos ataques de 11 de setembro de 2001.

Compras

A Century 21 vende roupas de grife com grandes descontos. Mas evite ir a ela nos fins de semana ou perto do Natal, quando fica absurdamente lotada.

Comer

Inaugurada na Stone Street em 2002, durante a reconstrução das áreas afetadas pelos ataques de 11 de setembro, a Financier Patisserie teve tanto sucesso que hoje conta com mais dez filiais pela cidade. Não é um restaurante, mas sim um lugar para tomar um café e comer deliciosos doces, como o célebre bolo de amêndoas francês, feito propositalmente no formato de uma barra de ouro. É o ponto de encontro dos executivos do mercado financeiro, que aproveitam suas dezenas de variedades de cafés importados do mundo todo.

Para ela

O Winter Garden Atrium é uma mistura de jardim e shopping center bem ao lado de onde ficavam as torres gêmeas do World Trade Center. Além de agradável pelo colorido das plantas e pela bela arquitetura toda em vidro, tem várias lojas de artigos femininos, um spa, cafés e restaurantes.

Não se empolgue

Há quem goste, mas o Ground Zero Tour é um programa caro, US$ 35 por pessoa. Trata-se de um passeio guiado pelo lugar onde ficavam as torres gêmeas e onde agora está sendo construído o novo prédio One World Trade Center. Prepare-se para ser revistado várias vezes antes de entrar e para pegar uma grande fila. Detalhe: os nova-iorquinos não gostam e não usam mais o termo “Ground Zero”, que tem conotação fúnebre.

Contraste de cores em Soho (Foto: shutterstock.com)

Contraste de cores em Soho (Foto: shutterstock.com)

SOHO E TRIBECA

Encravados entre Lower Manhattan, Chinatown e o Village, estes são os dois menores bairros de Manhattan. Mas, a despeito do tamanho, esbanjam charme e sofisticação. O nome SoHo é uma abreviação de “South of Houston”, já que fica ao sul da Houston Street. Nos anos 1980 e 1990 costumava ser um local boêmio, cheio de artistas que viviam em lofts. Com o tempo, porém, o bairro se tornou tão caro que as butiques de grife tomaram o lugar dos ateliers de pintores e escultores alternativos. É agradável passear por suas ruas estreitas de paralelepípedos, que mantêm o encanto mesmo com as mudanças. Já TriBeCa é a abreviação de “Triângulo Abaixo de Canal Street”.

Antigo distrito industrial, o bairro se renovou nos anos 1970 e virou lar de artistas alternativos e executivos endinheirados. Hoje, TriBeCa apresenta inúmeras galerias, lojas e restaurantes finos, para não falar do Festival de Cinema de TriBeCa, organizado por ninguém menos que Robert DeNiro. Outro aspecto peculiar é a sua aparência geral: trata-se de um bairro histórico, que ainda tem calçadas à moda do século 19 e prédios de tijolinhos, que cada vez menos se veem em Manhattan.

Imperdível

O Washington Market Park é uma espécie de oásis no meio do emaranhado urbano. Uma área verde pra lá de agradável, com um grande playground coberto para a criançada.

Compras

O que não falta aqui são pequenas lojinhas de arte e artesanato. Mas também há outros tipos de comércio e achados como a Shoofly, que vende calçados infantis e acessórios importados de todo o mundo, além de brinquedos e roupas.

Comer

Adorado por crianças e jovens, o Ninja New York é um restaurante temático repleto de corredores escuros por onde circulam garçons vestidos de ninjas, muitos deles portando espadas e interagindo com os clientes. Os pratos são elaborados e quase sempre servidos em meio a performances que envolvem fumaça ou fogo.

Para ela

Quer relaxar após bater perna pela cidade? O Aire Ancient Baths é um dos mais famosos (e peculiares) spas de Manhattan. O nome dá a dica: trata-se de um prédio antigo, cujo interior foi mantido como no século 19, o que dá um charme todo especial à experiência de usar suas piscinas, ofurôs e nichos de massagem e terapias estéticas.

Não se empolgue

Muitos guias turísticos indicam como passeio o Hook & Ladder #8, um prédio que foi cenário do filme Ghostbusters – Os Caça-Fantasmas. Não perca seu tempo: é apenas uma unidade do corpo de bombeiros de Nova York.

CHINATOWN E LOWER EAST SIDE

Este é o reduto étnico de Nova York. A despeito do nome, Chinatown abrange não apenas a região de colonização chinesa, mas também o que resta de Little Italy, o bairro em que os imigrantes italianos se estabeleceram no final do século 19. E o Lower East Side ficou famoso como o bairro judeu de Nova York no início do século 20. É um lugar muito movimentado, cheio de restaurantes e mercadinhos. E, claro, repleto de lojinhas e bancas de rua que vendem cópias baratas de grifes feitas na China, assim como todo tipo de bugigangas e brinquedos. A presença crescente de imigrantes do Vietnã, Malásia e Indonésia tem mudado a cara de Chinatown. E o Lower East Side, por sua vez, tem se transformado em um reduto de boemia.

Imperdível

Vagar pelas ruas de Chinatown é garantia de se sentir num filme, graças ao caos colorido dos produtos à venda e aos letreiros com tudo escrito em mandarim ou cantonês. Mas há um pedacinho do bairro igualmente interessante e bem mais calmo. É o Columbus Park, um excelente lugar para relaxar no início da manhã, vendo as pessoas praticarem a milenar arte do tai-chi-chuan. Se você estiver interessado, pode se juntar aos descendentes de asiáticos para praticar esse ritual de exercícios que acalma a alma e revigora o corpo. Por vezes, há ainda mulheres praticando as danças tradicionais chinesas.

