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Península de Maraú: praias quase desertas e piscinas naturais

Quando me falaram do lugar, não dei muita importância. Península de Maraú? Sabia de um grande resort que havia se instalado por ali e não muito mais além disso. Para mim, a falta de referências deixava esse ponto do litoral da Bahia bem atrás dos destinos consagrados como Itacaré, Morro de São Paulo, Porto Seguro Costa dos Coqueiros, por exemplo.

Certamente, eu estava enganado. Acredite, leitor da Viajar, a tal Península de Maraú é um recanto costeiro incrivelmente bacana e variado, ainda que pouco conhecido dos brasileiros em geral.

Praia de Taipu de Fora
Taipu de Fora (foto: shutterstock)

Antes de tudo, vamos situá-la na geografia e na história. A península fica na porção central do litoral baiano, cerca de 200 quilômetros ao sul de Salvador e pouco mais de cem ao norte de Ilhéus. Separa a Baía de Camamu do Oceano Atlântico e, devido a seu isolamento, engloba um santuário ecológico repleto de lagoas, ecos-sistemas marinhos, piscinas naturais, restingas, arrecifes, manguezais, cachoeiras, trilhas… E claro, praias de rara beleza, onde, na maioria dos casos, nada há além de umas poucas pousadas. Cidades? Bem, tem a própria Maraú, sede do município, que dá nome ao lugar, com seus 20 mil habitantes. E, além disso, alguns pequenos povoados ao longo dos 40 quilômetros da península, dentre os quais se destaca a charmosa vilazinha de Barra Grande, no extremo norte.

História

A cidadezinha de Maraú fica logo no início da península, no lado voltado para o continente. É um vilarejo de pescadores muito simples, mas que merece uma visita rápida. Fundada em 1717, tem uma história, no mínimo, curiosa. Seus primeiros habitantes foram frades capuchinhos italianos que vieram catequizar os índios da região. Em seguida, chegaram os ingleses, que ali instalaram a Usina John Grant de destilação de querosene, em 1860.

E, então, um visitante ilustre perambulou por ali no começo do século 20: o escritor e aviador francês Antoine de Saint-Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe, que, diz a lenda, apaixonou-se pelo lugar e chegou a viver em um casebre nas imediações, em 1930.

Graças ao relevo intrincado – uma espécie de penhasco debruçado sobre a água –, a cidade de Maraú permite fazer belas fotos do estuário do Rio Maraú, a partir do Mirante da Cidade Alta. O que mais me atraiu, no entanto, foram dois marcos históricos. Em primeiro lugar, a Igreja de São Sebastião, construída em 1855 pelos frades italianos, com um interessante acervo de objetos e imagens sacras. E, ademais, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, erguida no final do século 18 pela Irmandade dos Negros do Cambuízo.

Praias para dar e vender…

Feita essa visita rápida, você pode, enfim, se esbaldar nas praias e lagoas da península. São oito as principais: Algodões, Saquaíra, Cassange, Taipu de Fora, Bombaça, Três Coqueiros, Ponta de Mutá e Barra Grande. A distância entre a primeira e a última é de 25 quilômetros.

Taipu de Fora

Na minha jornada, escolhi ficar mais ou menos no meio desse caminho: a praia de Taipu de Fora. Com seus sete quilômetros de extensão, é o trecho mais badalado da península. Coqueirais, areias claras, Mata Atlântica preservada e córregos nativos que desembocam no mar compõem um cenário de filme.

Piscina Natural, Maraú
Piscina Natural, Taipu de Fora (foto: divulgação)

Mas ela ganhou fama mesmo graças à sua piscina natural, formada por arrecifes caprichosamente dispostos perto da orla. Na maré baixa, as ondas fortes ficam do lado de fora e as águas plácidas do interior se enchem de peixes. Dessa forma, se torna um ótimo lugar para mergulho com snorkel e observação da fauna submarina.

Taipu de Fora tem algumas pousadas, casas de veraneio e cabanas de praia servindo petiscos regionais e bebidas. Também há um ou outro quiosque de artesanato, geralmente de pessoas de outros estados, como a paulista Fabiani Julianni, que mudou para lá em 2002 e nunca mais quis saber da cidade grande. Ela vive da produção e venda das chamadas biojoias – bijuterias feitas apenas com elementos naturais, colhidos de forma sustentável.

Atrações

O destaque nessa praia é a Pousada Taipu de Fora, que se notabilizou pelo gramado à beira-mar, repleto de camas um cenário que virou cartão-postal da península. E muito perto dali, aliás, fica outro símbolo de Maraú: o Farol de Taipu. Com suas faixas brancas e vermelhas, ele ocupa o alto de um morro, 80 metros acima do nível do mar. A subida é íngreme e muita gente prefere apelar para os quadriciclos de aluguel.

