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Lucerna e Interlaken: a Suíça dos nossos sonhos

Lucerna e Interlaken: a Suíça dos nossos sonhos

Para complementar a matéria da Revista Viajar Pelo Mundo, mais duas cidades que merecem entrar no seu roteiro pelo país europeu

Por Cristiane Sinatura

Era uma vez, em Lucerna…
50 km de Zurique

Se um cavaleiro de armadura e lança em punho aparecesse naquelas vielas, não seria de muito espanto. Lucerna, afinal, é como uma cidade de conto de fadas. Só não tem segredo nem mistério: é fácil cair de amores logo de cara. Fundada em 1178, ela é medieval e histórica de coração, mas, ao mesmo tempo, tem alma jovem, especialmente no verão, quando as ruas ganham festivais ao ar livre e o lago convida para um mergulho em clubes de temporada, como o Seebad.

Quem chega de trem dá logo de cara com a faceta moderna. À beira do lago, o centro cultural KKL é um complexo de entretenimento com sala de concertos e auditórios, onde acontecem apresentações de orquestra, dança e música clássica. Também tem restaurantes, café e bar. Na cobertura, o Kunst Museum expõe uma boa coleção de arte predominantemente suíça, com foco nos séculos 19 e 20.  Mas não é preciso andar muito para captar a aura de “conto de fadas”. O centro histórico está a poucos passos, antecedido por um cartão-postal inconfundível: a Ponte da Capela, coberta e de madeira, construída no século 14 sobre o Rio Reuss. As pinturas que um dia a adornaram de ponta a ponta foram quase todas destruídas em um incêndio nos anos 1990 – hoje restam menos de 30 trabalhos originais, que podem ser observados no telhado.

A ponte desemboca na Torre D’Água, que, desde o século 13, já serviu de fortificação, arquivo, câmara do tesouro, prisão e sala de torturas. Para completar o cenário de sonho, cisnes nadam tranquilamente nas águas do rio, com a Igreja Jesuíta aparecendo às margens como representante barroca das antigas tradições católicas de Lucerna. Tanto a ponte como a torre faziam parte das fortificações medievais da cidade, que contava ainda com a proteção de muralhas. Alguns trechos dos paredões seguem de pé e hoje, das nove torres, quatro são abertas a visitas gratuitas – como a de Zyt, que abriga o relógio mais antigo, de 1535.

Uma vez atravessado o rio, rodar pelo centro histórico, repleto de fontes de água fresca e potável, é um passeio delicioso: as fachadas do casario são decoradas com afrescos medievais, que remetem às profissões das pessoas que ali moraram ou trabalharam um dia. Hoje, a maioria das construções abriga lojas, restaurantes e hotéis. É nesse miolinho, principalmente na praça Weinmarkt, que acontece o famoso carnaval de Lucerna, quando os foliões saem fantasiados ainda de madrugada às ruas, atirando laranjas uns nos outros.

Quem vai em busca de museu fica feliz no Sammlung Rosengart, com dois nomes de peso: Paul Klee e Pablo Picasso. Do pintor suíço, há 125 trabalhos, entre aquarelas e desenhos. Já o mestre espanhol é representado com obras a partir de 1938, bem como rascunhos do início de sua carreira. Para completar, tem também Cézanne, Monet, Matisse e Miró. E, de novo representando o lado moderno, o Museu do Transporte Suíço faz uma incursão pela história da mobilidade, expondo trens, aviões, carros, barcos e foguetes em modelos reais e maquetes. É o mais abrangente do gênero em toda a Europa, rendendo um passeio divertido para quem está com crianças – mas não só. Adultos também vão gostar de uma atração lançada há pouco tempo: é a Swiss Chocolate Experience, que, com recursos multimídia e sensoriais, mostra aos visitantes a história do cacau e da marca Lindt. Com degustação, claro! Trem, chocolate, Suíça… tudo a ver, não?