Compras

É difícil indicar um único lugar neste bairro eminentemente comercial, onde por US$ 30 compra-se uma bolsa Louis Vuitton (de procedência duvidosa, é óbvio). Mas, se você gosta de temperos e guloseimas exóticas em geral, não pode deixar de passar no Asia Market, a melhor e maior loja de produtos alimentícios orientais. E se quer levar lembranças e suvenires, a pedida é o Elizabeth Center, um pequeno shopping em que se destacam as bonecas típicas chinesas e outros produtos artesanais.

Comer

O Shanghai Café, segundo muitos guias turísticos, tem a melhor culinária típica de Xangai em Chinatown. É frequentado por gente jovem e adorado por casais de namorados. E o melhor: dá para comer por apenas US$ 15, em média. Já para quem prefere a culinária italiana, o Il Palazzo é apontado como o melhor de Little Italy pelo guia Zagat – especializado em Nova York. Imperdível seu Fettuccine con Carciofi e Gamberetti (massa fresca com alcachofra, camarão, tomate seco e pesto de manjericão).

Não se empolgue

Não espere que sua bolsa Prada comprada baratinho em Chinatown dure mais do que alguns meses. A quantidade de produtos falsificados à venda é tão grande que virou até atração turística. Outro mico é visitar o Museum of Chinese in the Americas. A menos que você seja um descendente de chineses – e saiba ler nessa língua –, vai apenas perder seu tempo (e pagando US$ 7 de entrada).

GREENWICH VILLAGE E EAST VILLAGE

Mais conhecido como “The Village”, esse pedacinho ultracharmoso de Manhattan já foi uma área predominantemente residencial, limitada pela Broadway, a leste, e pelo rio Hudson, a oeste. Se você é fã de séries de TV, vai reconhecer muitos prédios aqui: era o lar dos seis amigos de Friends e inúmeras cenas externas foram gravadas nas ruas do bairro.

Imperdível

A noite do Village é a mais bacana de Nova York. Ali estão os teatros Astor Place e Orpheum, onde se apresentam, respectivamente, o Blue Man Group e o grupo de dança Stomp. Não faltam também bons bares com música ao vivo, como o Blue Note (para amantes de jazz) ou o Terra Blues, um moderno lounge com um belo teto arqueado, que cria a acústica perfeita para os melhores artistas de blues da cidade e do país. Os shows começam cedo, às 19h30, e são intercalados por apresentações de comediantes stand-up.

Compras

A região de East Village tem boas lojas de roupas e acessórios. Mas o forte são mesmo as livrarias e lojas de discos. Se você gosta disso, vale a pena passar na Strand Bookstore, cujas prateleiras de livros novos e usados somam quase 30 quilômetros (sim, é isso mesmo!). Sem falar na Generation Records, loja de discos, CDs e DVDs procurada por gente do mundo todo (é fácil cruzar com celebridades do rock ou do pop por ali).

Comer

Um lugar que é a cara do Village é a Tea and Sympathy. Trata-se de uma casa de chá à moda inglesa. Mas também serve refeições (sempre receitas originárias da Grã-Bretanha) e tem uma lojinha de produtos, onde você acha os melhores chás do mundo para trazer de lembrança. Não se espante se na mesa ao lado estiver alguém do naipe de Julia Roberts, Uma Thurman ou Edward Norton. Diversos artistas famosos moram por ali e frequentam o lugar.

Para os pequenos

Não é um programa barato, mas pode valer a pena levar seus filhos pequenos (principalmente as meninas) para conhecer a Doodle Doo’s, uma mistura de loja de brinquedos e salão de beleza infantil. Enquanto cortam os cabelos, os pequenos podem brincar de videogame ou assistir a DVDs de clássicos infantis. Sem contar as coleções de Lego e outras diversões da loja. Mas não espere gastar menos de US$ 80 por uma sessão de beleza.

Não se empolgue

Desde o dia em que foi cenário de um episódio do seriado Sex and the City, a Magnolia Bakery virou o xodó das mulheres em visita ao Village. A pequena padaria na esquina da Bleecker St com a W 11th St vive hoje lotada, com filas que se espalham pelas calçadas. Tudo em nome dos cupcakes adorados pelas personagens da TV. A verdade é que os produtos de lá são caros e não têm nada de especial. Pelo contrário, foram descritos recentemente por um crítico culinário como “farinhentos e com açúcar em excesso”. E custam, em média, US$ 4 – quase o dobro do normal.

Mercado em Chelsea (Foto: shutterstock.com)

Mercado em Chelsea (Foto: shutterstock.com)

CHELSEA E GRAMERCY FLATIRON

Batizado oficialmente de “Chelsea Garment District”, mas chamado popularmente apenas de Chelsea, este é o núcleo da vida social gay em Manhattan. Mas não só isso. Também reúne alguns dos mais importantes centros esportivos da cidade, como o Chelsea Piers, localizado à beira do Rio Hudson. Sem falar no Madison Square Garden, a arena de esportes onde jogam os times New York Knicks (basquete) e Rangers (hóquei no gelo). Já o Gramercy Flatiron inclui a deliciosa Curry Hill, região onde se aglomeram lojas e restaurantes indianos, além de Koreatown, o distrito de imigrantes coreanos. Mas sua principal atração turística é Union Square, repleta de lojas de grifes famosas, bistrôs e cafés.

