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Manila: o que fazer na capital das Filipinas

Manila: o que fazer na capital das Filipinas

Um guia sobre a capital filipina, passeando por Intramuros e Forte Santiago + onde comer + esticada até Tagaytay

Por Cristiane Sinatura

“Os filipinos são como os jeepneys”, define Milagros, a senhorinha risonha que foi nossa guia por dois dias em Manila. Para começar a entender as Filipinas, portanto, é preciso entender os jeepneys, uma herança de quando os Estados Unidos ocuparam o país por 40 anos. Ao fim da Segunda Guerra, os soldados americanos foram embora, deixando seus jipes para trás. Experts em transformar adversidades em praticidade, os filipinos deram um trato nos veículos, convertendo-os em transporte público. Hoje, 70 anos depois, as ruas de Manila parecem um desfile de escola de samba, com centenas de jeepneys brigando por espaço com carros de placas improvisadas, ônibus turísticos e os infames triciclos – equivalente filipino dos tuk-tuks, tão onipresentes no sudeste asiático.

Cada jeepney é decorado à sua maneira, quase nunca discreta, quase sempre com luzes de néon, adesivos, propagandas, frases divertidas. Espremidas e abafadas dentro deles, as pessoas acenam sorridentes para nós, turistas que observam o trânsito pesado de dentro de uma van com ar-condicionado. Os jeepneys são, enfim, criativos, alegres, bem-humorados, simples, práticos. Pronto: eis a descrição do povo filipino segundo Milagros, a guia. E facilmente comprovada por qualquer visitante, mesmo no mais breve contato com um morador.

 

jeep

Jeepney (foto: divulgação)

 

Para desvendar a história das Filipinas além dos jeepneys, talvez valha a pena reservar pelo menos um dia em Manila antes de partir para as praias (e também para descansar depois da jornada desde o Brasil). Ela virou capital em 1571 e hoje faz parte de um emaranhado de 17 cidades conhecido como Metro Manila, onde vivem quase 13 milhões de pessoas. É tudo o que se espera de uma metrópole do sudeste asiático: caos no trânsito (que deixa São Paulo no chinelo), barracas de comida na rua, amontoado de gente e de coisas e filas intermináveis para entrar nos trens. Mas também há bairros vibrantes e cheios de arranha-céus modernos, onde a vida noturna e a gastronomia ganham a atenção do turista. É ainda lugar de gente descontraída, que não resiste a uma boa noitada em incontáveis karaokês – não estamos falando de um bando de bêbados gritando Evidências, mas sim de verdadeiros cantores acompanhados  de banda e tudo.

 

Intramuros

Intramuros (foto: shutterstock)

 

O lugar mais turístico de Manila é Intramuros, o centro histórico delimitado por mais de cinco quilômetros de muralhas espanholas, à beira do Rio Pasig. É onde você vai começar a entender este caldeirão cultural que são as Filipinas: elas foram colonizadas com a chegada de Fernão de Magalhães em 1521, sendo nomeadas em homenagem ao rei espanhol Filipe II. Da dominação espanhola, que durou mais de 300 anos, herdaram-se ainda o nome das pessoas e das ruas, a moeda (peso filipino), as influências na comida, o catolicismo fervoroso e uma série de palavras do idioma nativo, o tagalog. No fim do século 19, quando pensava ter se declarado independente, o país passou então para a mão dos americanos, não sem antes ter sido tomado por japoneses e britânicos – daí o inglês que sai fácil da boca dos filipinos em praticamente qualquer canto, tão oficial quanto o tagalog.

Por isso mesmo, Intramuros é recheado de casario colonial à moda latina. E tem passado por uma trabalhosa revitalização depois de sucumbir a terremotos, tufões, incêndios e guerras. Portanto, tudo que se vê de pé ali hoje é, de alguma forma, reconstrução do original. Sendo uma das edificações mais antigas da cidade, o Forte Santiago é ponto de partida para explorar a área. Ele era parte do sistema de defesa erguido pelos colonizadores e, além de abrigar câmaras de tortura e masmorras, teve papel importante em diversos conflitos. O mais marcante é, possivelmente, como local de prisão do herói nacional José Rizal, condenado à morte ao lutar pela independência filipina em 1896. Um caminho feito de pegadas mostra os últimos passos dele, da cela ao parque onde aconteceu a execução – hoje batizado em homenagem ao mártir.