Upgrade com Monte Titlis

monte
Um dos montes que cercam Lucerna, o Titlis garante neve o ano todo no alto de seus 3.292 metros. Para chegar lá, é preciso ir até a cidadezinha de Engelberg – trens saem de Lucerna de hora em hora e o trajeto dura 45 minutos. Leva mais ou menos o mesmo tempo para chegar ao topo da montanha. O percurso é feito em três etapas – uma delas é o Titlis Rotair, primeiro teleférico giratório do mundo, garantia de boas vistas. Entre as atrações, independente da época do ano, há uma caverna de gelo com 150 metros de extensão; o teleférico Ice Flyer (CHF 12), que sobrevoa fendas na geleira; e a Cliff Walk, a ponte pênsil mais alta da Europa, a 500 metros do chão. No inverno, as pistas de esqui se tornam a principal atração na montanha; no verão, o snow park continua a garantir a diversão. De volta a Engelberg, vale se programar para visitar o monastério beneditino, que, além de ser lindo, tem uma lojinha de queijos e outros produtos suíços.
Teleférico ida e volta entre Engelberg e Titlis: CHF 92 | Ski pass a partir de CHF 54, titlis.ch

No meio de dois lagos, tinha Interlaken
56 km de Berna

Do alto, entende-se perfeitamente o porquê do nome “Interlaken”: entre dois lagos. De um lado, o Thun; do outro, o Brienz. No horizonte, reina o triunvirato mais poderoso dos Alpes suíços: as montanhas Jungfrau, Eiger e Mönch – em bom português, a Virgem, o Ogro e o Monge. Talvez isso, o cenário de sonho, explique a popularidade de Interlaken entre os turistas, do verão ao inverno.  Subir ao topo da Harder Kulm, colina símbolo da cidade, está entre os programas mais disputados – e é dali que se tem o melhor panorama da paisagem. Em trajeto de dez minutos, um funicular leva a mais de 1.300 metros de altitude. Lá no alto, uma vertiginosa plataforma de observação com chão de vidro se lança sobre o “abismo”. Depois do frio na barriga, uma fondue de queijo no restaurante panorâmico para esquentar não cairá nada mal.

interlaken

De volta ao “chão”, uma visita a Interlaken não fica completa sem um passeio pela avenida Höheweg, a principal da cidade, onde lojas, restaurantes e hotéis se enfileiram em construções de estilo alpino – bom lugar para arrematar umas lembrancinhas da Suíça, como canivetes, relógios, sinos de vaca, miniaturas de cães São Bernardo e chocolate. Por falar nisso, no centro de Interlaken, a loja Funky Chocolate Club tem oficinas em que uma mestre chocolatier mostra o passo a passo do preparo artesanal, ao longo de uma hora. Cada aluno tem direito a fazer (e levar para casa) três barras, que podem ser decoradas e personalizadas a seu bel-prazer. Outra febre entre os amantes do cacau em Interlaken é o Chocolate Show da confeitaria Schuh, uma aula-demonstração que não inclui a parte do “botar a mão na massa”, mas tem degustações e dá direito a oito francos em compras na loja.

Neve, outro ícone suíço, também se encontra nos arredores de Interlaken. A subida à montanha Junfrau é, provavelmente, o passeio que melhor dá vida àquela ideia da Suíça alpina que povoa a cabeça de todos nós. Ali fica a estação de trem mais alta da Europa – daí o aposto “Topo da Europa”. Chegar até lá é uma verdadeira jornada (com paisagens lindíssimas passando pelas janelas), que começa em Interlaken e acaba a 3.454 metros de altitude, duas horas e meia depois.

Ao todo, são três trens. O primeiro trajeto vai até Grindelwald ou Lauterbrunnen, de onde sai o trem para Kleine Scheidegg. É lá que começa a etapa final, pela centenária ferrovia Jungfraubahn, com cerca de oito quilômetros de subidas e curvas por dentro das montanhas – portanto, no escuro. Duas paradas no meio do caminho – em Eismeer e Eigerwand – contam com mirantes para admirar o cenário cada vez mais branco de neve (e gelado, mesmo no verão).

Uma vez no Jungfrauhoch (o platô que fica no “pé” do monte), várias atrações hão de preencher o seu dia, como os dois mirantes ao ar livre (de onde se veem os picos do trio de montanhas), o escorregadio Palácio de Gelo (que exibe belas esculturas congeladas), o Alpine Sensation (um túnel que, com efeitos especiais e multimídia, mostra tradições suíças e a história da construção da ferrovia) e o Snow Park (com tirolesa, trenós, boias, bicicletas de neve e afins). Lembra aquela história sobre o tamanho do frasco? Depois disso tudo, vai dizer que a pequena grande Suíça não tem potencial para ser o melhor perfume do mundo?

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Se quiser quebrar a viagem entre Interlaken e Jungfrau, faça um pit stop em Grindelwald.

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