Imperdível

Imagine um enorme viaduto transformado em jardim suspenso. Assim é o High Line Park, uma das mais recentes atrações de Nova York. São quase dois quilômetros por onde você pode caminhar ou descansar em bancos ou espreguiçadeiras, tudo com uma belíssima vista panorâmica da cidade e do Rio Hudson. O ponto alto é o trecho em que o viaduto passa pelo meio do Standard Hotel – um hotel adorado pelos que curtem design e arte de vanguarda.

O Hudson River Park é um parque à beira do rio Hudson, que se estende do sul da 59th Street até o Battery Park. Passear por ele é garantia de ter algumas das mais belas vistas de Nova Jersey, na outra margem. Ciclistas e pedestres lotam os píeres floridos que antes abrigavam embarcações e hoje servem para lazer. O parque inclui quadras de tênis, campos de futebol (o nosso), playgrounds para a meninada, lojas e, claro, vários bares e restaurantes.

Compras

Considerada a melhor loja de equipamentos fotográficos e outros produtos eletrônicos, a B & H tem preços muito em conta e diversos funcionários que falam português. Em alguns casos, envia os produtos direto para o Brasil. Mas fique atento aos horários de abertura: por ser dirigida por judeus ortodoxos, fecha às sextas-feiras à tarde e aos sábados. Para quem gosta de cozinhar ou petiscar, a pedida é o Chelsea Market. A antiga fábrica de biscoitos Oreo é agora um mercado de alimentos gourmet, flores e presentes. Entre seus 36 estabelecimentos comerciais, agrega restaurantes, bares e espaço para shows e performances artísticas. E na divisa com o Theater District e Midtown fica o mais famoso shopping center da cidade, o Manhattan Mall, com 41 lojas de marcas famosas como Aeropostale, RadioShack, Toys’R Us, Victoria’s Secret e J.C. Penney.

Comer

A tradição judaica de Nova York tem um de seus expoentes na 2nd Ave Deli. Esta delicatessen de culinária kosher está prestes a completar 60 anos e ganhou fama graças a seus gigantescos sanduíches de três andares, feitos com pastrami, roast beef ou peru. No menu há também especialidades judaicas como o brisket (peito bovino defumado) e os gribenes (torresmo de frango).

Para ele

Enquanto as mulheres fazem compras, os homens podem aproveitar seus momentos no Chelsea vendo um bom jogo de basquete ou de hóquei no gelo. O lugar para isso é o Madison Square Garden, uma das mais emblemáticas arenas esportivas do mundo. Ali jogam o New York Rangers e o New York Knicks, para um público sempre acima de 30.000 pessoas. O ginásio também é usado para lutas de boxe, artes marciais e shows musicais diversos.

Gay

Não faltam bares GLBT no Chelsea, mas uma unanimidade entre a comunidade gay é o Splash. Trata-se de uma grande casa de entretenimento, com telões, pistas de dança e lounge. As noites são temáticas, com uma por semana dedicada ao público universitário, outra às drag queens e os sábados repletos de go-go boys. O estilo musical varia do tecno à disco music dos anos 70.

Não se empolgue

Não perca seu tempo indo ao Museum of Sex. Muito comentado desde sua abertura, em 2009, por conta da temática polêmica, ele é, na verdade, uma grande (e monótona) coleção de obras de arte versadas em sexo, a maioria feita por artistas obscuros. Uma ou outra exposição temporária vale mais a pena.

THEATER DISTRICT

O nome diz tudo. O Theater District é o coração cultural de Nova York, onde estão os principais teatros, a Broadway e a icônica Times Square. O bairro também abriga grandes lojas de departamento, áreas comerciais diversas – incluindo a 46th Street, com seu pedaço apelidado de Little Brazil – e até mesmo atrações na água, como o Intrepid Sea, Air & Space Museum, no Rio Hudson.

Imperdível

É obrigatório para quem visita Nova York passear pela Times Square e encantar-se com o frenesi urbano desse encontro de avenidas, iluminado por dezenas de letreiros e neons coloridos. E nas suas imediações há atrações deliciosas como a Discovery Times Square Exposition. Mais do que um museu, trata-se de um centro de exposições com algumas das mais interessantes mostras culturais interativas destinadas a crianças e adultos. Recentemente, o mundo de Harry Potter atraiu milhares de pessoas para lá.

Agora, está em cartaz uma exposição sobre a história da espionagem em todo o planeta, em diversas épocas. À noite, além ver algum dos musicais da Broadway, vale muito a pena esticar até o B.B. King Blues Club. Essa mistura de bar, restaurante e casa de shows serve clássicos da culinária americana, como o Memphis Barbecue Ribs (costela assada com batata doce, pimentões e repolho roxo) e ainda permite ver apresentações dos grandes astros do blues, do jazz e da soul music. Aos domingos, ao meio- -dia, oferece um brunch ao som de Beatles.

Compras

O que não falta nesta parte da cidade são lugares para fazer compras. Você pode passar o dia todo entrando e saindo de lojinhas que vendem perfumes, roupas, suvenires e eletrônicos, inclusive na 46th Street, a rua dos brasileiros, onde muita gente lhe atende falando português. Há também as grandes lojas de departamentos, como a Macy’s. Ela se autointitula a “maior do mundo”. Ocupa um quarteirão inteiro da cidade e seu prédio tem dez andares, onde se compra de tudo.

Uma dica útil é ir ao centro de visitantes da loja logo ao chegar: turistas estrangeiros ganham um cartão que dá descontos em boa parte dos produtos. Tem mais. É impossível passar pela loja da Hershey’s e não querer entrar. Ali dá para comprar todos os tipos de chocolates e outras guloseimas. Você pode personalizar as embalagens, colocando o nome das pessoas a quem quer presentear. Gostou da ideia? Então passe também na M&M’s World New York, a maior loja dessa consagrada marca – um delírio para a criançada.