 

Forte Santiago

Forte Santiago (foto: shutterstock)

 

Mais da herança espanhola se vê nas igrejas, desde a catedral fundada em 1571 até a de Santo Agostinho, tombada pela Unesco. Anexo à sua estrutura barroca, muito procurada para casamentos, um pequeno museu conta a história marítima e religiosa das Filipinas, mostrando como elas se tornaram um importante entreposto comercial na rota das especiarias. Outro endereço em Intramuros para imaginar a vida na época colonial é a Casa Manila, que reproduz a residência de uma família abastada do século 19. Veem-se escritório, aposentos de dormir, sala de estar, capela, cozinha, banheiro (com duas latrinas!), tudo decorado com mobília antiga.

 

Tempurá

Prato do Barbara’s (foto: divulgação)

Para intensificar a experiência local, vale almoçar no restaurante que fica no pátio da casa, o Barbara’s. O bufê de comidas típicas é acompanhado por apresentações de música e dança tradicional no jantar. E talvez você não faça a mínima ideia do que se come nas Filipinas ou pense que seja algo parecido com outros países da região. E a verdade é que eu jamais esperava encontrar tanto porco e ensopado – muito, afinal, vem da mesa espanhola (com pimenta, pimenta, pimenta!). O lechón (porco assado) e o adobo (guisado de qualquer tipo de carne) são algumas especialidades servidas no Barbara’s, mas também há bastante influência asiática, como macarrão tipo yakisoba, rolinho primavera e tempurá.

 

Querendo mais amostras da Ásia, pode-se atravessar a ponte desde Intramuros até Binondo, como é conhecida a Chinatown de Manila. Mercadinhos, barracas na rua e restaurantes com comida indecifrável saciam a curiosidade especialmente de quem pisa no sudeste asiático pela primeira vez. Bom lugar para encher olhos, boca e câmera fotográfica com as frutas nativas vendidas na calçada, como manga (docinha, docinha), rambutã, pitaia, fruta-do-conde e mangostim.

 

Onde comer, dormir e comprar em Manila

É claro que numa metrópole gigante como Manila também haverá o lado cosmopolita. Um lado que parece totalmente desconectado da histórica Intramuros, onde a bagunça dá lugar a avenidas planejadas, as construções abaladas por terremotos e guerras viram arranha-céus espelhados, a comida típica aparece em versão refinada ou mesmo substituída pela alta gastronomia, onde os jeepneys somem e a gente quase pensa que está nos Estados Unidos.

 

Metro Manila

Metro Manila (foto: shutterstock)

 

É assim principalmente em Bonifacio Global City (ou simplesmente BGC), um bairro de negócios que tecnicamente faz parte de Taguig, cidade da Metro Manila. É uma região muito interessante para se hospedar – o Shangri-La at the Fort, por exemplo, abriu as portas no ano passado em um dos prédios mais altos das Filipinas. O cinco estrelas surpreende não só pelo conforto de seus 576 quartos como também pela variedade de restaurantes – sete ao todo, sendo o Raging Bull, de carnes, o mais popular (escolha uma faca para cortar seu bife e aprenda a história por trás dela). Tem também o chinês Canton Road, o peruano Samba (!) e o bufê de café da manhã simplesmente inesquecível do High Street Café, que tem desde sorvete até sushi, além dos clássicos continentais.

 

Prato do  Lorenzo’s Way (foto: divulgação)

Principal via de BGC, a High Street rende um passeio gostoso à noite, quando os moradores aproveitam a temperatura mais amena para passear com seus cachorros e os turistas terminam o dia em mesas ao ar livre. Rodeado por jardins, o calçadão de pedestres reúne restaurantes como o Lorenzo’s Way, de comida filipina, e a hamburgueria Pound, além de opções de culinária mexicana, italiana e japonesa. E, claro, não pode ficar de fora uma passadinha na onipresente Jollibee, rede filipina de lanchonetes fast-food que tem precinhos tão baixos quanto US$ 1. A rua concentra também lojas internacionais, como Calvin Klein, GAP, LacosteMango e Old Navy.

