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Conheça Londres sem estourar o orçamento!

Conheça Londres sem estourar o orçamento!

A fama da capital inglesa pode assustar um pouco viajantes que não estejam com bala na agulha (ainda mais em tempos de crise). Dê uma segunda chance à cidade seguindo nosso manual de bons costumes econômicos e aproveite até cansar

Por Victor Gouvêa

Londres é cara pra caramba. Quantas vezes você já escutou essa máxima do turismo – aparentemente – incontestável? Quantas viagens à capital inglesa foram adiadas por receio de gastar demais? Pois então, fique de bem com seu saldo bancário, abrace o gerente, porque vamos contar a você como curtir essa cidade incrível desembolsando pouco, e o melhor: sem perrengue.

Não vamos enganar você, Londres é, sim, mais cara se comparada com outras capitais europeias como Berlim e Madri. E a libra batendo os R$ 4 na casa de câmbio também não ajuda. Mas conhecendo os macetes certos e as pencas de atrativos gratuitos, uma visita ao reino de Elizabeth II pode sair em conta. E o primeiro truque, claro, é sobre a chegada.

 

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Dica para a vida: o pouso em um dos quatro principais aeroportos fora da cidade (Heathrow, Stansted, Luton ou Gatwick) é a pegadinha de boas-vindas. Fuja dos trens caríssimos, progra-me-se com antecedência e compre pela internet uma passagem de ônibus que leva até algum metrô central, como a Victoria Station. Você encontra promoções a partir de £ 2 e facilmente tarifas na casa das £ 5 em companhias como a National Express (nationalexpress.com) e a Easy Bus (easybus.com). Além de uma pechincha, são confortáveis e oferecem Wi-Fi, ve-ja só quanta vantagem.

British Museum / foto: shutterstock

Chegando ao metrô, não hesite em investir £ 5 em um cartão Oyster, o Bilhete Único londrino, que depois será revertido em créditos. Tenha coragem e pague o passe semanal para as zonas 1 a 3, que sai por £ 38. Confie na gente, satisfação garantida. Essa será sua melhor aplicação financeira da jornada. Além de não precisar se preocupar com as zonas (quase ninguém tem motivos para passar da número 3), tem de brinde a tranquilidade de tomar quantos metrôs quiser, e ele já compensa a partir do segundo ou terceiro dia em relação ao valor do passe por viagem. Só não se esqueça de validar o bilhete também na saída para evitar a multa.

Pronto: com o Oyster em mãos, dá para sair e explorar diversos museus excelentes e com a catraca liberada. Para quem é rato de cultura, Londres talvez seja a cidade mais barata do mundo para se esbaldar, já que são bancados pelo governo e a entrada é, por regra, free. O mais conhecido é o British Museum, que reúne um acervo extraordinário da história da humanidade. Dividido em setores, o visitante pode embarcar nessa viagem no tempo passando por estátuas e esculturas dos impérios assírio, romano e grego; babar por cerâmicas chinesas antiquíssimas, relíquias da Idade Média na Europa, objetos de povos pré-colombianos e vários outros itens do arco da velha. A criançada pira nas múmias egípcias, nos sarcófagos e estandes montados dentro do museu em que se pode tocar (pode mesmo!) objetos ancestrais como moedas gregas e máscaras africanas do século nada.

Aliás, crianças – e adultos também – costumam perder as estribeiras no Natural History Museum. Além de ossadas de dinossauros e outros animais pré-históricos extintos logo na entrada, o museu é bastante educativo, explorando frentes da ciência com simulações, jogos e réplicas de animais, corpo humano e tudo o que há na natureza. Se nada disso interessar, a visita vale nem que seja para se embasbacar com o prédio de 1881 em estilo românico. A instituição vizinha, o prestigiado Victoria and Albert, mostra um panorama sobre os mais variados assuntos: de moda a joias, de fotografia a teatro. E se você ainda não se cansou de exposições, o moderno Imperial War Museum exibe itens coletados da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, além de uma parte reservada aos horrores do nazismo alemão.

Natural History Museum / foto: shutterstock

 

Para ver arte, é indispensável uma visita à exposição permanente da Tate Modern, uma das coleções mais importantes do mundo que inclui a sala com os Seagram Murals do papa do expressionismo abstrato, Mark Rothko. No antigo prédio com jeitão de fábrica, que pertencia à London Electricity, ainda tem Picassos, Mirós e mais uma penca de artistas importantes. Já a Tate Britain é dedicada só a obras de artistas britânicos – e não menos notáveis.

Assistir a um musical de West End pode custar pequenas fortunas, principalmente os novos e mais concorridos, como Book of Mormon e Matilda. Mas até aí dá para salvar uns trocados. A saída é tentar os chamados Last Minute Tickets, os “ingressos de última hora”. Dependendo da lotação, o teatro pode ofertar bilhetes remanescentes por menos de £ 20. Basta chegar com um pouco de antecedência, consultar direto no caixa e aguardar. A última esperança são os tíquetes devolvidos, revendidos com desconto, literalmente, no último minuto.