Comer

Por ser a região mais turística de Manhattan, o Theater District também é aquela em que os restaurantes cobram mais caro. Mesmo assim há  estabelecimentos com boa relação custo-benefício. É o caso do Ellen’s Stardust, uma casa temática dos anos 1950 em que os garçons e garçonetes são também artistas: a cada vinte minutos eles param tudo para cantar e dançar músicas de Elvis Presley, Buddy Holy e outros astros do passado. No menu, petiscos, saladas inventivas e sanduíches gigantescos, como o Brooklyn Brisket (peito bovino marinado na cerveja, servido num pretzel com provolone derretido, panquecas de batata, molho de maçã e sour cream). Tudo por menos de US$ 20 por pessoa.

Quem quiser gastar um pouco mais pode ir ao Tony’s di Napoli, reputado como o melhor restaurante do bairro pelo site Tripadvisor. Aberto desde 1959, por um descendente de italianos (Nova York foi um dos grandes destinos de imigrantes napolitanos no começo do século 20), ele tem uma característica raríssima dentre os restaurantes americanos: pratos que dão para duas ou três pessoas. O mais famoso deles é o Chicken & Shrimp a Francese, um suculento peito de frango regado a molho de camarões e tomate. Sai por US$ 29 e serve um casal com fartura.

Para os pequenos

Existem em Nova York duas lojas de brinquedos que são atrações por si próprias – mesmo que você não compre nada. Uma é a FAO Schwarz, em Midtown. A outra é a Toys ‘R’ Us, na Broadway. Nesta última, a criançada pode navegar pelas muitas seções de brinquedos, jogos e produtos eletrônicos, além de curtir um passeio na roda-gigante que foi montada no interior da loja. Sem falar na decoração, que inclui até uma réplica de dinossauro em tamanho real. Detalhe: há funcionários que fotografam seus filhos e você pode comprar as imagens se quiser.

Para ele

O Intrepid Sea, Air & Space Museum é um contraponto ao clima de “shopping” que o Theater District tem. Trata-se de um enorme navio porta-aviões da Segunda Guerra Mundial que foi transformado em museu de aviação e astronáutica. Fica a 20 minutos de caminhada da Times Square, no Pier 86 do Rio Hudson. Ali, há mais de 40 modelos de aeronaves de todos os tipos, além de cápsulas espaciais e jogos interativos para as crianças.

Gay

Há uma parte do Theater District apelidada de Hell’s Kitchen (entre 8th Avenue e o Rio Hudson) onde se concentram diversos bares gays. Um dos que está na moda é o Barrage. A diferença dele para os demais é o jeitão low profile. Ou seja, nada de exageros na decoração ou na atitude dos frequentadores. Um lugar mais tranquilo, para o público GLBT se encontrar, ver e ser visto.

Não se empolgue

A Times Square é famosa pela sua festa de ano novo. Dezenas de milhares de pessoas se reúnem ali para ver a cena da bola de cristal que desce do alto de um dos prédios, ao final da contagem regressiva. Saiba que, para nós, brasileiros, acostumados às festas de rua ou na praia em pleno verão, esse programa é um mico. Para começar, faz um frio intenso, geralmente abaixo de zero. Em segundo lugar, é proibido levar bebidas alcoólicas para a festa – inclusive a champanhe. E, além de tudo isso, para ficar a uma distância razoável do centro da festa, você precisa chegar lá com duas horas de antecedência, no mínimo. E torça para não ter vontade de ir ao banheiro…

MIDTOWN

Literalmente ao lado do Theater District, Midtown é o bairro mais turístico de Manhattan. Ali estão o icônico Empire State Building, a imponente New York Public Library, a sede das Nações Unidas e as torres do Rockefeller Center – uma obra-prima da Art Déco. Também ficam em Midtown o célebre Radio City Music Hall, a Catedral de St. Patrick e a chiquérrima loja de departamentos Saks Fifth Avenue.

Imperdível

A atração mais famosa de Midtown é também um marco de toda Nova York. O Empire State Building, inaugurado em 1931, foi o edifício mais alto do mundo por muitos anos, antes de ser ultrapassado pelas torres gêmeas do World Trade Center em 1971. Com a destruição delas em 2001, voltou a ser o ponto culminante da cidade. São 102 andares e seus observatórios no 86º e no 102º são algo inesquecível – não somente pela vista, mas pela arquitetura Art Déco cheia de glamour dos anos 1930 e pela mística de terem servido de cenário em dezenas de filmes.

A única ressalva são as filas. Evite-as comprando o ingresso antecipado pela internet ou chegando cedo, por volta de 9h. Já o Museum of Modern Art (MoMA) é um passeio imperdível mesmo para quem não é aficionado pelo tema. Isso porque ele tem aquela que é considerada a melhor coleção de arte moderna de todo o mundo, incluindo obras de Van Gogh, Picasso, Monet, Matisse, Salvador Dalí, Paul Cézanne, Frida Kahlo, Piet Mondrian e Andy Warhol.

Compras

A 5ª Avenida (ou 5th Avenue) é um paraíso de compras, sobretudo entre a 42nd e a 60th Streets. Além das lojas pequenas, com suas vitrines coloridas nas calçadas, há unidades das célebres marcas Cartier, Versace, Gucci, Armani Exchange e Nike. Para quem gosta de joias, a pedida é caminhar pela 47th Street, entre a 5th e a 6th Avenues. Diz-se que quase todos os diamantes vendidos nos Estados Unidos passam primeiro por esta rua. São diversas opções de atacado e varejo.

