fbpx
HomeDestinosGalápagos: a joia do Equador

Galápagos: a joia do Equador

Galápagos: a joia do Equador

Desbravamos o arquipélago no meio do Oceano Pacífico e voltamos com muitas histórias para contar sobre paisagens, animais e encantos que só existem por lá

Por Danielle Motta

Meu sonho de viagem na adolescência não tinha parques famosos nem destinos chiques. Era o Equador. Se você está se perguntando, caro leitor, por que um país com o tamanho do estado do Piauí despertaria o interesse de uma garota de 17 anos, apresento-lhe três boas razões. A primeira foi uma reportagem, que nunca saiu da minha memória, sobre o trem Nariz Del Diablo, no qual os passageiros se acomodam no teto de vagões, entre desfiladeiros, montanhas e vales profundos.

O segundo era a Avenida dos Vulcões – que outro lugar do mundo concentra quase 70 deles em uma área 30 vezes menor que a do Brasil? A terceira justificativa para visitar o país que divide o planeta em duas metades era Galápagos, o arquipélago repleto de pássaros peculiares, a mil quilômetros do continente, que inspirou o cientista Charles Darwin a desenvolver a Teoria da Evolução das Espécies, em 1835.

Mais de 10 anos depois, esse desejo juvenil, finalmente, virou realidade. Viajei a Galápagos de avião e explorei o lugar de uma forma semelhante à do estudioso inglês, que o fez a bordo do navio Beagle. A diferença é que eu estava a bordo do iate La Pinta, uma embarcação bem mais confortável. Os cruzeiros, vale dizer, são a melhor maneira de conhecer esse arquipélago formado por 13 ilhas maiores, seis médias, 40 As iguanas estão por toda parte nas ilhas de Galápagos: há espécies terrestres (ao lado), marinhas – as únicas no mundo – e as híbridas, aquelas capazes de viver na terra e no mar.

[optinlocker]

Impressionante também é a profusão de peixes que podem ser observados nos 70 pontos de mergulho do arquipélago Galápagos pequenas e incontáveis ilhotas. Há pacotes de quatro, cinco e oito noites que partem dePuerto Baquerizo Moreno, a principal cidade da Ilha de San Cristóbal, ou de Puerto Ayora, a capital da Ilha de Santa Cruz. Foi fácil entender os motivos que levaram Darwin a adorar esse arquipélago remoto, que durante séculos foi apenas parada de navegadores e piratas a caminho de algum lugar.

(Foto: shutterstock.com)

(Foto: shutterstock.com)

Logo na chegada, asprimeiras surpresas começaram a aparecer, uma a uma, quando o guia apresentou a lista imensa do que pode e do que não pode fazer dentro do Parque Nacional de Galápagos (PNG). Ele é considerado Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva de Biosfera pela Unesco. Por isso, lá ninguém mora ou fica mais de três meses sem autorização prévia do governo equatoriano.

Há um rigoroso controle já ao desembarcar do avião: nenhum tipo de comida é admitido, nem uma frutinha que você tenha guardado da refeição durante o voo. Levar um animal doméstico? Nem pensar. Aliás, toma-se cuidado até para que insetos não venham do continente a bordo das aeronaves, pois Galápagos é um dos raríssimos recantos naturais onde as espécies vivas chegaram sem interferência humana. Isso graças a um fenômeno raro: quatro correntes oceânicas diversas convergem caprichosamente para as ilhas e concentram muitos nutrientes, como o plâncton, uma fonte de alimento capaz de atrair ao menos 7 mil espécies de animais para a região.

E é essencial manter as coisas assim, para evitar desequilíbrios ecológicos – o que leva o governo do país a restringir o número de turistas: apenas 150 mil por ano. Há uma taxa para entrar no parque: são US$ 100 por pessoa (exceto no caso dos residentes em países do Mercosul, que pagam metade disso). Você já pode imaginar que esse não é um lugar para quem curte grandes resorts e transatlânticos com uma infinidade de opções de entretenimento, agitos e afins. Em Galápagos, tudo gira em torno das paisagens e dos bichos. O La Pinta, por exemplo, é uma embarcação que comporta somente 48 passageiros.

Após o jantar, todos recolhem-se às suas cabines para dormir e acordar muito cedo. Mas é por um bom motivo: duas vezes ao dia – uma pela manhã e outra à tarde –, o iate para em algum ponto notável do arquipélago e os passageiros saemem botes para realizar expedições pela natureza em seu estado mais puro. Em cada saída, um naturalista guia o grupo de passageiros, divididos de acordo com o idioma – inglês, espanhol, italiano, entre outros. Não sei por qual razão me colocaram na “equipe” de passageiros que falavam italiano. Mas estava tão entusiasmada de estar lá, que nem me importei!

