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Córsega: beleza à francesa

Córsega: beleza à francesa

Menos de duas horas de voo separam Paris de Córsega. Terra de Napoleão, a ilha é um delírio para gourmets e apaixonados por história, sol e mar

Por Mari Campos

Conforme o sol da tarde se despedia, o céu ia mudando suas cores do azul ao rosado, do rosado ao alaranjado, e as falésias imensas, debruçadas sobre o Mar Mediterrâneo, também ganhavam tons prateados com os raios solares. Mesmo em êxtase diante de tanta beleza, eu sabia que aquela imagem jamais descolaria da minha retina. Bonifácio, a cidade mais famosa da Córsega, é mesmo desses destinos arrebatadores, que nunca mais deixam o imaginário de quem os visita.

Assim como a ilha francesa, que nos tempos da Grécia antiga era chamada de Kallisté, a mais bela, continua arrebatando corações até hoje por sua estonteante beleza natural. Muito mais que um mero destino de praia durante o verão europeu, Córsega reúne atrativos suficientes – em beleza natural, cultura e história – para ser visitada o ano inteiro.

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Corte (Foto: shutterstock.com)

A ilha está distante pouco mais de uma hora e meia de voo desde Paris e é acessível também por voos diretos de diversas outras cidades europeias. Plural, o destino me seduziu, primeiro com a paisagem exuberante que, da janelinha do avião, parecia quase intocada.

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Aí vieram os cheiros das palmeiras, dos pinheiros, de alecrim, alfazema e maquis (os arbustos que cobrem boa parte da ilha). A visão das montanhas cobertas de neve, as aldeias encarapitadas no alto dos morros, casinhas e ruelas de pedras, ruínas romanas, penhascos surgindo no mar, praias de areia clarinha e baías turquesa foram suficientes para me arrebatar. Bem dizia o gênio Henri Matisse: na Córsega, “tudo é cor, tudo é luz.”

Saleccia (Foto: divulgação)

Saleccia (Foto: divulgação)

Vinhos corsos

Pode ser surpresa para muita gente, mas boa parte do território da Córsega é coberta por vinhedos e a produção local de vinhos ganha cada vez mais destaque no cenário internacional. São mais de 40 variedades distintas de uva, com destaque para VermentinoPinot Noir e nove AOCs (Apelação de Origem Controlada). A variedade de tipos de solo na Córsega (argila, granito, calcário, arenito, etc), associada aos climas marítimo e continental, também contribui para gerar vinhos cheios de personalidade.

A região de Patrimonio, próxima à cidade de Bastia, é um dos principais centros de produção do vinho corso, envolvendo vinícolas importantes como Domaine Renucci, Domaine de Culombu e Domaine D’Alzipratu. Já na porção sul da ilha, são reconhecidos produtores locais, como Antoine Arena, Clos Canarelli e Domaine Maestracci.

Nos arredores de Porto Vecchio, vale visitar a charmosa e simpática Domaine de Torraccia, cujos vinhos podem ser encontrados também nos melhores restaurantes da ilha. Seu fundador, Christian Imbert, foi um dos pioneiros na produção contemporânea de vinhos corsos, e seus vinhedos sobre as montanhas, com vista desobstruída para o mar, estão, seguramente, entre os mais belos de toda a ilha.

Ali é possível fazer tours (desde € 15 por pessoa) a pé, em bugue ou a cavalo pela propriedade e pelas etapas de produção ainda com jeito familiar da vinícola, finalizando, é claro, com uma bela degustação.

Porto Vecchio (Foto: divulgação)

Porto Vecchio (Foto: divulgação)

Hotelaria e cozinha de excelência

Na cozinha corsa, tudo é sempre muito fresco, com destaque para as carnes curadas e de caça (como sanglier, o javali) e as charcuterias produzidas localmente (com porcos nativos, alimentados à base de castanhas). Na hora da sobremesa, vale provar o fiadone (um flan de limão e ovos), os biscoitos típicos canistrelli e a ambrucciata (uma torta com o delicioso queijo brocciu).

Garantia de cozinha de primeira linha, os restaurantes Relais&Chateaux estão presentes nos quatro ótimos hotéis que a rede mantém na Córsega, garantia certa de uma hospedagem com estilo por lá (e todos com excelente localização para explorar bem a ilha).

Tangerinas e queijos (Foto: divulgação)

Tangerinas e queijos (Foto: divulgação)

Na porção centro-norte, o destaque fica por conta da cozinha do adorável La Signoria Hotel & Spa, que ocupa uma antiga propriedade genovesa do século 18, a meros cinco minutos de carro do centrinho de Calvi – e excelente custo-benefício em menus desde € 55.

Na porção sul, o restaurante estrelado do chef Pascal Cayeux, do Grand Hôtel de Cala Rossa, que tem, ainda, um impecável spa Clarins, vale o desvio de Porto Vecchio. Mas o destaque fica por conta do hotel Les Bergeries de Palombaggia, romanticamente instalado na idílica praia homônima e com quartos tipo villas, também pertinho de Porto Vecchio.

Com atendimento delicado e prestativo, seu restaurante La Table de Mina é um puro convite à descoberta dos mais frescos e autênticos produtos da cozinha corsa. A rede Relais&Chateaux possui também na ilha o hotel La Villa Spa, nas proximidades de Calvi.

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