Três lugares aos quais vale a pena ir, mesmo que os preços não sejam lá muito convidativos, são a Saks Fifth Avenue, a Bloomingdale’s e a Tiffany & Co.. Em todas elas você encontra as últimas tendências da moda, assim como acessórios, relógios, perfumes, calçados, bolsas e joias. Ainda que você não encha as sacolas, vale pelo passeio, já que as três lojas são pra lá de bonitas.

Comer

Nesta região há desde pequenas delis, onde se come de pé por menos de US$ 5, até restaurantes estrelados pelo famoso Guia Michelin, nos quais não se gasta menos de US$ 100 por pessoa. E vale a pena experimentar ambos. Se quiser gastar pouco, experimente a Pret A Manger. Apesar do nome francês, trata-se de um lugar bastante em conta, uma cafeteria que serve bons sanduíches, sopas e pratos rápidos, além de cafés variados. Há petiscos inventivos, como o Falafel & Haroumi Hot Wrap – um wrap feito com bolinhos de grão de bico cozidos, misturados a pimentão vermelho, damascos, tâmaras, ervas, berinjela grelhada e queijo haloumi.

Tudo isso acompanhado de molho de pétalas de rosa, pimenta e cominho. Se puder gastar um pouco mais, a pedida é o Rouge Tomate, um restaurante de culinária saudável, mas com toques de alta gastronomia. Tanto que foi agraciado com uma estrela pelo Guia Michelin. Ali, por US$ 89, você degusta um menu de seis pratos que incluem desde ostras com molho de abacaxi até galinha da guiné com castanhas e vinho. Exótico, bom para a saúde e não lá muito caro…

Para os pequenos

Prepare sua carteira. Ir a Manhattan com crianças e não visitar a loja de brinquedos FAO Schwarz é um pecado imperdoável. Por outro lado, nada ali é muito barato. Mas vale a pena o passeio. O lugar ganhou fama pelo tamanho, pela beleza e pelas atrações que encantam a todos, como o piano gigante no chão, em que as pessoas podem criar músicas pisando nas notas. Ele fez parte de uma cena antológica do cinema, no filme Quero Ser Grande, estrelado por Tom Hanks. A loja também apareceu nas filmagens de Esqueceram de Mim 2. No primeiro andar, existe sua versão da Fantástica Fábrica de Chocolate, além de um local só para quem quer brincar com os Muppets.

UPPER EAST SIDE E CENTRAL PARK

Apesar de bonito, chique e muito agradável, o Upper East Side é um dos bairros com menos atrações turísticas em Nova York. Ali prevalecem os condomínios de luxo nas imediações da elegante Park Avenue, de Lenox Hill e da Madison Avenue. Também é o local onde se concentram as embaixadas e missões diplomáticas de dezenas de países – o metro quadrado mais caro dos Estados Unidos: US$ 12 mil. Para felicidade dos turistas, porém, fica ao lado do Central Park, a grande área verde de Nova York. E os fãs de arte podem se deliciar com museus e galerias famosas, como a Frick Collection e o Cooper-Hewitt National Design Museum.

Imperdível

O Central Park tem entradas por vários bairros de Manhattan, mas aproveite sua visita ao Upper East Side para conhecê-lo. Ele tem o dobro do tamanho do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e há muito mais para fazer ali do que apenas passear por seus bosques. Por exemplo, não deixe de passar no Central Park Zoo, o lar de uma floresta tropical indoor onde se pode apreciar também bichos de outras regiões do planeta, como pinguins da Antártida e ursos polares do Ártico.

Há ainda no Central Park rinques de patinação no gelo (no inverno), lagos para andar de barco e pedalinhos, playgrounds variados para a criançada, auditórios para shows e apresentações de teatro, monumentos e restaurantes. Dá para curtir um dia inteiro lá. Se o seu negócio é arte, então o Upper East Side lhe reserva um museu que já vale a visita só por sua arquitetura. É o Guggenheim, com suas rampas em espiral, pontuadas por coleções que incluem artistas como Kandinsky e Mondrian.

Compras

Repleta de butiques elegantes, a Madison Avenue é o centro da alta-costura em Nova York – por valores que assustam os pobres mortais. Mesmo se estiver fora de sua faixa de preço, vale a pena uma visita apenas para ficar de boca aberta com a suntuosidade das lojas e com a beleza das roupas vendidas.

Comer

Um lugar tradicional e bastante agradável nesse bairro é o Heidelberg Restaurant. Com seu estilo alemão típico, lembra uma cervejaria da Bavária, com garçonetes vestidas a caráter. O brunch de domingo é bastante disputado, graças à variedade de cervejas, salsichas e linguiças servidas. Se puder cometer uma pequena extravagância, vá jantar no Daniel. Dentre os 7.950 restaurantes de Nova York, apenas sete são classificados como “3 estrelas” pelo famoso Guia Michelin.

Este é um deles. Capitaneado pelo chef francês Daniel Boulud, que apresenta programas de culinária na TV e é autor de seis renomados livros de receitas, serve pratos criativos, como o ceviche de garoupa com vinagrete de pepino e o caranguejo gigante com molho de cranberries. A arquitetura grandiosa também enche os olhos. Há um menu fechado mais barato no começo da noite (para quem pretende ir ao teatro depois), por US$ 110 por pessoa, incluindo entrada, prato principal, sobremesa e três combinações de vinhos. Mas é preciso chegar até as 18h para degustá-lo e só é permitida a entrada com traje social.