Com um sotaque bem cantado, Lênin – nosso guia inseparável – explicava tudo sobre as origens de cada ilha, os hábitos dos animais, as suas adaptações ao longo do tempo, as esquisitices de reprodução… E sempre enumerava uma lista gigante de espécies endêmicas, ou seja, que só existem por lá. Por sinal, esse é um dos termos que mais se ouve em Galápagos: quase metade das aves observadas é exclusiva, e ao menos 90% dos répteis também. Sem contar as tartarugas gigantes, os leões-marinhos, os peixes…

Existe, inclusive, um fato inexplicável sobre os animais de Galápagos: eles não fogem dos seres humanos. Talvez sejaesse o motivo do arquipélago ter recebido, no passado, o nome de Ilhas Encantadas. Se é verdade ou não, o certo é que, ali, é você quem deve respeitar o espaço dos bichinhos, mantendo sempre uma distância mínima de dois metros deles.

mergulho-equador

(Foto: shutterstock.com)

Mesmo assim, dá para fazer belos cliques ao lado dos simpáticos boobies (os pássaros de patas azuis), brincar com tartarugas e divertir-se com os filhotes sapecas dos leões-marinhos que ficam espalhados pela areia, tomando sol. Ou, ainda, se desdobrar para encontrar um caminho que não esteja tomado por iguanas. Pode até mesmo nadar junto a tubarões-baleia, já que há 70 pontos de mergulho que permitem apreciar uma profusão de peixes coloridos. Não é necessário nem equipamento – basta máscara e snorkel.

Em terra firme, existe outro fenômeno curioso: apesar de serem todas de origem vulcânica, as ilhas são diferentes entre si, seja na geologia, seja quanto aos bichos  ue as habitam. A Ilha Espanhola, por exemplo, tem um lado que lembra o Caribe, com areias brancas e macias, mar de azul turquesa e muitas tartarugas marinhas.
Do outro, é coberta por pedras e pássaros exóticos, como os boobies, os albatrozes de Galápagos e os píqueros de Nazca. Já a Ilha Rábida abriga uma grande população de leões-marinhos em seu solo avermelhado.

Bem ao lado, a Bartolomé ganhou fama pela Roca Pináculo – uma rocha pontiaguda de basalto que virou o cartão-postal de Galápagos. Lá, é bem provável que você encontre pinguins. A Ilha Seymor Norte, por sua vez, exibe milhares de fragatas e gaivotas de rabo bifurcado. Ferdinanda, a mais jovem das ilhas, não raro recebe a visita de baleias. E a Ilha Floreana exibe o mais antigo correio das Américas, datado de 1792.

A maior ilha de todas, Isabela, impressiona com suas cinco caldeiras (espécie de cratera de um vulcão extinto, que entrou em colapso). Há milhares de flamingos e um animal curiosíssimo: as iguanas que sabem nadar, únicas no mundo todo. Mas é a Ilha de Santa Cruz que oferece as paisagens mais diversas. A começar por um túnel que se formou com a passagem de lava após a erupção de um vulcão. Ou pelos Los Gemeles, dois grandes reservatórios de lava, chamados de câmaras  magmáticas, que, devido a constantes erosões, formaram uma imensa cratera próxima ao povoado de Santa Rosa, lar de tartarugas gigantes.

Ninguém passa por lá sem visitar a Estação Científica Charles Darwin, que foi casa do personagem mais célebre de Galápagos: o esquisitão Solitário George. Ele era o exemplar de tartaruga mais velho do mundo e morreu em junho de 2012. Também era o único de sua espécie, pois, apesar de viver no mesmo cativeiro que duas fêmeas, nunca se interessou em procriar.

Santa Cruz possui, ainda, a maior população de Galápagos – são 20 mil habitantes – e a melhor infraestrutura para os turistas. Dezenas de lojinhas de artesanato pipocam na Avenida Charles Darwin, além de bons restaurantes para saborear pratos típicos do Equador nos momentos em que a embarcação atraca no porto. Nos cardápios do Tintorera e do La Garrapata, esteja certo de encontrar o suculento locro de papas (um caldo de batatas) e o creme de camarão com coco – duas receitas tradicionais do país.

Foi na Ilha de San Cristóbal, com seus 5.600 habitantes, que me despedi do arquipélago. Mas não sem antes parar nas lojinhas do calçadão e encher a mala com  miniaturas de cerâmica, bichos de pelúcia e outras lembranças dos animais desse reduto natural tão único. Afinal, deixei as ilhas sabendo (quase) tudo sobre albatrozes, fragatas, pombas marinhas e uma infinidade de pássaros. E, da mesma forma que Charles Darwin há duzentos anos, não consegui ficar indiferente a isso – é impossível não amar Galápagos.

[/optinlocker]