Perto de West End, em frente à Trafalgar Square, está a imponente National Gallery, que ostenta uma pinacoteca clássica de cair o queixo. Para se ter uma ideia, duas raras pinturas do mestre holandês Johannes Vermeer estão lá – além de Caravaggio, Monet, Botticelli, Rembrandt e os famosos girassóis de Van Gogh. Do clássico ao contemporâneo a um metrô de distância: se aventurando pelas ruas do bairro de Shoreditch, é fácil topar com dezenas de grafites que dão um ar descolado à área. É só caminhar a esmo que a arte de rua pipoca aqui e ali. Arremate as artes londrinas com uma passada na Serpentine Gallery, uma das galerias mais prestigiadas do Reino Unido, de graça, como todos os museus citados, e dentro do Hyde Park.

Hyde Park / foto: shutterstock

Esse é o Central Park com sotaque britânico, outro ótimo passeio na faixa e uma chance de desacelerar em meio ao corre-corre da metrópole. Siga os locais e aprecie calmamente os jardins, lagos, relaxe sentando em uma das cadeirinhas verdes ou deitando no gramado – se o clima permitir. Destaque para o Jardim das Rosas e os memoriais que homenageiam do holocausto à Princesa Diana. Na primavera e no verão, se demorar nos parques da cidade é o programa preferido de dez entre dez londrinos. Energias recuperadas, é hora de um giro pelo charmoso bairro de Notting Hill, bem na saída noroeste do parque.

Como Caetano Veloso conta na canção Nine Out of Ten, dos tempos de exílio, caminhe pela Portobello Road. Impossível não se encantar com as casinhas coloridas que enfeitam a rua. Tente encontrar a que serviu de morada ao escritor inglês George Orwell e continue até chegar no Honest Burger, um dos melhores hambúrgueres que você terá a chance de provar. Os “sandubas” suculentos saem por volta de £ 12, que é um valor honesto pela qualidade, como o próprio nome diz. Mas vira e mexe eles promovem o Honest Day, no melhor estilo “quer pagar quanto?” Comer em Londres é outro ponto crucial para economizar porque alimentação, de fato, é “salgada” em geral. Além do Honest Burger, uma boa pedida é o Borough Market, um lindo mercado de mil anos – exatamente, um milênio no mesmo lugar, a Europa tem dessas. Lá se encontra diversidade gastronômica globalizada a preços justos. Por tudo que é mais sagrado, experimente por £ 5 o queijo Ogleshield pornograficamente derretido sobre batatas da barraca Kappacasein, aberta às quintas, sextas e aos sábados. Sua boca vai encher d’água instantaneamente e você vai entrar na fila, prometemos.

Caminhando pela cidade, você verá ingleses com pacotinhos nas mãos procurando algum lugar agradável para se sentarem na hora do almoço. Eles não são nada bobos e aproveitam as ofertas dos supermercados, como o Tesco e o Sainsbury. Deixe o preconceito de lado e explore o amado Meal Deal. Apenas £ 3 e inclui um prato pequeno, uma bebida e uma sobremesa para levar e comer por aí. Se você preferir opções refinadas dessas comidinhas, as redes Waitrose e M&S oferecem combinações um pouquinho mais caras e de maior qualidade.

Borough Market / foto: shutterstock

Comer você já sabe, então aí vai a pedida para beber e sacudir o esqueleto. No coração de Soho, o Blues Bar tem uma das melhores programações de bandas ao vivo da cidade. Os caras realmente garimpam o que há de bom na cena musical e as apresentam no diminuto palco por zero libras esterlinas. Para compensar o agito, a cerveja é gelada e não custa caro.

Agora só falta definir onde dormir. Talvez você não saiba, mas de uns quatro anos para cá, a tendência entre hostels é abandonar a imagem de hospedagem barata e de qualidade duvidosa. O bem-localizado Generator Hostel tem quartos coletivos com decoração maravilhosa a partir de £ 17 a diária – e privados por £ 68. Outra experiência única é dormir no Clink78, o hostel que ocupa uma antiga corte de 200 anos onde os músicos da banda The Clash foram julgados e o escritor Charles Dickens teve a ideia de escrever o livro Oliver Twist. Para uma estadia mais exclusiva, reserve uma das sete celas com duas camas.

Ah, espera aí, você não conhece Londres ainda? Pois os atrativos mais famosos, como Palácio de Buckingham, Tower Bridge, Big Ben e Picadilly Circus, também podem ser admirados sem gastar nem um tostão. Porque Londres só é cara para quem quer. Veja mais na matéria 8 clássicos londrinos.

 

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