Para os pequenos

Já que você vai mesmo ao Central Park, não deixe de levar as crianças ao Central Park Caroussel. Inaugurado em 1871, ele é renovado de tempos em tempos, com a troca da música e da encantadora decoração. Além disso, há também o Teatro de Marionetes, que encena clássicos da literatura infantil.

Para ele

Nova York tem diversos spas para homens. Um deles, na divisa entre o Upper East Side e Midtown, é o Truman’s Gentleman Groomers. O lugar se define como um centro de relaxamento e estética “para homens que cansaram de lugares com cara de mulher”. Ou seja, o ambiente é discreto, sóbrio, com TVs ligadas em emissoras de esportes e com cuidados especiais para manter a privacidade, como cabines individuais para manicure, massagem, corte de cabelo, barba e tratamentos estéticos. Uma sessão de massagem de uma hora sai por US$ 115.

UPPER WEST SIDE

Área eminentemente residencial, o Upper West Side tem seus encantos para turistas também. A começar pelo agradável Riverside Park, que corre ao longo do rio Hudson, e do próprio Central Park, a leste. A área inclui um dos principais museus da cidade, o Museu Americano de História Natural, a catedral neogótica St. John the Divine e a região de Morningside Heights, com seus predinhos charmosos construídos antes da Segunda Guerra Mundial. E vale lembrar aos fãs dos Beatles: nesse bairro está o Dakota Building, condomínio de luxo onde morava John Lennon e na frente do qual o roqueiro foi morto em 1980. O memorial construído no Central Park, a alguns passos dali, virou ponto de peregrinação de seus admiradores.

Imperdível

O American Museum of Natural History é uma atração obrigatória para adultos e crianças. Em seus cinco andares, abriga uma coleção incrivelmente grande de artigos relacionados a astronomia, biologia, geologia, antropologia, climatologia e paleontologia. De esqueletos de dinossauros em tamanhos reais a fósseis de homens da caverna, há de tudo por ali. Convém reservar um dia inteiro para desvendá-lo. Anexo ao museu está o Rose Center for Earth and Space e o Planetário Hayden, construído sobre um cubo de vidro de sete andares.

Compras

A região de Morningside Heights é tradicionalmente um reduto das melhores livrarias de Manhattan. Ali você encontra pequenos estabelecimentos, onde se pode tomar um café enquanto folheia clássicos (novos e usados). Mas há igualmente unidades de grandes redes, como a Barnes & Noble. Vale a pena visitar a Bank Street Bookstore, especializada em livros infantis ilustrados e brinquedos educativos.

Comer

Uma opção muito em conta, mas ao mesmo tempo charmosa, é o El Malecon. Esse pequeno restaurante de inspiração caribenha serve pratos fartos e caprichados, como o Soupy Rice with Shrimp (um risoto de camarões à moda dominicana), por apenas US$ 18. Um pouco mais caro, mas ainda assim interessante, é o Turkuaz, com culinária turca e apresentações de dança do ventre. Seus kebabs são tidos por muitos como os melhores de Nova York.

Gay

Longe da agitação do Chelsea ou de Midtown, o Candle Bar é um lugar pequeno, tranquilo, mas nem um pouco monótono. Além do balcão e das mesas, possui mesa de bilhar, jukebox e algo que o torna especial: uma livraria e uma área para troca de obras literárias – o que o torna destino certo não apenas do público gay, mas também de intelectuais.

Não se empolgue

Muitos guias indicam a Catedral St. John the Divine como uma atração imperdível. A igreja é, de fato, bonita, com suas fachadas neogóticas e seu interior imponente. Mas nada que impressione tanto a nós, brasileiros, que temos igrejas igualmente belas. Se tiver tempo de sobra, tudo bem.

HARLEM E UPPER MANHATTAN

Imperdível

É nesta região que fica uma das mais impressionantes construções de Manhattan. Os Cloisters são uma série de prédios erguidos nos anos 1930, mas com arquitetura inspirada em uma abadia medieval da Inglaterra. Hoje, abrigam um ramo do Metropolitan Museum of Art, dedicado à arte e arquitetura da Europa na Idade Média. Lá, pode-se apreciar desde tapeçarias árabes genuínas até vitrais trazidos do castelo Ebreichsdorf, na Áustria. Mas se o que lhe interessa é música, a pedida é visitar o Apollo Theater. Esse lendário teatro é uma fonte de orgulho para o Harlem e um símbolo da cultura afro-americana.

Ali despontaram para a fama artistas como Ella Fitzgerald, James Brown, Michael Jackson e Lauryn Hill. O teatro, que abriga um pequeno museu, oferece um tour guiado, que permite conhecer a história de muitos dos astros da música americana. À noite, há semanalmente um evento chamado “Amateur Night at the Apollo”, um concurso de calouros realizado há 75 anos e que inspirou programas de TV como o American Idol.

Compras

O comércio de alto padrão aqui fica ao longo da 125th Street. Mas espere ver também muitos vendedores ambulantes, que oferecem de tudo, desde bonés e tênis até CDs. Um achado nessa região é o Malcolm Shabazz Market, onde se compra artesanato de inspiração africana – o nome é uma homenagem ao líder negro Malcolm X. E os fãs de antiguidades encontram diversas lojas na W 145 Street, entre 7th e 8th Avenues.