Farol de Taipu de Fora, Bahia
Farol de Taipu (foto: divulgação)

Eu optei por ir a pé e cheguei após 20 minutos de batalha contra a areia… Mas valeu a pena. A vista de 360 graus inclui desde o Oceano Atlântico, a leste, até a Baía de Camamu, a oeste, passando por Mata Atlântica ao norte e lagoas ao Sul.

Cassange

Por falar em lagoas, a Península de Maraú tem uma das mais belas da Bahia: a Lagoa do Cassange. Com três quilômetros e meio de comprimento e 500 metros de largura, ela ostenta águas límpidas, plácidas e muito vento – o que a torna ideal para esportes a vela. E, acima de tudo, o mais bacana: em alguns pontos, fica a apenas cem metros do mar, paralela à Praia do Cassange.

A união de lagoa, floresta e praia deu origem a um local tão idílico que não apenas pousadas se estabeleceram ali, mas até mesmo projetos culturais alternativos, como o Jardim das Bromélias – uma escola para as crianças da península, conduzida por voluntários estrangeiros, adeptos da pedagogia Waldorf.

Lagoa Cassange, Península
Lagoa Cassange (foto: shutterstock)

 

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Além de Cassange

Saindo da praia de Cassange, segui para o norte, para conhecer as outras praias e os vilarejos. E aqui vale uma ressalva: nem tudo são flores na península. O famoso Morro do Celular (também chamado de Mirante da Bela Vista), que sempre foi um dos recantos mais badalados de Maraú, está agora fechado à visitação, já que fica em terras particulares e o dono aparentemente se cansou do burburinho por ali.

Passei também por Taipu de Dentro, uma praia interna onde o que há de bacana é relaxar e ver a atividade dos pescadores, sentado em quiosques como o pitoresco Bar do Elinaldo. Aliás, muitas pousadas preparam os peixes que você mesmo compra em lugares como Taipu de Dentro.

Mas o ápice do passeio é no final do caminho, ao norte. Em Ponta do Mutá, a faixa de areia clarinha, com mar super calmo, lota de gente no fim de tarde, para apreciar aquele que muitos chamam de “o pôr do sol mais lindo da Bahia”.

Ponta do Mutá
Ponta do Mutá (foto: shutterstock)

O charme de Barra Grande

O povoado de Barra Grande, por sua vez, revela praias de águas calmas e tépidas, coalhadas de coqueiros, escunas, lanchas e bares pé na areia. Além disso, tem também o píer, porta de entrada para os visitantes que chegam de Salvador em barcos a partir da cidade de Camamu, no outro lado da baía.

Barra Grande, Península de Maraú
Barra Grande (foto: divulgação)

Aliás, anote: é nas imediações do píer que você acha a maioria das agências que levam a passeios de lancha, escuna, quadriciclo ou jipe pela região. Barra Grande abriga, ainda, centenas de casas de veraneio, pousadas e os principais bares e restaurantes. Não deixe de experimentar o restaurante A Tapera, por exemplo, com seu famoso arroz de polvo com queijo coalho. Alternativa para lá de recomendável é o Restaurante da Zene, com aspecto rústico, que, assim como A Tapera, também serve o arroz de polvo, típica iguaria baiana.

Arte e comércio

Nesse diminuto povoado, fiquei espantado com a oferta de artesanato e cultura. Afinal, na Praça da Tainha, você acha de tudo: de lojas que vendem cachaças locais a joalherias, de uma biblioteca a uma balada, de tapiocaria a restaurante italiano.

Em um determinado ponto de minha visita, enfim, me flagrei apreciando o trabalho meticuloso do artesão Manoel Paciência, uma das figuras folclóricas do lugar. Enquanto ele tecia sua obra no bucólico ateliê instalado num canto da praça, poucos metros para a direita, ressoavam os tambores da Capoeira Lutarte, do célebre Mestre Toinho Curubelo. Alguns passos para a esquerda, brotava a ritmada reza dos fiéis na simpática capela de Santo Antônio. Tudo isso envolvido pelo burburinho da moçada mais jovem pelos inúmeros bares da praça.

Detalhes de Taipu de Fora
Detalhes (foto: divulgação)

Um clima de festa, introspecção e tradição – tudo ao mesmo tempo, por mais improvável que pareça. Sincretismo tão perfeito, de fato, só mesmo na Bahia…

Onde se hospedar na Península do Maraú?

Pousada Taipu de Fora
Pousada pé na areia, numa das mais belas praias da península. Tem 28 quartos de frente para o mar, um grande gramado beirando a praia e gastronomia de primeira no seu restaurante, o Taoca.

Villa Balidendê
Hotel com decoração inspirada na ilha de Bali. Tem 16 suítes, piscina e fica de frente para a Baía de Camamu.

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