 

Por isso tudo, Bonifacio tem potencial para se tornar o centro financeiro mais expressivo da Metro Manila, mas esse posto ainda pertence à cidade vizinha de Makati, onde também marca presença o horizonte tomado por prédios altos. Aqui a gente encontra, em
peso, mais uma paixão nacional dos filipinos: os shoppings. Parece natural que, num lugar onde as temperaturas atingem mais de 30 °C no verão, as pessoas queiram passar o tempo no ar condicionado afinal. A rede SM tem shoppings em toda a região metropolitana – a unidade de Makati reúne desde lojas internacionais, como Uniqlo, Forever 21H&M, até a imperdível Kultura, boa para comprar produtos locais, como chás, café, chocolate, artesanato, bijuteria, roupas e suvenires.

Em Makati também encontramos o lado “gourmetizado” das Filipinas. É onde até mesmo a comida típica ganha ares sofisticados, como no Romulo Café, um restaurante de decoração moderna em que vale a pena provar as bolinhas fritas de peixe e lula (uma iguaria vinda diretamente das ruas), o caranguejinho empanado e o famoso sisig. Este último merece uma explicação detalhada – sua receita conquistou até mesmo o chef celebridade Anthony Bourdain, que promete levá-la para seu novo restaurante em Nova York. É mais ou menos assim: a carne de porco (bochecha e fígado) é desfiada, refogada com temperos, acrescida do suco de um limãozinho típico chamado kalamansi e finalizada com um ovo de gema mole por cima. Voilá, eis o sisig.

 

caranguejinho empanado

Comida típica (foto: divulgação)

Mas interessante mesmo é a experiência no The Test Kitchen, ainda em Makati. O jovem chef Josh Boutwood recebe apenas 20 pessoas por noite, sob reserva, para provarem seu menu que varia de acordo com a época e a disponibilidade. Em seis etapas, comemos delicadas porções de lula, cordeiro, peixe, porco e carne bovina, servidas sempre com alguma surpresinha – fosse a pipoca ou as cinzas comestíveis como decoração do prato. Podendo ser harmonizado com vinhos, o banquete é barato e de qualidade, com uma boa apresentação da comida filipina, preparada na cozinha aberta bem ao lado dos convivas.

 

Tão criativo quanto, o The Curator é um bar tipo speakeasy, escurinho e escondidinho atrás de uma cafeteria a dois quilômetros do The Test Kitchen, onde o visitante pode escolher entre as muitas opções da carta de coquetéis (incluindo drinques defumados) ou, se estiver num humor mais ousado, pedir um “surprise me” para o bartender, que cria a bebida do zero a partir das preferências do freguês. Pedi “refrescante”; vieram gim, pepino, limão e hortelã. Isto vale para Manila como um todo: entre congestionamentos eternos e drinques misteriosos, deixe-se surpreender.

 

Bate-volta de Manila até Tagaytay

 

Tagaytay

Tagaytay (foto: shutterstock)

 

Uma viagem de 60 quilômetros desde Manila (que pode demorar três horas por conta do trânsito) leva até Tagaytay, cidade com clima de montanha e bastante popular entre os filipinos para escapadas refrescantes de final de semana. Para os turistas, a grande atração é o vulcão Taal, bastante violento, mas adormecido desde 1977 – um dos menores vulcões ativos do mundo. Não se trata de qualquer um: dentro dele tem um lago e, dentro do lago, uma ilhota. E o Taal em si fica em uma ilha dentro de outro lago. Confuso mesmo – a piada ali é compreender o que significa “uma ilha dentro de um lago dentro de um vulcão dentro de uma ilha dentro de um lago“. Ufa! Travalínguas e cérebros à parte, o melhor lugar para ver o fenômeno (e tentar entender) é o mirante do hotel Taal Vista, torcendo para que o dia esteja limpo, sem neblina. Com mais tempo e disposição, pode-se chegar à ilha do vulcão de barco e fazer caminhadas até seu topo. Para o almoço, vale uma parada no adorável Sonya’s Garden, que serve salada  fresquinha, plantada ali mesmo nas hortas e nos jardins da propriedade, além de massa com legumes, cogumelos, azeitonas e outros acompanhamentos.

 

 

Onde se hospedar nas Filipinas?

Em Manila
Shangri-la at the Fort
Cinco estrelas em Bonifacio Global City, tem suítes sofisticadas e boa estrutura de lazer.

Em Boracay
Shangri-la
Resort cinco estrelas à beira-mar, tem suítes espaçosas e villas exclusivas e praia privativa.

 

 

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