Comer

O Harlem é um lugar para sair da rotina. Por isso, experimente a exótica e curiosa mistura de culinária etíope e sueca do Red Rooster. O restaurante pertence a Marcus Samuelsson, um etíope adotado por pais suecos. Por isso, a cozinha agrega influências tão diversas, dando origem a pratos como o Uptown Steak Frites – uma bisteca bovina regada a marmelada, cebolas e trufas.

Para os pequenos

O melhor lugar para levar seus filhos em Upper Manhattan é o Riverbank State Park, à beira do Rio Hudson. Aquilo que já foi uma usina de processamento de lixo se transformou em uma ampla área arborizada, com quadras esportivas, piscinas, lanchonetes e o melhor de tudo: rinques de patinação no gelo. Também tem um pequeno, mas charmoso carrossel e um auditório para 2500 pessoas, onde nos fins de semana acontecem shows musicais.

Broadway (Foto: shutterstock.com)

Broadway (Foto: shutterstock.com)

BROADWAY: o grande palco da Big Apple

Por Rosângela Arias

Ir a Nova York e não conhecer a Broadway é como ir ao Rio de Janeiro e passar batido por Copacabana. Ou seja: você pode até dizer que esteve na cidade, mas certamente terá perdido uma parte muito importante dela. É na  Broadway, uma extensa avenida que atravessa Manhattan inteira e pulsa ainda mais forte no entorno da Times Square, que Nova York mostra sua imbatível vocação para o showbiz. Nesse miolinho estão concentrados 40 teatros com capacidade acima de 500 pessoas.

Em seus palcos, desenrolam-se superproduções musicais, como se aqui fosse a Hollywood do teatro. A propósito, a relação entre Broadway e a indústria do cinema é estreita: várias peças nascem da adaptação de filmes e vice-versa. Isso sem falar na escalação de atores estrelados que vêm das telonas para abrilhantar os palcos, como Al Pacino em O Mercador de Veneza, de 2010, Julia Roberts em Three Days of Rain, de 2006, e Antonio Banderas em Nine, de 2003. Ao todo, a programação soma 130 peças – e há, ainda, as chamadas “off Broadway”, que acontecem em teatros menores. Alguns shows do grande circuito fazem tanto sucesso entre público e crítica que estão há anos em cartaz – o mais antigo é O Fantasma da Ópera, com 25 anos, seguido por Chicago (17 anos) e O Rei Leão (15 anos). Em um fenômeno que reflete a popularidade internacional da

Broadway, os três já tiveram versões apresentadas em várias cidades do mundo – inclusive em São Paulo, aonde a história coreografada do leão Simba acaba de estrear. Brasileiros, aliás, são o quarto público mais assíduo nas bilheterias de Nova York. Nossa peça favorita é Spider Man, que apresenta as aventuras do herói aracnídeo com trilha sonora produzida pelos músicos Bono e The Edge, da banda U2. Seja qual for o show, é bom saber que aquele jeitinho brasileiro de “deixar tudo para a última hora” pode acabar em roubada. É que quem não providencia os ingressos com antecedência corre grandes riscos de ficar a ver navios. Só para ter uma ideia, 85% dos turistas que vão a Nova York querem assistir a algum espetáculo, mas, entre esses, 60% acabam ficando sem bilhetes.

Também é bom se planejar por conta dos preços, que podem ser bem salgados – eles variam entre US$ 45 e US$ 250, dependendo da peça e do assento. Uma dica interessante são as bilheterias TKTS (tdf.org/tkts), que vendem entradas com desconto para peças do dia. Mas não se anime: é preciso muita sorte e muita fila para conseguir lugar nas mais disputadas.

The Broadway Collection

Ok, você está de viagem marcada para Nova York e já sabe que precisa comprar os ingressos antes. O próximo passo, então, é escolher pelo menos uma peça para assistir. Missão difícil! Com tantas opções em cartaz, ficar indeciso é de lei, ainda mais sabendo que todas são literalmente espetaculares. É verdade que algumas acabam conquistando um carinho especial dos espectadores, seja pela história, pelos atores ou pelo esmero da apresentação em si – a minha preferida, por exemplo, é Newsies (veja os detalhes a seguir).

Para facilitar a vida, comece pesquisando os títulos da Broadway Collection: trata-se de uma coletânea de 21 shows, entre clássicos e lançamentos. Eles são destacados pela própria Broadway por conta da alta popularidade entre a audiência estrangeira – muitos são novos no circuito, mas já faziam sucesso em turnês paralelas pelo mundo. A boa notícia é que, agora, os ingressos para essas peças podem ser adquiridos junto com os pacotes turísticos de operadoras nacionais, como a CVC e a Nascimento.

Entre os shows conhecidos do público brasileiro, estão Blue Man Group, Mamma Mia!, Stomp e os já mencionados Chicago, O Rei Leão, O Fantasma da Ópera e Spider Man. Outros, nem tão famosos, também merecem atenção. É o caso de Annie, vencedor de sete prêmios Tony (o Oscar do teatro). Ótima para famílias com crianças, a peça estreou há 35 anos e agora traz de volta aos palcos a história cativante de uma menina órfã. Já Jersey Boys, eleito o melhor musical de 2006, conta a trajetória do músico Frankie Valli e do grupo

The Four Seasons, famosos pelo grande hit dos anos 1960 Can’t Take My Eyes Off You. A celebração dos anos 1980 fica por conta do novo Kinky Boots, com enredo embalado por músicas de Cindy Lauper. Seguindo essa mesma onda, Flashdance, que estreia em agosto, celebra os 30 anos do filme que marcou a cultura pop com hinos como What a Feeling. Já o recém-lançado musical Once emociona com uma bela história de amor, adaptada do filme homônimo que teve trilha sonora premiada no Oscar em 2006.

Apresentando um clássico da literatura infantil dos anos 1990 às crianças da nova geração, Matilda é a pedida entre famílias. Outra novidade da Broadway Collection é a Metropolitan Opera, que apresenta na temporada 2013-2014 uma série de 26 concertos no Lincoln Center, incluindo La Bohème, Eugene Onegin, Die Fledermaus e Rigoletto.

Viajar indica

Se a indecisão ainda é grande, Viajar te dá uma mãozinha. Fomos conferir de perto algumas peças da Broadway Collection e elegemos nossas favoritas:

Newsies

A superprodução da Disney é inspirada no filme homônimo de 1992 e conta a história de um jovem entregador de jornais que sonha em conquistar uma vida melhor. No fim do século 19, ele lidera os colegas em uma greve por condições mais justas contra os magnatas do mercado editorial.

Por que vale a pena: como toda produção da Disney, o espetáculo é impecável. Ganha pontos principalmente pelas danças muito bem executadas. Em 2012, venceu os prêmios Tony de música e coreografia. As canções são de autoria de Alan Menken, que também compôs para a Disney a trilha dos filmes animados A Bela e a Fera e A Pequena Sereia.

Cinderella

Todo mundo já conhece a história da Gata Borralheira, certo? Bem, não exatamente a versão recém-lançada em um dos maiores teatros da Broadway. Inspirado no filme musical da dupla Rodgers e Hammerstein, de 1957, o espetáculo adiciona elementos atuais e muitas passagens cômicas ao conto da garota maltrapilha que perde o sapatinho de cristal no baile do príncipe. Uma adaptação leve e inesperada, ideal para famílias.

Por que vale a pena: os figurinos e os cenários encantam crianças e adultos. A orquestra, que divide o palco com os atores, dá um show à parte, entoando canções clássicas do filme original, como In My Own Little Corner e A Lovely Night.

Motown

O show conta a trajetória do produtor Berry Gordy, fundador da icônica gravadora Motown. Em ritmo animado e descontraído, o roteiro foca especialmente na fase em que o produtor lançou artistas de peso ao estrelato, como Diana Ross, Michael Jackson, Stevie Wonder e Marvin Gaye.

Por que vale a pena: quem não gosta de relembrar o sucessos da black music americana, como ABC, Ain’t No Mountain High Enough e What’s Going On? O destaque vai para o ator-mirim Raymond Luke Jr., que interpreta Michael Jackson quando criança. Além disso, a produção é do próprio Berry Gordy, o que confere toques bastante autênticos ao espetáculo

Onde comer

Sardi’s

Em funcionamento desde 1927, este restaurante de comida italiana é uma instituição da Broadway. Sua história é, por si só, bastante curiosa: para não serem confundidos com mafiosos durante o período da Lei Seca americana, os proprietários da casa fizeram releituras de receitas típicas da Itália. Criaram, assim, um cardápio superautêntico. O destaque da com caricaturas de personalidades que já passaram pelos palcos da Broadway. A lista é enorme: Farrah Fawcett, Whoopi Goldberg, Robert De Niro, Al Pacino, Daniel Radcliffe, Matthew Broderick…

O acervo é tão grande (1200 peças!) que parte dele hoje está guardada na Biblioteca Pública de Nova York. E continua crescendo: por ano, são feitos quarenta novos retratos. O próximo é de Tom Hanks, que está em cartaz no teatro vizinho. Só tome cuidado para não prestar atenção demais aos desenhos e se esquecer de notar algum ator famoso, em carne e osso, comendo na mesa ao lado.

Carmine’s

Inspirado na culinária do sul da Itália, a cantina serve desde 1990 generosas porções de massas, carnes e frutos do mar para dividir entre até seis pessoas, com ótimo custo-benefício. A comida é simples, sem grandes elaborações, porém muito saborosa. Tanto é que filas são comuns para os jantares pré e pós-shows – por isso é recomendável reservar. De tão disputado, o restaurante tem filiais em Atlantic City, Washington, nas Bahamas e, em breve, Las Vegas.

SERVIÇO

Moeda

Dólar americano (US$)

Fuso Horário

+ 1h em relação ao horário de Brasília.

Como Ligar

De Nova York para o Brasil, disque 00 + 55 (cód. Brasil) + código da cidade + número do telefone. Para ligar a cobrar, disque1800 344 10 55 e siga as instruções em português.

Clima

O verão, de junho a agosto, é quente e tem máxima de 30 ºC. O frio intenso começa em dezembro e vai até fevereiro, quando a temperatura pode chegar a 13 ºC negativos e a possibilidade de neve é grande

 

Na rede

nycgo.com

HOSPEDAR

Equity Point New York at Times Square (206 West 41st St, equitypoint.com) Bem localizado, este hostel tem ampla área de convivência, bar, sala de internet e quartos para até 4 pessoas com ar-condicionado e banheiro privativo.

Selton Hotel (144 E 40th St, seltonhotelny.com) Próximo à Park Avenue e à biblioteca pública, possui quartos com ar-condicionado, frigobar, TV e banheiro compartilhado.

Hotel Mela (120 West 44th St, hotelmela.com) Em plena Times Square, tem 230 quartos e suítes, com camas queen ou king size e wi-fi.

Millenium Broadway (145 West 44th St, milleniumhotels.com) No coração da Times Square, perto dos teatros da Broadway, tem 750 quartos e suítes divididos em cinco categorias. Todos contam com frigobar e banheira de mármore.